Morre o cantor e compositor Casquinha da Portela

Jornal GGN – Autor de clássicos do samba como ‘Recado’ e ‘A Chuva Cai’, Casquinha morreu na noite de terça-feira, dia 2, aos 95 anos. Otto Enrique Trepte, conhecido como Casquinha da Portela, estava internado desde o último dia 22 no CTI do Hospital São Matheus, em Bangu, no Rio de Janeiro, com insuficiência renal. A causa da morte foi infecção generalizada.

A Portela divulgou nota de pesar, onde o presidente Luis Carlos Magalhães e a diretoria da escola lamentam a morte do compositor. “Casquinha viveu a vida que quis viver, sempre cercado de sambistas formidáveis e se fazendo parceiro de mitos como Paulinho da Viola, Candeia, Monarco e outros mais. Vida longa, bonita e intensa! Compôs “Brasil, Pantheon de Glórias”, para o nosso desfile de 1959, e se tornou personagem importante na Portela. Por isso, terá sempre um lugar especial nesse pantheon que ele próprio ajudou a construir”, disse o presidente.

Nascido na Zona Norte do Rio de Janeiro, Casquinha compôs clássicos como ‘Recado’, com Paulinho da Viola, e ‘A Chuva Cai’, com Argemiro Patrocínio. Ele já foi gravado por Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Nara Leão, Jair Rodrigues e outros grandes da música. Candeia foi um de seus parceiros principais.

O apelido de Casquinha veio na própria Portela, depois que comeu um pedaço de carne que caiu do prato de um colega. A história foi contada por João Baptista Vargens, seu biógrafo, no livro ‘Casquinha da Portela – Andanças e Festanças’, lançado em 2016.

Foi à convite de Candeia que passou a frequentar os ensaios da Portela, onde se tornou reconhecido como compositor. Foi, durante anos, presidente da ala de compositores da escola. Em 1959, em parceria com Candeia, Waldir 59, Altair Prego e Bubu, escreveu o samba-enredo “Brasil, Pantheon de Glórias”, com o qual a Portela foi campeã.

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Na década de 1960, fez parte do grupo Mensageiros do Samba, com Bubu, Arlindão, Jorge do Violão, Candeia, David do Pandeiro e Picolino. Em 1964, Casquinha tornou-se o primeiro parceiro de Paulinho da Viola na Portela, no samba “Recado”, que virou um clássico da MPB, tendo sido gravado por Elza Soares, Nara Leão, MPB-4, Jair Rodrigues e outras estrelas.

Por anos e anos, Casquinha brilhou na tradicional comissão de frente da Portela. E tinha cadeira cativa no carro que trazia a Velha Guarda e outros portelenses notáveis. Desfilou na escola, pela última vez, em 2017. E foi campeão.

Esteve pela última vez na quadra da azul e branco de Madureira em julho de 2017, quando recebeu uma homenagem do Departamento Cultural, na roda de samba Portela de Asas Abertas.

A seguir, uma seleção de músicas de Casquinha, separadas por Luciano Hortencio.

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