90 anos de Octavio Ianni, por Rafael Balseiro Zin

 

Octavio Ianni, 90 anos

por Rafael Balseiro Zin

Há exatos noventa anos, em 13 de outubro de 1926, nascia, em Itu, no interior de São Paulo, Octavio Ianni, um dos mais importantes sociólogos brasileiros de todos os tempos e que se voltou à compreensão das diferenças sociais, das injustiças a elas associadas e dos meios de superá-las. Graduado em ciências sociais pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), em 1954, logo após sua formatura, Ianni foi convidado a integrar o corpo de assistentes da instituição, na cadeira de Sociologia I, da qual Florestan Fernandes era o titular.

Aposentado pelo AI-5 e proibido de lecionar na USP, acabou migrando para a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e passou a integrar a equipe de pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), além de ter sido professor-visitante e conferencista em universidades norte-americanas, latino-americanas e europeias. Em 1997, com o fim dos anos de chumbo, Ianni retorna à USP como professor emérito, indicado pelo então Decano da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, seu amigo e discípulo, o professor Dr. Sedi Hirano. Devido à indisposição de alguns colegas, no entanto, ele preferiu não retornar às salas de aula naquela instituição, a exemplo da decisão de Florestan Fernandes anos antes, após ter sofrido hostilidades no “prédio do meio”. Voltou às salas de aula como professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também recebeu o título de professor emérito.

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Ianni participou da chamada Escola Paulista de Sociologia, traçando um novo panorama sobre os estudos raciais no Brasil, além de ter formulado uma agenda específica de pesquisas acerca do desenvolvimento e do subdesenvolvimento econômico nacional. Ao lado de Florestan Fernandes e do ex-sociólogo, digo, presidente Fernando Henrique Cardoso, é considerado um dos expoentes das ciências sociais no país.

Dentre seus principais trabalhos, destacam-se: “Cor e Mobilidade Social em Florianópolis” (1960, em colaboração com Fernando Henrique Cardoso); “Homem e Sociedade” (1961, em colaboração com Fernando Henrique Cardoso); “Metamorfoses do Escravo” (1962); “Industrialização e Desenvolvimento Social no Brasil” (1963); “Política e Revolução Social no Brasil” (1965); “Estado e Capitalismo no Brasil” (1965); e “O Colapso do Populismo no Brasil” (1968). Também devem ser lembrados “A Formação do Estado Populista na América Latina” (1975); “Imperialismo e Cultura” (1976); “Escravidão e Racismo” (1978); “A Ditadura do Grande Capital” (1981); “Classe e Nação” (1986); “Dialética e Capitalismo” (1987); “Ensaios de Sociologia da Cultura” (1991); e “A Sociedade Global” (1992).

Embora tenha sido acometido por um câncer, Ianni trabalhou até seus últimos dias. Em 3 de março de 2004, inclusive, realizou a aula inaugural do semestre na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, para uma plateia de aproximadamente duas mil pessoas, entre alunos e professores, vindo a falecer cerca de um mês depois, após internação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em 4 de abril daquele ano.

O pensamento de Octavio Innni continua vivo e influenciando as novas gerações de estudiosos sociais, bem como suas pesquisas. É por essas e outras, consequentemente, que deixo registrada, aqui, a minha singela homenagem a esse gigante da sociologia brasileira.

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Rafael Balseiro Zin é pesquisador, membro do Núcleo de Direitos Humanos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP.

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3 comentários

  1. Nos anos 70, fui

    Nos anos 70, fui contemporânea de sua filha Áurea, na FFLCH, fazíamos parte do grupo de teatro e foi por ela que o conheci. Sempre que montávamos esquetes, recorríamos a ele para aulas “particulares” sobre história, entre outros temas de cunha social.

    Um grande mestre! 

     

     

     

     

     

     

  2. Nos anos 70, fui

    Nos anos 70, fui contemporânea de sua filha Áurea, na FFLCH, fazíamos parte do grupo de teatro e foi por ela que o conheci. Sempre que montávamos esquetes, recorríamos a ele para aulas “particulares” sobre história, entre outros temas de cunha social.

    Um grande mestre! 

     

     

     

     

     

     

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