Rompimento de barragens evidencia crimes ambientais de mineradoras

Jornal GGN – O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco em Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais, evidencia os crimes ambientais cometidos pelas mineradoras na região. Segundo a página Estação Liberdade, no Facebook, a Vale pretende promover o destombamento provisório da Fazenda Velha, no município de Rio Acima, para a construção de uma barragem de rejeitos a 100 metros do Rio das Velhas, o que é proibido pelas leis que regulam a atividade.

O Projeto de Lei 2846/2015, enviado pelo governador mineiro Fernando Pimentel (PT) à Assembleia Legislativa, é criticado por movimentos sociais e ambientais, que o classificam como o “o AI-5 do Meio Ambiente”. O PL pretende alterar o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SISEMA), tornando mais ágil o licenciamento ambiente. Os movimentos acusam Pimentel de defender o interesse das mineradoras, que doaram recursos para sua campanha para governador.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o rompimento das barragens provocou uma morte e ao menos 12 pessoas foram encaminhadas para hospitais com ferimentos. A mineradora diz que ainda busca por 16 desaparecidos, e 500 pessoas que estavam ilhadas foram resgatadas. O observatório da USP registrou um tremor de 2,55 na escala Richter a 22 quilômetros do local horas antes do rompimento.

Do Estação Liberdade, via Facebook

CRIMES AMBIENTAIS

ATÉ QUANDO SEREMOS REFÉNS DAS MINERADORAS?
 
Em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, região de Ouro Preto, estourou a barragem de rejeitos da mineradora Samarco, uma união das multinacionais Marcona e Samitri, com participação da Vale. O número de mortos ainda não é certo, mas juntamento com feridos podem chegar a 60. A recomendação da empresa é no sentido de que os moradores da região deixem as suas casas em virtude da existência de novos riscos.

 
Os bombeiros atuam no local e o acesso à região é difícil. O quadro é de desespero e o socorro às vitimas está sendo feito por helicópteros enviados para o local pelo governo de Minas.
 
Enquanto isto a Vale, de Eike Batista, quer promover o destombamento provisório da Fazenda Velha, no município de Rio Acima, e construir uma barragem de rejeitos a 100 metros do combalido Rio das Velhas, o que é totalmente vedado pelas leis que regulam a matéria.
 
Para tanto, contam com a aprovação do projeto de lei 2846/2015 enviado pelo governador Fernando Pimentel (PT) à Assembleia Legislativa, que de acordo com fontes oposicionistas “já é visto como definitivamente aceito em plenário”, através de ajuste de interesse do presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Fernando Coura, ligado a Eike Batista e Pimentel. Quais as razões precípuas desta ligação? “Financiamento de campanha (?) indagam os ecologistas.
 
Visto como um retrocesso na política ambiental, definindo a proposição como “o AI-5 do Meio Ambiente”, integrantes do Movimento pelas Serras de Minas Gerais, sob promessa de sigilo, argumentam que esta posição deixa mal o governador Fernando Pimentel e o secretário de Meio Ambiente, deputado estadual Sávio de Souza Cruz.
 
Eles se preocupam igualmente com as áreas das águas e matas de canga deixadas fora do projeto da presidente Dilma Rousseff ao criar o Parque Nacional do Gandarela. Isto possibilitará a Vale dar sequência ao Projeto Apolo. Se aprovado o “AI-5 do Meio Ambiente” em última instância a decisão sobre projetos ambientais ficará a cargo do governador Pimentel, relegando todas as conquistas até hoje alcançadas.
 
Minas está vivendo uma situação crítica em termos dos rios São Francisco, Doce, Paraopeba e das Velhas. A cidade do Serro através, do Codema já rejeitou a implantação de uma segunda cava de Mina da Anglo American e em Conceição do Mato Dentro, próxima ao Serro, início do Vale do Jequitinhonha a água já começa a se transformar em “artigo de luxo”, o mesmo ocorrendo em Viçosa, na zona da mata mineira devido ao mineroduto da Ferrus Resorce. Talvez a aparição em cena do “Imponderável de Souza” leve as autoridades a refletir melhor. Afinal, a população de Minas Gerais não pode continuar sendo refém de mineradoras. (Geraldo Elísio-Repórter)
 
Da Agência Brasil
 
 
Uma barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu na tarde de hoje (5), no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais, e inundou a região com lama, rejeitos sólidos e água usados no processo de mineração.
 
Segundo a prefeitura de Mariana, equipes do Corpo de Bombeiros, agentes da Guarda Municipal e Defesa Civil Municipal se dirigiram para o local.
 
Conforme a Guarda Municipal, todo o distrito ficou alagado. Não há contato com as equipes de resgate, por isso não é possível precisar o número de feridos e desaparecidos. Segundo a Guarda Municipal, unidades de saúde em Mariana devem receber os feridos.

 Samarco pediu para que os moradores de Bento Rodrigues evacuem o local e sigam, imediatamente, para o Distrito de Camargos, que é mais alto e seguro.

De acordo com a prefeitura, a situação no local é muito grave e há riscos de desmoronamentos. Várias casas foram alagadas.

Em nota, a Samarco informou que houve um rompimento de sua barragem de rejeitos, denominada Fundão. “Não é possível, neste momento, confirmar as causas e extensão do ocorrido, bem como a existência de vítimas”, diz a nota.

“A organização está mobilizando todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente. As autoridades foram devidamente informadas e as equipes responsáveis já estão no local prestando assistência ”, acrescenta a nota.

Segundo a prefeitura de Ouro Preto, a barragem se rompeu por volta das 16h20. A prefeitura  disse que a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do município encontra-se à disposição da cidade vizinha para auxiliar no atendimento aos possíveis feridos.

A nota informa ainda que a Defesa Civil de Ouro Preto também montou uma base de apoio, localizada no Centro de Convenções de Mariana, para auxiliar nas buscas.

Barragens como a que se rompeu em Minas são feitas para reter os resíduos sólidos e água dos processos de mineração. O rejeito é material que deve ser armazenado para proteção do meio ambiente.

 

Nota da Vale sobre o acidente, publicada na tarde desta sexta-feira, dia 06 de novembro:

Nota sobre acidente na Samarco

 A Vale, como acionista da Samarco juntamente com a BHP, lamenta profundamente o grave acidente ocorrido nas barragens de rejeitos nos municípios de Mariana e Ouro Preto, em Minas Gerais, e solidariza-se com os empregados, suas famílias e as comunidades atingidas. Desde o acionamento imediato do plano emergencial da Samarco, para garantir a integridade das pessoas e do meio ambiente, a Vale vem oferecendo total apoio e assistência às equipes da empresa e autoridades locais que estão trabalhando na região.   

“Gostaríamos de expressar nossa solidariedade a todos os atingidos por este lamentável acidente nas barragens de rejeitos da Samarco em Minas Gerais. Não mediremos esforços para prestar todo o apoio necessário à Samarco e às autoridades neste triste momento para os empregados, seus familiares e as comunidades vizinhas”, declarou Murilo Ferreira, presidente da Vale. 

A Samarco continuará centralizando a comunicação das informações de forma transparente e contará com nosso empenho irrestrito tanto neste momento quanto na apuração das causas do acidente.

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