O último acorde do menestrel Waltel Branco, por João Alcara

O último acorde do menestrel Waltel Branco

por João Alcara

Foi anunciado ontem no Rio de Janeiro o falecimento do músico e maestro Waltel Branco ocorrido no dia 28/11 por causa de diabete. O músico estava com 89 anos e morava com sua filha Jael Saint- Clair.

Waltel foi um dos maiores mestres da música desse país e participou de vários momentos importantes da história da música daqui e do exterior. Depois que saiu de Curitiba foi morar em Cuba e participou da definição da nova salsa adicionando o tempero brasileiro. Em Cuba conheceu Fidel Castro, que segundo Waltel, gostava muito de música, sabia tocar instrumento e era “pai de santo”. Mesmo assim fugiu para os Estados Unidos, junto com outros músicos cubanos, depois que Fidel virou primeiro ministro.

Depois de sair de Cuba Waltel foi morar nos Estados Unidos e trabalhando no estúdio de Henry Mancini participou da criação da trilha do filme A Pantera Cor de Rosa. Também tocou com Gizzy Gillespie, Nat King Cole, Max Bennett, Chick Corea

Na volta ao Brasil conheceu João Gilberto, dividiu o mesmo quarto de uma pensão e fez os arranjos do disco “Chega de Saudade”

.

Mais tarde foi convidado por Roberto Marinho para fazer parte do grupo de compositores de trilha sonora de novelas da Rede Globo.

Estima-se que Waltel tenho participado de criação de mais de 5 mil músicas, algumas delas inclusive com pseudônimos o que dificultou o recebimento de direitos autorais.

Além disso teve participação na definição do jazz fusion e do sambalanço, conforme informa Tárik de Souza em seu livro Sambalanço, a bossa que dança em um capítulo sobre ele.

Convivi com Waltel nos últimos tempos que ele morou em um Hotel em Curitiba e  já estava bastante debilitado e precisando de cuidados. Por isso foi enviado pelo Ministério Público do Paraná para viver com sua filha no Rio.

Além do talento e simplicidade Waltel tinha um grande coração e presenteou Djavan com um violão de boa qualidade que ele gravou todos os seus discos.

Sua morte causou comoção nas redes sociais principalmente em Curitiba, onde ele tinha muitos amigos, parceiros de música e admiradores. O músico João Gilberto Tatára em sua homenagem escreveu que “embora pouco conhecido do grande público, passou a vida distribuindo música de altíssimo nível e generosidade por onde esteve”. 
“Por décadas, compôs, produziu e tocou com outros gigantes da música mundial”. Abonic Smith acredita que Waltel deve ser reverenciado e descoberto pelas novas gerações “ele sempre soube dar valor à diversidade, juntando ritmos e gêneros e sempre esteve aberto a essas reuniões e essas fusões”.

O documentário “Waltel para não passar em Branco”, com depoimentos de amigos, parceiros e jornalistas, será lançado em breve como uma grande homenagem ao músico.

A última grande homenagem a Waltel foi feita com o título de  doutor honoris causa pela Universidade Federal do Paraná.

 

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2 comentários

  1. uau

    nossa fiquei impressionado, conhecia de nome mas não sabia q tinha tido uma vida tão rica.. outro q definitivamente não teve ou terá o devido reconhecimento

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