Salles proíbe participação de servidores em evento e manda arrancar portas do Ministério do Meio Ambiente

Funcionários falam em clima de "caça às bruxas" na pasta; ministro mandou tirar todas as divisórias e portas a fim de promover "transparência" no ambiente

Jornal GGN – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mandou retirar todas as portas e divisórias do prédio do Ministério do Meio Ambiente. A informação é do blog de Bela Megale, no jornal O Globo.

Oficialmente, o MMA diz que a proposta é tornar o ambiente do prédio na Esplanada dos Ministérios mais aberto, transparente e acessível para os servidores. Mas, funcionários têm outra leitura: o objetivo é ampliar a vigilância em cima dos servidores.

Ricardo Salles também proibiu que servidores participassem de um fórum de gestão ambiental realizado em Campinas (SP) na semana passada. Em carta enviada à organizadora do evento, a Anamma (associação de órgãos municipais do setor), que o jornal Folha de S.Paulo teve acesso, os funcionários públicos lamentaram o fato de não poderem participar.

“Como fomos informados [da proibição de participar no fórum] de maneira informal, constrangedora e sem nenhuma justificativa (conforme, infelizmente, tem sido a prática nesses últimos meses), não sabemos qual foi o critério para que nossos dirigentes tomassem essa decisão”, consta em um trecho da carta assinada pela Associação de Servidores do Ministério do Meio Ambiente.

O ministro vetou a participação de representantes no vento porque os organizadores foram contra o apoio dado pelo ministro às fabricantes de motos no debate sobre a redução de poluição desse veículos.

Em abril, funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sofreram uma intimidação de Salles, porque o corpo diretivo realizou um evento que não era parte da agenda oficial do órgão. O ministro do Meio Ambiente tornou público seu descontentamento e ameaçou abrir um processo administrativo contra os servidores. O caso levou o então presidente do ICMBio, Adalberto Eberhard, a pedir exoneração. Em seguida, outros dois diretores também pediram exoneração.

Em junho, o ministro anunciou um programa de reestruturação do ICMBio reduzindo de 11 para cinco as bases da entidade. Além do enxugamento, Salles tirou ambientalistas dos postos principais postos de gestão do Instituto, que foram substituídos por militares.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) também vem sendo alvo de ataques do ministro. Na semana passada, servidores do órgão em seis estados e do Distrito Federal acusaram Salles de “assédio moral coletivo”, em uma representação enviada ao Ministério Público Federal do DF.

Servidores do MMA e de órgãos ligados à pasta dizem que vivem um clima de “caça às bruxas”. Entre as perseguições está a proibição de funcionários do Ibama e do ICMBio atenderem diretamente a pedidos de informação. As demandas, agora, devem ser encaminhadas antes à área de comunicação do ministério. Além disso, ações administrativas consideradas como rotineiras até o ano passado ganharam status de documento sigiloso na gestão Salles.

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