PF cumpre mandados contra empresa grega suspeita de derramamento do petróleo que atinge Nordeste

Investigações apontam para navio de bandeira grega; Vazamento teria acontecido entre 28 e 29 de julho, a 700 km da costa brasileira

Foto: Agência Petrobras

Jornal GGN – A Justiça Federal do Rio Grande do Norte autorizou a Polícia Federal a cumprir, nesta sexta-feira (1º), mandados de busca e apreensão em endereços ligados a uma empresa grega, suspeita de ser responsável por uma embarcação que teria derramado petróleo cru que atinge o litoral do Nordeste brasileiro.

As ações são cumpridas nem uma agência marítima e na sede de representantes da empresa, no Rio de Janeiro. Segundo relatório da PF, com informações da Marinha obtidas à partir de dados coletados por uma empresa privada especializada em geointeligência, o derramamento ocorreu em águas internacionais.

A conclusão ocorre a partir de imagens de satélite que partiram das praias atingidas até o ponto de origem das manchas. De forma retrospectiva, os investigadores detectaram que a mancha original é do dia 29 de julho, a aproximadamente 700 km da costa brasileira.

O navio suspeito de ter cometido o crime ambiental manteve o sistema de monitoramento ligado, o Automatic Indentification System-AIS. O sistema de rastreamento mostra que ele permaneceu atracado de 15 a 18 de julho no terminal de carregamento de petróleo “San José”, na Venezuela. Daquele país, a embarcação seguiu para Singapura, pelo oceano Atlântico. Foi durante esse percurso que o acidente teria ocorrido.

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No relatório, a Diretoria da Inteligência Policial da PF diz que “não há indicação de outro navio (…) que poderia ter vazado ou despejado óleo, proveniente da Venezuela”, apontando também que a mesma embarcação ficou detida nos Estados Unidos por quatro dias, devido a “incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga no mar”.

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O que já se sabia, até agora, era que os óleos crus, que começaram a chegar nas praias da Grande João Pessoa, no dia 30 de agosto, eram provenientes da Venezuela. Uma análise feita pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) também indicou similaridade do óleo que chegou à costa baiana com petróleo venezuelano.

Até 29 de outubro, foram registradas manchas de óleo em 97 municípios e 286 localidades, em todos os Estados Nordestinos. O material é altamente tóxico, carcinogênico e mutagênico – mais de 100 animais foram afetados pelo óleo, com 81 mortes.

Além disso, ainda não se sabe ao certo a quantidade de óleo derramado. Pelo menos três a cada 10 praias atingidas tiveram reincidência de óleo e cerca de 2.000 toneladas de resíduos já foram retiradas das praias do litoral nordestino. A quantidade poderia ter sido transportada por um navio petroleiro. O Suezmax, da Petrobras, por exemplo, tem capacidade de carregar entre 140 mil e 145 mil toneladas de petróleo bruto.

O Ministério Público Federal instaurou procedimentos extrajudiciais sobre o caso em todos os Estados do Nordeste, desde o início de setembro. O órgão trabalha com duas frentes: a primeira é a prevenção e limpeza urgente dos locais atingidos, com a mobilização de órgãos municipais, estaduais e da União. A segunda frente, é a origem e apuração dos possíveis responsáveis pelo vazamento.

Segundo o órgão, o crime pode gerar multa e indenização por danos morais, materiais e sociais, além de penas que vão até cinco anos de reclusão.

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*Com informações do G1

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3 comentários

  1. “Todas as gigantescas manchas de óleo que há já dois meses emporcalham inúmeras praias em diversos estados vieram de uma falha de transferência de um navio, que aconteceu em dois dias de julho.”

    Essa é a “explicaçâo” oficial da PF.

    Nem um vazamento do volume inteiro do navio (ele teria que ter rachado no meio) seria uma explicação razoável para esse derramamento.

  2. Pelo que li em diversas reportagens, de vários sítios se notícias as hipóteses são um vazamento ou um derramamento proposital por algum problema técnico do navio e a necessidade de diminuir o peso da carga.
    Vamos ver qual a justificativa dos gregos e se as normas internacionais sejam aplicadas para a reparação do desastre.

  3. É lamentável e uma vergonha para nossa nação, este acontecimento triste que caracteriza, um gigantesco crime ambiental contra o meio-ambiente nordestino; contra os mangues, a biodiversidade e a cadeia produtiva, industrial e comercial da pesca marinha; contra as belezas cênicas, contemplativas, lazer e toda a cadeia da indústria do turismo do nordeste; contra a economia e a geração de empregos e rendas, etc; cujo palco dessa vergonha, são os Estados e Municípios do Nordeste do Brasil e os protagonistas, os agentes públicos omissos do Brasil.
    À luz de tudo isso e mais, depois de 02 messes dos vazamento de óleo na região (link abaixo), ao que parece, as instâncias públicas competentes, conforme a imprensa, nem informou as causas e nem quem é/são o(s) criminoso(s) responsável(is) e quais as penalidades por seu crime, estão sujeitos.
    O mais agravante de tudo isso, é a falta de iniciativa proativa e em tempo real e, a falta de solidariedade e apoio efetivo em tempo hábil do governo federal, como constitucionalmente, deveria, na prestação de informações e ajuda rápida, aos Estados atingidos.
    Fica algumas perguntas: 1) Será que o Brasil com a experiência adquirida na exploração de petróleo e, a responsabilidade que tem no momento, com a extração de petróleo no mar com o pré-sal, não dispõe de meios de vigilância moderna e eficaz (Marinha, Aeronáutica, ABIN, etc), de informação e segurança estratégica do espaço aéreo e do mar, por exemplo, capaz de detectar proativamente, nesses locais, agressão, terrorismo, acidentes, ou quaisquer outros crimes ambientais como esse, em tempo hábil, que permitisse de forma proativa, que não esperasse 02 dias para agir ( https://jornalggn.com.br/meio-ambiente/pf-cumpre-mandados-contra-empresa-grega-suspeita-de-derramamento-do-petroleo-que-atinge-nordeste/ )?
    2) E, se em vez do Nordeste, esse crime se desse nos Estados litorâneos do ES, RJ, SP, PR, SC e RS, será que tais autoridades federais, demorariam tanto para agirem, como fizeram com o Nordeste?
    3) Na falta do criminoso, quem irá ressarcir os prejuízos dos Estados, dos Municípios e das pessoas e empresas prejudicadas do Nordeste?
    4) Em qual país do mundo, aconteceria um acidente dessa dimensão e, os criminosos e as autoridades responsáveis, ficariam impunes, ?
    5) Cabe registrar-se também, a falta de unidade, passividade e omissão, e de falta compromisso e de respeito, dos parlamentares do Nordeste com seu povo e com sua região pois, eles não são poucos, mas se calaram quando, todos unidos num só bloco em defesa do Nordeste, deveriam ter gritado para todo mundo ouvir e, cobrar em bloco, responsabilidades constitucionais do governo e das autoridades responsáveis. Mas, ainda é tempo de se unirem para focarem seus esforços conjuntos e sua força, em benefício do povo do nordeste e de sua região.
    https://jornalggn.com.br/meio-ambiente/apos-19-dias-de-vazamento-em-77-cidades-do-nordeste-bolsonaro-se-preocupa-com-leilao-do-pre-sal/.
    Sebastião Farias
    Um brasileiro nordestinamazônida

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