O caso do dono da Andrade Gutierrez e o esgoto de sua mansão

Sugestão de Assis Ribeiro

Do Jornal do Brasil

Milionário joga esgoto de sua mansão em galeria fluvial

Autuado em flagrante, afirmou que não fez nada de ilegal

Algumas situações são difíceis de compreender diante de fatos que, a princípio, parecem impossíveis de acontecer. Como por exemplo, o esgoto da mansão do milionário Sérgio Lins Andrade, dono da construtora Andrade Gutierrez, uma das maiores do Brasil e com várias obras no exterior, que não está ligado à rede pública de coleta e que custaria menos de R$ 2 mil para ser feito. Apesar desse custo, irrisório para um milionário, o ilustre morador do Condomínio Jardim Pernambuco, no Leblon – um dos metros quadrados mais caros do país – preferiu jogar os dejetos na galeria fluvial do bairro, conforme flagrante dado pela Secretaria Estadual de Ambiente nesta quinta-feira (3/10).

O robô-espião da SEA não deixou dúvidas quanto ao derramamento de esgoto nas galerias fluviais e Sérgio Gutierrez, cuja casa é avaliada em mais de R$ 20 milhões, deixou de fazer uma obra de baixo custo para evitar a poluição da Praia do Leblon. Por não ter gasto cerca de R$ 2 mil, Gutierrez foi autuado em flagrante e será multado por infringir o artigo 93 (poluir corpos hídricos) da Lei 3469/2000, que dispõe sobre sanções administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente do Estado do Rio de Janeiro. O proprietário foi notificado pela Cedae e pelo Inea, que estabeleceram prazo inicial de 48 horas para que seja corrigido o problema.

Após o flagra, Gutierrez soltou uma nota afirmando que pediu a um dos milhares de engenheiros que trabalham para ele fazer um laudo sobre a ligação clandestina e concluiu que  “todas as ligações de água e esgoto estão corretas”. Ele ainda se colocou à disposição dos órgãos estaduais para quaisquer esclarecimentos.

O despejo ilegal de esgoto da mansão, situada no número 76 da Rua Graça Aranha, foi flagrado por técnicos da empresa Norbrasil Saneamento, contratada pela SEA, em blitz ecológica promovida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da SEA, com a participação do secretário do Ambiente, Carlos Minc.

 Ao constatar o crime ambiental praticado pelo proprietário da mansão, Minc afirmou, irônico: “Os filhos da família desta mansão de R$ 20 milhões mergulham no Leblon nadando no seu próprio xixi”.  Para evidenciar a irregularidade praticada pela residência, técnicos da NorBrasil despejaram um corante em sua rede de saída de esgoto, mapeando então seu trajeto até uma galeria de água pluvial do condomínio. Ficou comprovado assim o crime ambiental. Também foi realizado um teste de colimetria da água que chegava à galeria pluvial, com resultado positivo para presença de coliformes fecais, uma vergonha para gente tão abastada.

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15 comentários

  1. A nota não fala em multa,

    A nota não fala em multa, apenas foi notificado para sanar o problema, aí o milionário instala uma manilha faz a ligação correta com a rede de esgoto e fica por isso mesmo, se o descaso começa em sua própria residência, imagine nas obras sob responsabilidade de sua empreiteira.  Os banistas que se danem, nadando sobre a merda do ricaço.

  2. Sergio Andrade não era dono da operadora Oi até ser vendida

    Sergio Andrade não era dono da operadora Oi até ser vendida dias atrás para a Portugal Telecom?

    • Exato!

      Ele e Carlos Jereissati (dono dos Shoppings Iguatemi e irmão de um certo político de um partido de mão gran… Opa, de bico grande).

       

       

      Mas pros sobrinhos do Tio Rola-Bosta a OI era do Lulinha! Toda ela! Quem fala que isso é mentira é feio, chato, bobo, cara de melão e petralha!

  3. EM RIO DE PIRANHA, BAGRE NÃO MERGULHA

     

    Não entendi a repercussão provocada pelo insigne ficante malfeito. Dentre tantos, perpetrados pelos da casa-grande. Não seria este, apenas, mais um recurso dos especialistas à soldo, justamente para facilitar à boiada, vadear incólume o rio, no trecho mais raso ?

    OIrlando

  4. Elites

    Depois quando alguém diz que as “elites” deste país literalmente “cagam e andam” para o povão, sempre aparece um “peão” baba ovo para dizer que não é bem assim…

    Um abraço.

  5. Avarento, desrespeitoso para

    Avarento, desrespeitoso para com a Cidade Maravilhosa e os caricoas, um sujeito desse deveria pagar caro, sentir no bolso as depesas exigidas pelo Governo. Porém, se sai barato, bagatela, melhor seria nem cobrar, afinal a gente terá a ideia de conchavos.

    O Código Penal teria que ser substituído por um que se adequassse à nossa realidade. Sempre entendo a necesidade, não de trancafiar as pessoas primárias em crimes menores,mas de em todo e qualquer caso de crime, a Justiça, em apenas uma audiência, com base na lei, metesse a mão no bolso dos ladrões ou ladras, criminosos em geral. Por exemplo: o caso em tela denuncia uma falta de respeito a toda uma população, por parte de pessoas milionárias. Proporcionalmente ao estrago feito ao Rio e ao povo, que as multas fossem astronômicas, e que a matéria tivesse, por lei, que ser divulgada em todos os caais de televisão, jornais,etc. Melhor forma não haveria de se dar um basta nesse tipo de crime.

    No caso das crianças, invariavelmente coopatadas para os mais hediondos crimes, como o daquela dentista que foi incendiada ainda viva. No meio havia uma criança, a quem os adultos criminosos imputam a ela a autoria do crime. Se nesse caso, como em qualquer outro, onde apenas uma criança faz parte de um bando por ser últil aos bandidos-mor, que as penalidades fossem assim: cada adulto teria sua pena dobrada por estar com uma criança, se mais de uma, pena triplicada. Segunda questão: cada um, de acordo com sua situação financeira, teria que ajudar à familia da criança. Terceiro: não havendo meios financeiros, que esses bandidos, dentro das cadeias, fossem fabricar qualquer coisa, desde que seu tempo fosse consumido com trabalho,e que os resultados da produção servissem aos Estado de alguma forma.

    Um promotor, do Sul do País, gente de classe média alta, mata sua esposa, fica tudo provado, ele só será preso muito anos depois. Mas, entre ficar preso, somente preso, e se exigir desse canalha que a família da morta recebesse uma baita indenização dele, e, ainda, que, com sua capacidade, seu estudo, ele, dentro da cadeia, passasse a prestar serviços à comunidade. Isso serviria para pederiero, marceneiro, cabeleireira,etc.

    A chance de vermos uma luz no fim do túnel com esse modo de se tratar a violência no Brasil é infima. Sem uma mudança drástica no CP vamos continuar assistindo a programas nojentos, sem futuro, mas que enchem o ego de quem os apresenta, e principalmente o dos bandidos, talvez os mais fieis expectadores.

     

  6. La mérde…

    Ehhhh…que tal colocarmos no Leblon um sonegômetro e um merdômetro juntos, em enorme painel a revelar a hipocrisia de nossas elites…

    O problema vai ser achar um que caiba tantas casas decimais…

    No metro quadrado mais caro do Rio, a merda tem que ser igualmente chique…

    Uma boa aliança, Leblon: a república dos guardanapos e do papel NEVE(aquele do mordomo, lembram?)…

  7. Isto é uma… m…

    Multe e obrigue o proprietário a  regularizar a ligação…

    Agora, sinceramente, alguém acredita que durante a construção da mansão o dono mandou economizar na interligação à rede de  esgoto?

    Se existe uma coisa que as grandes empresas e empresários fazem é cumprirem rigorosamente às pequenas exigências legais… às grandes dependem da relação custo/risco/benefício.

    • Rebola-bola você diz que dá

      Rebola-bola você diz que dá na bola, mas na bola ‘cê não dá…

      Arf…

      Os grandes e pequenos empresários, a classe mé(r)dia, e o populacho praticam o mesmo descaso patrimonialista-cordial (ver Sérgio Buarque) com a leis e formalidades…

      Claro que há causas e feitos polimórficos para cada estrato social, é bom dizer…

      O problema não é o que o empresário mandou ou deixou de mandar fazer, mas o fato em si, na medida que ele tinha o DEVER de saber e fiscalizar o que FAZEM terceiros em seu nome…

      E se de forma isonômica entendermos que a violação de regras e normas públicas entre os mais pobres corresponde a quase uma auto-defesa ao abandono do Estado (com raras exceções), no caso dos mais ricos significa manutenção de privilégios e posição no status quo, logo, muito mais grave…Sim , porque jogar lixo na rua porque não tem coleta, ou esgoto na rede pluvial porque não há esgoto é uma coisa, e fazer o que o cretino-ricaço fez é outra…

      Mesmo assim a punição do Estado nunca é a mesma…

      Se fosse um pescador a infringir o tempo do defeso, ou um quiosque de cachorro quente a jogar suas merdas em um riacho, o pau comia solto, algemas, caçapa, camburão, tiro, porrada e bomba…

      Agora, no caso do bacana tem até gente (cara-de-pau) para dizer que ele é grande demais para cometer erros “tão pequenos”…e seguem cagando em nossas cabeças…

      É uma boa tese de defesa, pena que o rebola a antecipou “de grátis”…perdeu boa chance de tomar uma pratinha do “dôto” andrade…

  8. o caso do dono da andrade gutierrez

    Se ao levantar o cidadao dobrar a roupa da cama,colocar o sabonete na saboneteira,limpar a escova de dentes,guardar a toalha,lavar a xicara do primeiro café,tampar e dar descarga no proprio vaso,cuidar da fachada melhorando a rua em um todo,certamente estaremos iniciando a civilizaçao humana.Se criarmos o habito de lavar as maõs e dar descarga já configura um avanço sobrenatural.

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