Rompimento das barragens já era esperado por moradores de Brumadinho (MG)

Duas barragens da Vale romperam nesta sexta (25) em Brumadinho (MG) / Reprodução de WhatsApp

Duas barragens da Vale romperam nesta sexta (25) em Brumadinho (MG) - Créditos: Reprodução de WhatsApp

do Brasil de Fato

Rompimento das barragens já era esperado por moradores de Brumadinho (MG)

Há anos, Movimento das Águas de Casa Branca realiza ações contra o avanço da atividade na região

Wallace Oliveira

O rompimento de duas barragens da Vale em Brumadinho (MG), na tarde desta sexta-feira (25), possivelmente é um dos maiores crimes ambientais da história da mineração no Brasil, ao lado do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. Segundo Clara Paiva Izidoro, consultora de empresas e moradora de Casa Branca, distrito de Brumadinho, já havia entre os moradores um temor de que um desastre dessa natureza ocorresse.

“Nós vamos ter um impacto imenso. Nós já vínhamos reconhecendo que várias barragens andavam com risco e isso tem relação com abalos sísmicos pequenos que estão acontecendo na região. Isso significa que, se houve um sismo nessa região, que tem muitas barragens, ainda podemos ter outros eventos. Então, esta é uma área de muito risco”, explica.

Denúncia publicada no Brasil de Fato no mês passado mostrou que os moradores se opuseram fortemente à autorização do governo de Minas para que as empresas Minerações Brasileiras Reunidas S.A. e Vale operassem nos municípios de Brumadinho e Sarzedo.

Há cerca de uma década, o Movimento das Águas de Casa Branca realiza inúmeras ações contra o avanço da mineração. O grupo tem alertado para o fato de que a as mineradoras operam nas proximidades do Parque Estadual da Serra do Rola Moça e de seis mananciais que abastecem 40% da Região Metropolitana de Belo Horizonte, fornecendo água para mais de 2 milhões de pessoas. Um abaixo-assinado chegou a ser feito, com 82 mil assinaturas.

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“Meu sentimento de moradora e cidadã é de não estar sendo ouvida nem respeitada. Quando a gente se levanta contra a mineração, ouvimos que somos doidos, como se a gente fosse criminoso. Não temos mais portas para bater”, relatou Clara Paiva.

Edição: Larissa Costa

 

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