João Cândido, o Almirante Negro da Revolta da Chibata

Em 1970, Aldir Blanc e João Bosco compõe a música “Mestre sala dos Mares”, em sua homenagem, gravada por Elis Regina.

do Todos pela Constituição

João Cândido, o Almirante Negro da Revolta da Chibata

João Cândido Felisberto, conhecido como o Almirante Negro, foi o líder do movimento conhecido como Revolta da Chibata, em que marinheiros se amotinaram pelo fim dos castigos físicos e por melhores condições de trabalho.

Gaúcho de Rio Pardo, João Cândido ingressou na marinha aos quatorze anos. Participou de diversas missões até ser enviado à Inglaterra para treinamento em um novo navio. Ao entrar em contato com marinheiros ingleses, mais organizados politicamente que os brasileiros, João Cândido e outros marinheiros passaram a demonstrar insatisfação em relação a situação da marinha no Brasil. Com tensão crescente, no fim de 1910, após severa punição impingida a um dos marinheires, explode a Revolta da Chibata.

Os revoltosos tomaram então dois encouraçados e apontaram-nos para a baia de Guanabara, pedindo pelo fim das chibatadas. João Cândido liderou o couraçado Minas Geraes, maior navio de guerra brasileiro, recém-adquirido. Com o Minas Geraes, aliaram-se os encouraçados São Paulo e Bahia. Durante dias, a capital brasileira esteve sob o comando do Almirante Negro.

Após quatro dias de enorme tensão na Capital Federal, a Revolta chegou ao fim quando o governo concedeu anistia aos revoltosos. No entanto, ao final de dois dias deu-se início a um cruel processo de perseguição aos marinheiros.

Após uma série de reviravoltas, Cândido é preso, mas absolvido posteriormente. Ao longo de sua vida, Cândido foi perseguido diversas vezes e passou por privações.

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Em 1969, aos 89 anos, João Cândido morre em decorrência de de um câncer no intestino.

Em 1970, Aldir Blanc e João Bosco compõe a música “Mestre sala dos Mares”, em sua homenagem, gravada por Elis Regina. Censurada, a letra original exaltava a raça negra e chamava Cândido de “Almirante Negro”.

Em 2008, a lei nº  11.759, de 23 de julho de 2008, concede anistia post mortem a João Cândido Felisberto, líder da chamada Revolta da Chibata, e aos demais participantes do movimento, com o objetivo de restaurar o que lhes foi assegurado pelo acordo com o governo em 1910.

Fonte: Museu Afrobrasil – https://bit.ly/2NUma6V

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