É preciso fazer justiça a um jornalista que conseguiu desmontar fraude da ditadura, por Mário Augusto Jakobskind

Foto Arquivo JB

É  preciso fazer justiça a um jornalista que conseguiu desmontar fraude da ditadura   

por Mário Augusto Jakobskind

Muitas vezes ao longo do tempo, fatos históricos seguem adiante de forma incorreta. Mas os que presenciaram o acontecimento fazem questão em insistir na necessidade de restabelecer a verdade. É o caso do esquema da Proconsult, quando na eleição para o governo do Estado do Rio os apoiadores da ditadura empresarial militar que estava em seus estertores ainda tentava que o candidato Moreira Franco, então no partido apoiador do regime, o PDS, fosse eleito.

Pois bem, graças ao jornalista Procópio Mineiro, então responsável pela cobertura da Rádio Jornal do Brasil (JB), se conseguiu desbaratar a trapaça do regime ditatorial, mas quem hoje é mencionado como o responsável por desbaratar a trama é o atual vereador Cesar Maia. Procópio Mineiro, que já não está entre nós, foi esquecido. Graças a ele e sua equipe de jovens repórteres, a verdade foi restabelecida e Leonel Brizola eleito na primeira eleição direta para o Governo do Estado realizada depois de 1965 quando o escolhido no ainda Estado da Guanabara tinha sido Negrão de Lima.

Toda vez que o fato é mencionado, e lá se vão quase 36 anos, aparece a figura de Cesar Maia, mas o nome de Procópio Mineiro é ignorado. Nesse sentido é preciso se fazer justiça e lembrá-lo como o verdadeiro responsável por desbaratar a trama perversa montada pelos apoiadores da ditadura com o apoio ostensivo da TV Globo.

Para os que acompanharam de perto o que aconteceu no Estado do Rio de Janeiro, não se pode aceitar calado essa injustiça que representa o esquecimento de Procópio Mineiro.  Recentemente em um debate no Fórum Social Mundial realizado em Salvador, mais uma vez ocorreu tal omissão. No caso, nada intencional, mas apenas produto de uma informação incorreta que se propaga sempre, provocando, portanto, uma injustiça histórica.

É importante também lembrar que o atual Ministro, Moreira Franco, de um governo surgido por meio de um golpe parlamentar, midiático e judicial, como o do presidente Michel Temer, foi o mesmo candidato apoiado por um governo também proveniente de um esquema golpista como o de abril de 1964.  Ainda por cima que se não fosse a mobilização jornalística de Procópio Mineiro, Moreira Franco seria eleito de forma fraudulenta e seguiria a orientação do último general de plantão de nome João Batista Figueiredo, o então ocupante do Palácio do Planalto que ainda tentava prolongar a longa noite escura que se abateu sobre o Brasil depois da derrubada do  Presidente João Goulart em abril de 1964.

Relembrar esse fato histórico de forma correta é importante, sobretudo para que as novas gerações conheçam, sem deturpações, o significado da eleição de Leonel Brizola e o risco que se correu, em outubro  de 1982, se não fosse a verdade ter sido estabelecida graças a Procópio Mineiro que dirigia a equipe de repórteres da rádio jB, onde se encontrava, como estagiário o atual diretor da Rede Globo, Ali Kamel, que em momento algum procurou restabelecer a verdade do acontecimento.

 

2 comentários

  1. A César o que é de César

    Por mais que se tenha asco daquilo no qual se transformou, ele e sua descendência, é necessário fazer justiça a César Maia. Foi ele que se deu conta do complô Proconsult/Globo e principlamente, foi ele que, a tempo, entendeu como funcionava o mecanismo do desvio de votos provocando pequenas variações estatísticas, de difícil percepção.

    Todo o staff do Brizola teve mérito, a começar pelo próprio por sua disposição, em plena ditadura, em comprar a briga. Mas o “general vitorioso” foi o César Maia.

    Uns poucos anos depois, eu estava na equipe da campanha vitoriosa da Erundina. Nessa vitória foi essencial o apoio do mesmo César Maia para evitar uma nova Proconsult, dessa vez usando os votos de quase uma dezena de candidatos nanicos.

    Infelizmente as pessoas mudam, raramente para melhor. Mas o que fizeram está feito e ninguém tira.

    Abraços.

     

  2. Correto. E ainda tem gente

    Correto. E ainda tem gente que não entende a utilidade da exigência da impressão dos votos…

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