Seminário faz balanço dos seis meses da tragédia de Mariana

Jornal GGN – No dia 5 deste mês, o rompimento da barragem da Mineradora Samarco, em Mariana (MG), completa seis meses. Um grupo de pesquisadores, profissionais de órgãos governamentais, militantes de movimentos sociais e representantes dos moradores das regiões afetadas vai se reunir em um seminário de dois dias para fazer um balanço dos impactos e ações de mitigação.

Eles vão discutir os efeitos do desastre, os riscos e as lições que podem ser tiradas da tragédia. Também vão debater novas dinâmicas de desenvolvimento econômico e social sustentável com projetos de mineração.

“Nosso objetivo é mostrar os avanços do conhecimento sobre o tema, disseminando os progressos obtidos. A ideia é que todo esse conhecimento possa se transformar em medidas concretas, remediando os efeitos do desastre e gerando políticas públicas”, explicou Léo Heller, coordenador do grupo de pesquisa de Direitos Humanos e Políticas Públicas em Saúde e Saneamento da Fiocruz Minas.

Da Agência Fiocruz de Notícias

Tragédia da mineração: evento realiza balanço após 6 meses

Por Keila Maia

No dia em que a tragédia ocorrida no município de Mariana, causada pelo rompimento da barragem da Mineradora Samarco, completa seis meses, pesquisadores, profissionais de órgãos governamentais (defesa civil, saúde e meio ambiente), movimentos sociais e representantes dos moradores das regiões afetadas se reúnem no seminário O Desastre da Samarco: balanço de seis meses de impactos e ações. O evento, que ocorre nos dias 5 e 6 de maio, será na cidade de Mariana, no Hotel Providência (Rua Dom Silvério, 233, Centro).

“Nosso objetivo é mostrar os avanços do conhecimento sobre o tema, disseminando os progressos obtidos. A ideia é que todo esse conhecimento possa se transformar em medidas concretas, remediando os efeitos do desastre e gerando políticas públicas”, destaca Léo Heller, coordenador do grupo de pesquisa de Direitos Humanos e Políticas Públicas em Saúde e Saneamento da Fiocruz Minas, responsável por conduzir as ações relacionadas à tragédia em toda a Fundação.

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Durantes dois dias de evento, os participantes vão se debruçar sobre os efeitos do desastre, que é considerado o maior já ocorrido no Brasil em termos de danos socioambientais. Temas como a compreensão dos riscos de desastres na mineração, o Marco de Sendai, bem como as lições que podem ser tiradas da tragédia estarão em debate. Os participantes também vão discutir novas dinâmicas de desenvolvimento econômico e social sustentável com projetos de mineração.

“Nas discussões que tivemos sobre o evento, foi defendido que deveríamos marcar e deixar claro que os impactos não terminaram no dia 5 de novembro de 2015 ou mesmo um ou dois meses depois. São impactos que não só continuam, mas vão se ampliar por anos, por décadas”, afirma o coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Ensp/Fiocruz), Carlos Machado, um dos organizadores do seminário. “Desastres como esse requerem encontros semestrais ou anuais para fazer um balanço e não permitir que caiam no esquecimento, pois é nisso que as empresas e aqueles que não têm compromisso com a defesa desses direitos apostam”, completa.  

O seminário O desastre da Samarco: balanço de seis meses de impactos e ações é promovido pela Fiocruz, em parceria com a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (UNISDR), a Rede de Pesquisadores em Redução do Risco de Desastres no Brasil (RP-RRD-BR), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udes). “Iniciamos desde o mês de fevereiro um trabalho coletivo, envolvendo não somente várias instituições, mas também diferentes perspectivas sobre esse desastre. O resultado, a meu ver excelente, é a combinação de reflexão sobre o desastre com balanço dos impactos e ações e, ao mesmo tempo, subsídio para as ações por parte do Estado e dos movimentos sociais”, explica Machado.

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Nos dois dias, o seminário acontece das 9h às 17h. Veja a programação completa no site da Fiocruz Minas

Ações da Fiocruz

Desde meados de novembro, após o rompimento da barragem em Mariana (5/11), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem articulado ações estratégicas com profissionais de outras instituições para discutir formas de atuação nas regiões afetadas pela tragédia. Além das pesquisas iniciais referentes à qualidade da água e ao impacto do desastre no meio ambiente, a Fiocruz também vem discutindo com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) o desenvolvimento de estudos para a avaliação dos impactos na saúde, provenientes do rompimento da barragem.

O Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR/Fiocruz Minas) também tem coordenado atividades e participado de discussões da força-tarefa do governo do Estado de Minas Gerais, instituída por meio do decreto 46.892/2015 pelo governador Fernando Pimentel. A iniciativa visa avaliar os efeitos e os desdobramentos do rompimento da barragem.

Ações integradas ao município de Mariana também estão ocorrendo desde o mês de dezembro, quando o CPqRR participou de reunião técnica, em que o secretário municipal de saúde, Juliano Duarte, transmitiu à equipe as principais necessidades da cidade. Já no início de janeiro, um segundo encontro entre técnicos das secretarias municipal e estadual de saúde e profissionais da Fiocruz foi efetuado com o intuito de realizar uma ação conjunta e coordenada.

A Fundação também participou dos debates com pesquisadores de diferentes áreas para a construção de projeto para o edital 04/2016 da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig), com o título Tecnologias para recuperação da Bacia do Rio Doce. O edital foi lançado no dia 7 de janeiro e destina cerca de 7 milhões a pesquisas que busquem soluções para os problemas que atingem as regiões afetadas.

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Já no mês de fevereiro, na semana em que a tragédia ocorrida em Mariana (MG) completou três meses, a Fiocruz e mais 20 instituições brasileiras assinaram um manifesto que alerta para a importância de acompanhar com cautela todo e qualquer projeto de reconstrução das localidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão. Os signatários do documento ressaltaram que o processo de construção da nova localidade deve considerar, no mínimo, a equivalência das condições de vida existentes anteriormente à tragédia; e que todas as decisões devem levar em consideração o desejo e a opinião da população afetada.

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2 comentários

  1. Ao final do mês, essa matéria
    Ao final do mês, essa matéria da BBC Braisl vai completar 6 meses. Segundo o entrevistado, ele acreditava que em 6 meses O rio doce voltaria a ter boa parte da atividade biológica anterior. A pergunta é: ele acertou ou errou na sua previsão ?

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151127_entrevista_coppe_jp

    Embora esteja considerado atualmente “morto”, o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), “vai ressuscitar” em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.
    A afirmação é de Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo e que afeta a costa do Espírito Santo.
    Embora especialistas tenham divulgado previsões de danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.
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    Para ele, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo “insignificante” para as empresas.
    Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida – até janeiro do próximo ano.
    Ao mesmo tempo, o especialista considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.
    Leia os principais trechos da entrevista:
    BBC Brasil – Nos últimos dias, especialistas, ativistas, moradores, pescadores e indígenas têm repetido que o rio Doce “está morto”. O senhor diz que ele “vai ressuscitar”. Como isto deve acontecer?
    Paulo Rosman – Eu vou repetir um chavão muito conhecido: o tempo é o senhor da razão. Há a visão quantitativa e fria do pesquisador, do cientista, e a visão emocional e por vezes desesperada do morador, do pescador e do índio. Os dois estão expressando as suas razões. Nenhum dos dois está certo ou errado.
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    Image copyrightReuters
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    Para especialista, chuvas ajudarão a dissipar lama do rio Doce
    No caso da ciência as coisas são mais factuais, quantitativas, mais numéricas. No caso do indígena, ele constata e sofre com a “morte” do rio. A diferença é que o rio está morto neste momento, é verdade, mas ressuscitará muito rapidamente, e eles vão poder comprovar isso.
    Há muitos exemplos de acidentes muito mais graves e mais sérios do que este da barragem de Mariana. Veja a erupção vulcânica do monte Santa Helena, nos Estados Unidos (em 1980). Foi tudo devastado e destruído, numa área imensamente maior. Você vai lá hoje e vê que os animais voltaram e a mata voltou.
    Para fazer a conta, você tem que pegar o peso da lama e dividir pela massa específica dessa lama. Se neste momento eu tenho 4 kg/m³ de água e for dividir pela massa da lama, dá mais ou menos 1,3 mm. Então isso significa que se esses sedimentos todos se depositassem no fundo do rio formariam um tapete de 1 mm de espessura, o que nem vai acontecer, porque a correnteza vai levar.
    As fortes chuvas entre novembro e abril “lavarão” o rio Doce, num processo natural.
    Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentológicos, na dinâmica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estuários, das zonas costeiras. Então essas coisas são relativamente rápidas, a natureza se adapta, se reconstrói, se modifica.
    BBC Brasil – Como o senhor avalia a mortandade e o retorno de peixes ao rio, posteriormente? E como responde a especialistas que avaliam que a recuperação da área e do rio pode levar mais de dez anos?
    Image copyrightCOPPE UFRJ
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    Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ
    Rosman – A onda de lama matou os peixes, mas o volume, pelo que eu vi publicado nos jornais, representa uma quantidade muito baixa. A não ser que tenha havido algum erro de cálculo, foi divulgado que morreram 8 mil kg de peixes no rio Doce. Veja, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: quando há uma baixa mortandade, estamos falando em 70 mil peixes, mas este número pode chegar a 200 mil, e depois sempre há o retorno. A gente sabe que não demora muito para que a Lagoa encha de peixe de novo.
    Quanto aos comentários de especialistas citados, eu diria apenas que eu espero que eles estejam enganados. Não vou entrar em discussão. Mas basta olhar coisas que já aconteceram. Por exemplo, a quantidade de sedimentos que desceu dentro do rio Itajaí-Açu (SC), no final de 2008, quando caíram inúmeras encostas no vale do Itajaí, na região de Itajaí e Blumenau. Houve um desmoronamento do cais do porto, um mega-assoreamento do canal do porto de Itajaí, sem contar diversas mortes na tragédia. Foi um evento natural, e em quantitativos ele é extremamente maior do que esse do rio Doce.
    E o porto de Itajaí está lá, o rio Itajaí-Açú está lá, Blumenau está lá. O rio voltou ao normal. Sinceramente eu acho que essas pessoas estão sendo movidas pelo impacto humano da tragédia, pela emoção. As mortes e os prejuízos são dores e perdas eternas. Mas temos que separar. Para voltar para o plano racional, só deixando o tempo passar.
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    BBC Brasil – É possível mensurar a quantidade de sedimentos que chegou ao mar do Espírito Santo e o impacto ambiental disso? Dias atrás cientistas cogitaram impactos catastróficos nos ecossistemas marinhos da região.
    Rosman – Sim. De acordo com os últimos números, a concentração a 10 km de distância da foz do rio Doce, onde a lama teve contato com o mar, está entre 50 e 20 mg/l de sedimentos em suspensão. Isto é muito insignificante para ser considerado um risco ambiental. É absolutamente desprezível.
    Para se ter uma ideia, a água transparente do mar, costeira, tem tipicamente 5 mg/l de sedimentos em suspensão. A água dentro de uma baía tem tipicamente entre 50 mg/l a 100 mg/l de sedimentos em suspensão. A água de um rio com cor barrenta tem em torno de 500 mg/l de sedimentos de suspensão, são todos dados naturais.
    Rios muito barrentos, como o Amazonas, têm entre 1.500 e 2.000 mg/l de sedimentos em suspensão na época de cheia.
    Então se a 10 km da foz do rio Doce você vai ter concentrações de no máximo 50 mg/l no mar, embora você veja a coloração diferente por mais algumas semanas, é óbvio que não estamos falando de danos ambientais. Diferentemente de um vazamento de petróleo, que você usa bactérias para decompor e limpar – e leva tempo e gera mortalidade de vida marinha muito maior -, no caso atual você não tem como “limpar” a lama no mar. Ela se dilui naturalmente, sozinha.
    Mesmo que você tenha um padrão de ventos que gere correntes fora do usual, a distância é tão grande e a diluição é de tal ordem que não causaria efeitos danosos em Abrolhos.
    BBC Brasil – E quanto à composição destes sedimentos que compõem a lama? É possível que seja descoberto que têm uma toxicidade muito maior do que se imagina e que possa causar danos futuros?
    Rosman – Risco sempre há, mas não tenho razões para acreditar nisso. Já ouvi pessoas que não são da área darem prognósticos devastadores quanto à toxicidade desse material. E já ouvi pessoas que são especializadas, da área de geologia, e que conhecem muito bem isso, dizerem o oposto, que se trata de um material de baixa toxicidade.
    Então não tem grandes impactos persistentes no longo prazo. As pessoas podem tirar da cabeça essa ideia de que se trata de algo radioativo, de um veneno ambiental que vai matar tudo e nunca vai sair do chão. Não é nada disso.
    Para você ter uma ideia, a doutora Marilene Ramos, que é a presidente do Ibama, tem doutorado em mecânicas do solo. Ela fala inclusive com um conhecimento específico de solo muito maior do que o meu. Ela me disse que esse material não é de alta toxicidade e que é basicamente areia fina, argila e óxido de ferro. Claro que tem traços de outras substâncias, mas em concentrações muito baixas, que não oferecem risco.
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    Image copyrightAFP
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    Tsunami marrom devastou distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana (MG)
    BBC Brasil – Na sua opinião o que deveria ser feito no distrito de Bento Rodrigues (MG), o vilarejo mais devastado pela avalanche de lama? Como limpar ou recuperar o local? E quanto isto pode custar?
    Rosman – Primeiramente o governo de Minas Gerais precisará avaliar o que retirar de escombros, de estruturas danificadas, e ver se deixa algo como marco simbólico da tragédia. É um absurdo permitir o retorno das pessoas para aquele local.
    Se eu fosse o governo de Minas Gerais obrigaria a Samarco a fazer um parque memorial ali. Fazer um projeto bonito, fazer um paisagismo, uma correção de solo, um jardim, e ficaria como memória, com homenagem às pessoas que sofreram essa desgraça toda. Ninguém vai poder voltar a morar ali.
    BBC Brasil – O senhor orientaria o governo mineiro a retirar os outros povoados que estão na linha de avalanche de outras barragens de rejeito de mineração?
    Rosman – Com certeza. Muitas vezes os povoados se formam próximo às barragens porque atraem empregos e comércio. Mas o poder público não poderia permitir a instalação de povoados em áreas de passagem de eventos como esse que ocorreu. Hoje não faltam ferramentas computacionais que nos permitem simular um rompimento de uma barragem e mostrar qual é a trilha de percurso da avalanche. Atualmente é inaceitável e injustificável ter povoados em rotas de avalanche de barragens, ninguém poderia morar nestes locais.
    BBC Brasil – O senhor considera que isto foi uma irresponsabilidade dos atores envolvidos?
    Rosman – Olha, irresponsabilidade é quando você tem consciência do fato e não faz nada. Tudo é óbvio depois que você já sabe o que aconteceu. Ou seja, a partir de agora, deste exemplo dramático e catastrófico, se o governo não tomar medidas para realocar pessoas em áreas de alto risco, em outros locais onde se sabe que poderia ocorrer algo semelhante a Mariana ou até pior, eu diria que estaríamos falando de uma atitude mais do que irresponsável, mas sim criminosa.
    Há duas opções. Você pode remover o povoado para outro local, ou se o povoado for grande demais, você embarga o negócio lá em cima. Para de usar a barragem, estabiliza, deixa secar, e pronto. Transfere a atividade para outro lugar. Tem que ver o que é mais viável.

  2. indagações

    Nassif,

    E a Samarco, está cumprindo, ou na direção de cumprir aquilo que foi combinado com os governos estadual e federal?

    No caso, me patece que a efetividade das medidas técnicas para a recuperação dos diversos desastres provocados pelo rompimento das barragens.

    E aquela descarga de resíduos tóxicos no mar, já foi dissipada ?

    E a reconstrução das casas do lugarejo mais afetado, que ficou inteiramente arrasado, está ou não está ocorrendo?

    E os responsáveis pela liberação das licenças de prospecção às mineradoras, o que aconteceu com eles ?  É bom lembrar que tudo aconteceu porque a Samarco tinha em mãos uma licença das arábias, concedida por alguém e atestada por um outro alguém.

    E as atividades de mineração da Samarco na região de Mariana, continuam ocorrendo ? Afinal, o prefeito daquela cidade demonstrou enorme preocupação com o fato, pois a empresa é responsável por mais de 80 % da arrecadação de impostos municipais, nada mais justo, uma vez que todos os deputados da Comissão que “vigia” o setor recebiam /recebem $$$ a título de contribuição para  suas campanhas políticas. Eu ainda não ouvi nada que possa responder às minhas indagações acima.

    Pelo visto, permanece o tristee perverso hábito tupiniquim, quando o assunto está diretamente ligado a uma empresa de  grande porte, o noticiário é todo picotado e só fica à vista de todos, isto é,  no JN ( o informativo que nos diz como devemos pensar) durante o mínimo de tempo possível.

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