Os 90 anos de Tom Jobim, o maestro soberano, por Mara L. Baraúna

 

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 – Nova Yorque, 8 de dezembro de 1994)

por Mara L. Baraúna

Tom nasceu na Rua Conde de Bonfim, 634, Tijuca, Rio de Janeiro, casa em que a família morava com os avós maternos Azor Brasileiro de Almeida e Emília Aurora Brasileiro de Almeida, a Mimi, e dois tios. Lá foi feito o parto pelo Dr. José Rodrigues da Graça Mello, o mesmo que trabalhara como assistente no nascimento de Noel Rosa, em 11 de dezembro de 1910. Por coincidência, Antonio Carlos nasce com um afundamento no maxilar (além de uma parte mais alta no crânio), o que deixa a mãe em prantos, mas o médico tranquiliza: Ele deve ter ficado com o maxilar esquerdo apoiado no osso da bacia da mãe. Mas isso conserta com o tempo. Dito e feito: em dois meses, tudo no lugar. 

 

Casa na rua Conde de Bonfim, 634, na Tijuca

Tom tinha apenas um ano quando seus pais Jorge de Oliveira Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida separaram-se pela primeira vez. Após uma curta reaproximação Tom ganhou uma irmã, Helena Isaura, nascida em 1931. Em 1934, quando Tom tinha sete anos de idade, seu pai abandonou o lar pela segunda vez. O pai de Tom, poeta, escritor, crítico e jornalista, de grande cultura e talento, elegantíssimo, vaidoso, possessivo, angustiado e ciumentíssimo, morreu, aos 47 anos, em 19 de julho de 1935, de súbita e fulminante parada cardíaca. Como escritor, publicou três coletâneas em parceira com Alberto de Oliveira e, sozinho, fez os livros Poesias, Colmeia Cristã e a coletânea de contos Ó Minha Infância (1927), esta última dedicada ao filho recém-nascido: Para o meu Antonio Carlos ler quando tiver oito anos. Seu avô Azor preencheu o vácuo deixado pela ausência paterna.

Sua irmã Helena o chamava de Tom Tom, desde pequena, por causa de uma canção francesa que sua mãe cantarolava pra ninar os filhos, que dizia: ma vie s’ en va ton guerre, ton, ton, ton…

Mudou-se ainda pequeno para Ipanema, um areal pouco habitado na Zona Sul da cidade. Passou lá os primeiros anos da infância e transferiu-se em seguida para Copacabana. Do avô Azor veio o apreço pela literatura. Dono uma vasta biblioteca na casa onde morava, o avô lia Monteiro Lobato para os netos. Quanto às influências musicais, teve na família seu tio João Lyra Madeira, casado com Yolanda, irmã de sua mãe, e o tio Marcello, também irmão de sua mãe. 

Dois anos após a morte de Jorge, Nilza casou-se com Celso Frota Pessoa, que acabaria transformando-se no verdadeiro pai de Tom e Helena. A família era grande e moravam num casarão de dois andares. No andar de cima, a tia Yolanda com o marido João e os primos. No andar de baixo, Nilza, Celso, Tom, Helena e o avô Azor. Mimi havia falecido em 1931.

Foi com o avô que Tom fez as primeiras incursões na mata da cidade subindo o Moro do Cantagalo. Aprendeu com ele sobre o vento, sobre a água, sobre os bichos, o nome dos pássaros, o canto de cada um. Aprendeu também sobre muitas plantas, árvores, pau-de-abraço que havia ainda por perto. Começava aí sua identidade com a natureza, seus grandes passeios solitários pelas montanhas que circundam o Rio de Janeiro.

Em 1940, Nilza fundou em Ipanema a Escola Brasileira. Inicialmente, limitou-se ao atendimento dos filhos das famílias amigas e de cujas mães trabalhavam fora de casa. Mais tarde, a Escola Brasileira também passou a oferecer o curso ginasial e adotou o nome de Colégio Brasileiro de Almeida. Construiu um segundo andar em cima da garagem. Alugou um piano destinado ao ensino de música e para acompanhar as aulas de ginástica. Nilza esperava que o instrumento inspirasse Helena a se tornar pianista, já que Tom preferia o futebol e o vôlei na praia – e, além do mais, “tocar piano não era coisa de homem”, como diria ele, cheio de ironia. Mesmo assim, adorava os sábados com sarau, quando a família se juntava para cantar Pixinguinha, Bororó, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Ataulfo Alves. Tom acabou seduzido e não se separava mais do piano. Teve aulas com Hans Joachim Koellreytter, um alemão de 24 anos que fugira do nazismo e, em seguida, a professora Lúcia Branco introduziu-o nos clássicos de Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy e Villa-Lobos. Foi Lúcia Branco quem incentivou Tom a aprofundar-se na composição, após ouvir a Valsa Sentimental, para piano, que Tom considerava sua primeira obra. Composta quando Tom tinha 18 anos, esta valsa ganharia mais tarde letra de Chico Buarque e o título de Imagina. 

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Nessa época, aprendeu a tocar também violão, flauta e harmônica de boca. Formou um conjunto de gaitistas com aquele que seria seu primeiro e fundamental parceiro e grande companheiro da Bossa Nova, Newton Mendonça. Uma orquestra de gaitas foi formada e se apresentava na Praça General Osório. Tom e Newton compuseram juntos 17 músicas. Ambos se conheciam desde garotos, entrosaram-se na praia, entre pescarias, jacarés nas ondas e partidas de futebol, vôlei e peteca. Moravam muito próximos e tocavam piano. 

Aos 16 anos já namorava Thereza, de 12, paulista, de pai alemão e mãe espanhola. Foi aprovado no vestibular para arquitetura, mas não completou o primeiro ano de faculdade. Seu Arthur, pai de Thereza, mudou-se com a família para Petrópolis, preocupado com o namoro da filha com aquele rapaz belo e estranho, que passava horas a fio ao piano, em vez de fazer qualquer coisa mais “útil” para ganhar a vida. Todo fim de semana Tom subia a serra para ver a namorada, que muitas vezes terminava o namoro pressionada pelo pai. Desesperado, só o piano ajuda a afastar o sofrimento. Procura o padastro para conversar sobre emprego, queria ganhar dinheiro. Celso entendeu que o rapaz pretendia casar e ofereceu um quarto na casa da Rua Redentor para o jovem casal para que ele pudesse continuar com o estudo de música e arquitetura. Em 1949, aos 22 anos, casou-se com Thereza Otero Hermanny, de 19, numa cerimônia simples.

Em 4 de agosto de 1950, nasceu Paulo, apesar da exigência feita para que ficassem 5 anos sem engravidar! Elizabeth veio em 26 de agosto de 1957. Com o peso da responsabilidade, consegue o primeiro emprego como pianista da Rádio Clube, com o auxílio do tio Marcello de Almeida e por intermédio do diretor da emissora, Alceo Bocchino, e tocava à noite no Bar Michel. Era o início da fase em que passaria pelas principais casas noturnas do Rio de Janeiro, como Drink, Bambu Bar, Arpège, Sacha’s, Monte Carlo, Night and Day, Casablanca, Tasca e Alcazar. Muitas vezes revezava com Newton Mendonça.

1952 apresentação de Tom ao piano, acompanhado pelos músicos Alberto e Raphael do Nascimento, na boate Tasca, em Copacabana

Em 1952 foi contratado pela Continental Discos, para fazer transcrições de músicas para registro. Alguém cantava uma música, batendo na caixa de fósforo, e ele punha a melodia no papel.  A atividade na gravadora que mais agradava era dar assistência ao maestro Gnattali, autor de grande parte dos arranjos das músicas gravadas na Continental e para os programas musicais da Rádio Nacional, e que se tornaria um ídolo e mestre. 

Seu primeiro registro fonográfico foi a canção Incerteza, parceria com Newton Mendonça, gravada por Maurici Moura e lançada pela gravadora Sinter, em 1953. Ernani Filho seria o segundo a gravar Tom Jobim num disco de 78 rotações, com as músicas Pensando em Você e Faz uma Semana, parceria com Juca Stockler.

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Como arranjador, seu primeiro trabalho foi para Outra vez, de sua autoria, gravada por Dick Farney, em 1954. Fez arranjos para músicas gravadas por, entre outros, Dóris Monteiro, Nora Ney, Orlando Silva e Dalva de Oliveira. Tereza da praia, parceria com Billy Blanco, gravada em 1954 por Dick Farney e Lúcio Alves, foi seu primeiro grande sucesso. Também nesse ano, lançou, com Billy Blanco, o LP Sinfonia do Rio de Janeiro, com arranjos de Radamés Gnattali. A  capa do disco estampava o nome artístico Tom Jobim, mas nesse início de carreira ele queria ser conhecido como Antonio Carlos Jobim, até que Ary Barroso argumentou: Ninguém vai dizer Antonio Carlos podendo dizer Tom. Apesar da beleza e qualidade do trabalho, a Sinfonia foi um grande fracasso comercial. Essa obra foi incluída, mais tarde, na trilha do filme Esse Rio que eu amo, de Carlos Hugo Christensen. 

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Com o salário da Continental, Tom sentiu-se à vontade para dispensar a ajuda de Celso e mudou-se com a família para um apartamento de dois quartos no Edifício Einstein, na Rua Francisco Otaviano, no Posto Seis. No dia 29 de agosto de 1955 foi contratado pela Odeon como arranjador e diretor de orquestra, à época a maior gravadora do Brasil. Em vez de salário, a remuneração de Tom foi estabelecida na base da venda dos discos em que atuasse como arranjador e/ou regente, proposta tentadora de participação nas vendas. Tom aceitou, a contragosto, pois preferia concentrar seu trabalho no de arranjador e orquestrador ao de um executivo de uma grande gravadora.

Quando fez 28 anos, Tom é convidado por Radamés Gnattali a participar do programa Quando os Maestros se Encontram, da Rádio Nacional. Na apresentação da peça sinfônica Lenda, composta por Tom em homenagem ao pai Jorge Jobim, a orquestra da emissora é regida por Tom, que, com auxílio de Radamés supera o nervosismo e o suadouro, e a apresentação é um sucesso.

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Em maio de 1956, foi apresentado pelo historiador Lúcio Rangel a Vinicius de Moraes. O encontro se deu no Bar Villarino, no Rio de Janeiro. Vinicius fez a Tom o convite para musicar a peça Orfeu da Conceição, uma ambientação do mito de Orfeu aos morros cariocas. Tom, no início da carreira, teria perguntado a Vinicius, Mas tem um dinheirinho aí?, para constrangimento de Lúcio. O espetáculo estreou no dia 25 de setembro de 1956, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenário de Oscar Niemeyer, violão de Luiz Bonfá e regência que deveria ser de Tom, mas, com medo de enfrentar o público, ele solicitou que Léo Peracchi regesse. O elenco era formado por negros, contando com Haroldo Costa como Orfeu, Léa Garcia como Mira, Dirce Paiva como Eurídice e Cyro Monteiro como Apolo, pai de Orfeu. No mesmo ano foi lançado o LP com o título da peça e uma série de canções importantes. 

A peça foi transformada em filme, Orfeu do Carnaval, por Marcel Camus, um francês apaixonado pelo Brasil. O filme foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes, 1959, e do Oscar de melhor filme estrangeiro, 1960. Apesar da coprodução França-Itália-Brasil, atores brasileiros e a própria história ter sido baseada em uma peça de Vinicius de Moraes, a vitória não é considerada brasileira pela Academia. Para eles, o filme é francês.

Em 1957, Silvinha Telles gravou Foi a noite, música de grande sucesso, ano em que recebeu da prefeitura do Distrito Federal, o prêmio de Melhor Compositor. Lançada em 1957, a canção Por causa de você tem uma história: quando Tom Jobim ainda não era muito famoso, mostrou a Dolores Duran uma melodia que havia feito com Vinícius de Moraes. Dolores escutou a belíssima melodia, encantou-se e fez, de pronto, o poema. O instrumento que tinha nas mãos para escrever e não perder o momento de inspiração era um lápis de sobrancelha. Ao final deste encontro casual entre ela e Tom, Dolores escreve a Vinícius: Esta é a letra que fiz para esta música, se não concordar, é covardia. O poeta, então, admitiu que a letra de Dolores era melhor e aceitou-a. Dolores e Tom criaram mais duas canções juntos: Se é por falta de adeus, de 1955, e Estrada do sol, de 1958. Entre as três, a preferida de Tom era Por causa de você.

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Em 1958, depois de ter ocupado o cargo de diretor artístico da  gravadora Odeon, Tom teve uma de suas mais famosas  composições, também com Vinicius de Moraes, gravada por Elizeth Cardoso, acompanhada pelo violão de João Gilberto. Trata-se da canção Chega de Saudade, do LP Canção do Amor Demais, com arranjos que ganharam instrumentos pouco usuais na música brasileira, como fagote, oboé e harpa. O disco é considerado o marco inicial da bossa nova, mas há quem discorde e o considere disco de transição: os arranjos orquestrais e o vozeirão da cantora destoavam dos atalhos minimalistas que vinham sendo praticados por Tom, João e outros artistas. Pouco tempo  depois, o próprio João Gilberto gravou a mesma música e foi, a partir daí, que a bossa nova tornou-se êxito nacional. 

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Em Carta ao Tom 74, música composta com Toquinho, Vinicius se expressa com uma certa melancolia ao relembrar dos momentos marcantes dos ensaios para a gravação do LP. : Rua Nascimento Silva 107, você ensinando pra Elizeth as canções de Canção do Amor Demais/Lembra que tempo feliz ai, que saudade/Ipanema era só felicidade/era como se o amor morresse em paz

Por sugestão do próprio Tom, uma regravação integral desse disco, com a mesma sequência das músicas, foi lançado em 2003, o CD Olivia Byington Canta Tom & Vinicius.

A mesma sequência das músicas foi regravada pelo Zimbo Trio, em 2009, num DVD em comemoração aos seus 45 anos de existência, numa também homenagem ao histórico disco, criando um medley em versão instrumental, a suite Canção do amor demais. 

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Ainda em 1958, João Gilberto gravou uma das músicas mais importantes da dupla, Desafinado, um samba-galhofa baseado nos cantores sofríveis que abundavam na noite carioca, terreno bastante conhecido por Tom e Newton. Desafinado foi a primeira composição a ganhar as paradas de sucesso americanas, tanto que quando Tom fez sua estreia em disco nos EUA, o título do álbum, de 1963, foi The Composer of Desafinado Plays.

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A dupla Vinicius e Tom recebeu um convite do então presidente Juscelino Kubitschek para compor a Sinfonia da Alvorada, mais conhecida como Sinfonia de Brasília. Para que a Sinfonia tomasse forma, um piano teve de ser levado para o “Catetinho”. Tom e Vinícius permaneceram 10 dias em Brasília, período em que, vez ou outra, reservavam um tempo para os passeios na cidade, onde se encontravam com os amigos pioneiros de Brasília: Oscar Niemeyer, José (Juca) Ferreira de Castro Chaves, João Milton Prates e João Milton Prates. Gravada em novembro de 1960, no estúdio da Colúmbia, no Rio de Janeiro, a Sinfonia da Alvorada, só foi conhecida pelo grande público em 1966, durante uma primeira audição na TV Excelsior de São Paulo. A Sinfonia é constituída por cinco partes: I O Planalto Deserto; II O Homem; III A Chegada dos Candangos; IV O Trabalho e a Construção; V Coral. A capa do LP foi desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

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Com o prestígio cada vez maior, foi chamado para comandar, na TV Paulista, de abril a novembro de 1960, o programa Bom Tom, no qual recebia convidados.

É por esta época que Celso e Nilza se mudam para o sítio Poço Fundo, em São José do Vale do Rio Preto, entre Petrópolis e Teresópolis, numa casa sem eletricidade e cercada de natureza por todos os lados. Tom se sente em casa e nunca mais deixará de frequentar o sítio. 

Nos anos 60, Tom Jobim compôs várias músicas com Aluísio de  Oliveira e apresentou-se num festival de bossa  nova, nos Estados Unidos. Foi lá mesmo, aliás, que Tom gravou, ao piano,  o LP Antônio Carlos Jobim e ainda outro com Stan Getz, João Gilberto e  Milton Banana. Tom chegou a fundar sua própria editora nos Estados Unidos, a Corcovado Music. Suas canções começaram a fazer  sucesso internacional. 

Em 1962, uma produção franco/Italiana/brasileira lançou Copacabana Palace, um filme que primou pela qualidade da trilha sonora, onde estão presentes João Gilberto, Tom Jobim, Luis Bonfá, Os Cariocas e Norma Bengell.

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Em 21 de novembro de 1962, uma parceria entre a gravadora americana Audio-Fidelity e o Itamaraty, levou alguns jovens músicos brasileiros ao famoso concerto de bossa nova no palco do Carnegie Hall, Nova York: Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Chico Feitosa, Milton Banana, Caetano Zama, Sérgio Ricardo, Normando Santos, Dom Um Romão, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim, que foi delirantemente aplaudido. No ensaio à tarde, protestou contra as versões de suas músicas que Norman Gimbel fez para o inglês. Curiosamente, a participação de Tom Jobim não foi registrada na versão lançada.

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Tom à época já era famoso nos Estados Unidos como o compositor de Desafinado. Essa canção foi gravada lá onze vezes no mesmo ano, sendo uma delas com tiragem de um milhão de discos. Entre idas e vindas, de 1962 e 1968, Tom passou grande parte do tempo nos Estados Unidos, época de maior sucesso internacional da Bossa Nova. Conheceu e tocou com músicos importantes como Gerry Mulligan e Stan Getz. 

Tom iniciou uma longa parceria com o diretor de cinema Paulo César Saraceni. Valsa de Porto das Caixas e Derradeira Primavera fizeram parte de Porto das Caixas, 1962, seu primeiro longa-metragem. Seria também com Saraceni a melhor trilha de Tom para cinema, a de A Casa Assassinada, 1973.

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Parte dessa trilha, orquestrada por Claus Ogerman, está presente num dos álbuns de Tom, Matita-Perê. A parceria Tom-Saraceni foi tão forte que não se desfez nem mesmo com a morte do maestro, em 1994. Como Saraceni já planejava o fecho da sua Trilogia da paixão, toda baseada em Lúcio Cardoso, Tom deixou composta a música Tiê Sangue, que acabou incorporada ao longa O Viajante, rodado em 1999. Deu-se com Tom o caso mais raro de uma música que induz à criação de um filme, o Garota de Ipanema. Uma das canções mais tocadas em todo o mundo inspirou o diretor Leon Hirszman a dirigir um filme homônimo, radiografia da juventude da Zona Sul do Rio de Janeiro. O próprio Tom assina a trilha do longa, de 1967.  A gravação de Garota de Ipanema estourou no mundo. Segundo entrevista de Oscar Castro Neves, Norman Gimble não queria usar a palavra Ipanema na versão para o inglês, alegando que ninguém saberia do que se tratava. Tom bateu o pé: No Ipanema, no song. Hoje em dia, todo mundo sabe onde fica Ipanema. A segunda canção mais tocada do século 20, perdendo apenas para Yesterday, dos Beatles, fez Tom comentar galhofeiramente: Mas eles eram quatro e cantavam em inglês! 

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Musicou Pluft, o Fantasminha, de Romain Lesage e ainda participou das filmagens no papel de um Pirata barba ruiva. 

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Tom colocou sua assinatura de peso em algumas outras obras, como Sagarana, o Duelo, Gabriela Cravo e Canela, Brasa Adormecida, Fonte da Saudade e A Menina do Lado, além de um episódio do longa Erótique, uma coprodução internacional. Em parceria com Chico Buarque, a trilha de Para Viver um Grande Amor, filme de Miguel Faria Júnior. No filme, Elba Ramalho canta a música Violeira de Tom e Chico Buarque.

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As trilhas sonoras compostas pelo maestro Antonio Carlos Jobim para cinema, teatro e televisão somam duas dúzias de títulos, dos quais pelo menos 80% estão fora de catálogo. Poucos conhecem, por exemplo, a única trilha composta por Jobim para um filme americano, The Adventurers (O Mundo dos Aventureiros, 1970), da qual dois temas – Children’s Game e Dax & Amparo– seriam mais tarde transformados, respectivamente, nas populares Chovendo na Roseira e Olha Maria, além de Sue Ann, derivada do tema Bed of Flowers for Sue Ann.

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Suas músicas aparecem, ainda, em inúmeros filmes consagrados nacionais e internacionais.

O álbum Getz, Gilberto – featuring Antonio Carlos Jobim vendeu mais de dois milhões de cópias em 1964. Tom deixou de ser patrimônio cultural brasileiro e alcançou uma posição de grande destaque como compositor no mercado internacional. Após este alto número de vendas, vários intérpretes gravaram suas canções, entre eles Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan.

Em 1965, sai nos EUA o LP Sylvia Telles Sings the Wonderful Songs of Antonio Carlos Jobim, pela Kapp Records, que só seria lançado no Brasil no ano seguinte – ano da morte trágica da cantora, aos 32 anos, num acidente de carro. Neste segundo disco dela dedicado a Tom, o repertório trazia duas inéditas: Eu Preciso de Você e Samba Torto, ambas em parceria com Aloysio de Oliveira.

Em dezembro de 1966, Tom tomava uma cerveja no bar Veloso, no Rio de Janeiro, quando o garçom o chamou. Ao telefone, estava Frank Sinatra. Ali começou a negociação para que os dois viessem a gravar juntos. Em três sessões organizadas por Claus Ogerman e produzido por Sonny Burke, o tão sonhado álbum Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim tornou-se uma realidade.

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Tom participou somente de um festival, o III Festival Internacional da Canção – FIC de 1968, quando ganhou com a música Sabiá em parceria com o compositor Chico Buarque. Sabiá, inicialmente com o nome de Gávea, uma canção em homenagem à cantora Maria Lucia Godoy, foi composta na casa do pianista e compositor Bené Nunes. Em 1970, em protesto contra a censura, nega-se a participar do IV Festival da Canção, com a adesão de Chico Buarque, Marcos Valle, Sérgio Ricardo, Edu Lobo, entre outros. É preso pela polícia política do regime militar para ser interrogado. Seu telefone é grampeado e toda a sua correspondência violada. Quando estava nos Estados Unidos, suas cartas só chegavam à família por um portador e vice-versa.

Em 1974, quando Elis Regina completou dez anos no elenco da Philips, a gravadora queria presenteá-la com qualquer coisa que ela desejasse. E ela escolheu gravar um álbum em parceria com Tom. Dez anos antes, Elis havia sido cogitada para cantar no álbum Pobre menina rica, de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra. O arranjador do disco reprovou a cantora com o delicado argumento: Esta gaúcha é muito caipira. Ainda está cheirando a churrasco. O arranjador era Tom Jobim. Dez anos depois, o maestro hesitou em gravar o álbum: Um disco com Élis Regina [era assim que Tom a chamava], a maior cantora do Brasil… Não sei… É muita responsabilidade… Ou irresponsabilidade??” O dueto mais importante da história da Música Popular Brasileira, a versão que muitos consideram definitiva para Águas de Março, ficou registrada em Elis & Tom, com arranjos de Cesar Camargo Mariano. 

A canção Águas de Março, composta no início do ano de 1972 em Poço Fundofoi lançada primeiramente por Tom no compacto Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco, encartado no jornal O Pasquim. No mesmo ano, foi incluída por Elis Regina no álbum Elis. Foi também incluída no disco Matita Perê, dedicado a Carlos Drummond de Andrade, Mário Palmério e Guimarães Rosa, lançado em 1973. Tom gravou-a também numa versão em inglês feita por ele mesmo, Waters of March. A versão foi gravada por Sergio Mendes, Art Garfunkel, Jane Monheit, Basia, Al Jarreau e muitos outrosLeonard Feather, o maior crítico de jazz norte-americano, certa vez decretou que Águas de Março é, sem dúvida, uma das cem maiores melodias do século XX. A sensibilidade que Jobim tinha é algo único. Coisa de Mozart e Erik Satie.

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Segundo Sérgio Cabral, o primeiro diagnóstico dos problemas circulatórios que passariam a causar dores nas pernas de Tom foi durante uma das muitas viagens a Nova York. O frio dificultou-lhe as caminhadas e foi no Hospital Mount Sinai que ficou sabendo que sofria de perfusão inadequada dos membros inferiores, consequência do tabagismo. Teria que largar o cigarro, reduzir a bebida a quase zero e, devido a uma obstrução na aorta, outra notícia que recebeu foi que precisaria fazer o implante de uma prótese vascular no peito. A única providência tomada foi a troca do cigarro pelo charuto – acessório que, somado ao chapéu que passou a usar, seria uma das marcas de seu visual até o fim da vida. 

Em maio de 1978, sai da casa da mãe para mais uma ida a Nova York, desta vez em lua de mel com a namorada Ana Beatriz Lontra, fotógrafa que conheceu em Ipanema, em meados dos anos 70. O namoro começou somente depois da separação com Thereza e marcou uma fase de temporadas pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Seu filho com Ana, João Francisco Lontra Brasileiro de Almeida Jobim, nasceu em 30 outubro de 1979, mesmo ano do falecimento de seu tio João Lyra Madeira e o querido padastro Celso. Em 20 de março de 1987, nascia Maria Luiza Helena. 

Grava com o discípulo Edu Lobo o LP Tom & Edu, Edu & Tom. Entre as faixas cantadas em dueto está Choro Bandido, parceria de Edu e Chico Buarque composta em homenagem a Tom, originalmente para a peça O Corsário do Rei, de Augusto Boal.

Convidado pelo maestro Peter Guth, da ORF Sinfonietta, de Viena, para concerto naquela cidade, Tom criou, em 1984, a Banda Nova para acompanhá-lo nos shows e gravações. A Banda contava com o filho Paulo Jobim, o amigo flautista Danilo Caymmi, Sebastião Neto, Paulo Braga e as vocalistas Simone Caymmi, a filha Beth Jobim e a mulher Ana Jobim. Maucha Adnet e Paula Morelenbaum comporiam o coro numa apresentação no Teatro Municipal do Rio, em outubro de 1984, e Jaques Morelenbaum só entraria para a banda num concerto no Carnegie Hall, em 1985. A Banda Nova era a continuidade dos saraus que aconteciam espontaneamente em casa. Eram todos ligados a ele: os filhos, os amigos, as mulheres dos amigos. As festas eram quase que ensaios. De repente ele cismava com uma música e ficavam cantando a noite inteira. Tom adorava tocar música de outros compositores. Sentia-se realmente feliz e se dizia um excelente acompanhador. 

Em 1985 Tom Jobim ganhou o título de Grand Commandeur des Arts et des Lettres, em Brasília, conferida pelo governo francês representado pelo ministro da Cultura da França, na ocasião Jack Lang

Foi tema de especial de  televisão quando completou 60 anos. Também por ocasião desse  aniversário, o jornalista Sérgio Cabral lançou Antonio Carlos Jobim : uma biografia, e  Joyce Moreno gravou um disco com repertório de Tom. Depois da morte do maestro, a cantora  lançou Sem Você em duo com Toninho Horta e, em 2009, Celebrating Jobim.

Recebeu, por três vezes, o prêmio da BMI – Broadcast Music Inc., como Great National Popularity, com The Girl From Ipanema, em 1970, Meditation, em 1974, e Desafinado, em 1977. Seu reconhecimento no exterior o colocou, em 1990, como membro do Popular Music Hall of Fame de Nova yorque ao lado de Cole Porter e os irmãos Gershwin. 

Em 1991, foi gravado o disco No tom da Mangueira  para arrecadar fundos para o desfile de 1992, que trazia Tom Jobim como tema. A música composta por Tom em homenagem à escola foi Piano na Mangueira, com letra de Chico Buarque. A Estação Primeira de Mangueira apresentou o samba-enredo Se todos fossem iguais a você, de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho. Tom entrou na Sapucaí de terno branco e chapéu Panamá. Atravessou a avenida num dos carros mais altos ao lado de um piano. Foi ovacionado e comparou essa experiência a ter ganho um Nobel da Paz!

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No início de 1994, foi diagnosticado com câncer na bexiga. Primeiro tenta a cura de modo não tradicional, mas depois foi se tratar no Hospital Mount Sinai. Retirou o tumor, com sucesso, livrando-o da doença, mas na manhã do dia 8 de dezembro sofre duas paradas cardíacas, não resistindo.

Quando faleceu, em 1994, com 67 anos, as primeiras flores que chegaram ao hospital de Nova York foram as de Sinatra. A Casa Branca divulgou uma nota na qual o presidente Bill Clinton manifestava seu pesar pela perda.             

O corpo chegou ao Rio na manhã do dia 9, e em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros, o caixão Tom desfilou por várias ruas do Rio coberto com a bandeira do Brasil. O cortejo levou duas horas e 37 minutos para ir do aeroporto internacional do Rio, até o Jardim Botânico. Pelo trajeto, grupos de pessoas se reuniam para prestar suas últimas homenagens ao maestro. Uns batiam palmas, outros choravam. 

Foi velado no Centro dos Visitantes do Jardim Botânico, de onde partiu para o sepultamento, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No túmulo, um verso inspirado no grego Hipócrates, que Tom fez para o fox Querida: Longa é a arte, breve é a vida.

Amigos, parentes, políticos e artistas, como Beth Carvalho, Gilberto Gil, Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa estiveram presentes e ficaram muito emocionados. Durante o enterro, Ana Lontra Jobim, mulher de Tom, ficou abraçada com Helena Jobim, irmã do compositor. Mais de 500 pessoas estiveram no cemitério.

Os últimos escritos do compositor e maestro saíram em livro. Visão do Paraíso – Mata Atlântica traz textos de Tom sobre a Mata com fotografia de Ana Jobim. Com sua morte, o lançamento foi adiado. Na ocasião foi apresentado o documentário dirigido por Flavio Tambellini, Visão do Paraíso, onde a Mata Atlântica é mostrada sob a visão de Tom. O compositor dá entrevistas e interpreta algumas de suas músicas.

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Seu último disco, Antônio Brasileiro, foi lançado pouco antes de seu falecimento. Por ele recebeu os Prêmios Sharp de Melhor Disco MPB e Melhor Música-samba, com Piano na Mangueira, composta em parceria com Chico Buarque. O CD foi também contemplado com o Prêmio Grammy na categoria Best Latin Jazz Performance. Ainda em 1994, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro concedeu-lhe a Medalha Pedro Ernesto.

Consagrado no Brasil e no exterior, Tom conquistou vários  prêmios e homenagens ao longo da carreira. Depois de sua morte houve muitas outras homenagens. Desde janeiro de 1999, o aeroporto internacional do Rio, citado em Samba do Avião, leva o seu nome e no Terminal 2 uma placa o recorda. Há um pequeno Museu Antônio Carlos Jobim em seu amado Jardim Botânico e uma estátua na praia de Ipanema, que ele imortalizou.

Nos anos 2000, a Sinfonia do Rio de Janeiro fez parte de diversas datas comemorativas em torno de Antonio Carlos Jobim, Billy Blanco e Radamés Gnattali. No mesmo ano, foi lançada a edição de luxo do Cancioneiro Jobim, contendo partituras de 42 de suas composições, textos biográficos, fotos e reproduções de manuscritos. 

Em 2001, foi fundada A Orquestra Jovem Tom Jobim, formada por 42 músicos bolsistas da Escola de Música do Estado de São Paulo – EMESP Tom Jobim. A Orquestra Jovem Tom Jobim tem como objetivo o resgate de obras tradicionais de grandes compositores brasileiros, com especial dedicação à obra de Tom Jobim, e à pesquisa e experimentação musical. Sua formação alia as sonoridades e a expressividade da orquestra sinfônica (cordas, madeiras e metais) com a força e o balanço da seção rítmica (piano, contrabaixo elétrico, guitarra, bateria e percussão), proporcionando-lhe uma enorme versatilidade estética. A Orquestra se apresenta com frequência com artistas de diferentes estilos da MPB.

No mesmo ano, foi lançado o  CD O Tributo a Tom Jobim gravado no ATL Hall (RJ), por 15 artistas brasileiros.

Sua constante preocupação com a ecologia levou à criação do Instituto Antonio Carlos Jobim, em maio de 2001, não somente para preservar e tornar público o seu acervo, mas também para desenvolver projetos educativos sobre ecologia e artes em geral. A Casa do Acervo se encontra no Espaço Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Abriga o acervo pessoal físico e digital do maestro, resguardando seus originais a fim de que as futuras gerações possam ter o privilégio de conhecê-los. 

Foi criado o Parque Tom Jobim, na Lagoa Rodrigo de Freitas e lançada a caixa Tom Jobim – inédito, contendo dois CDs.

Em 2007, a Biscoito Fino lançou o DVD A Casa do Tom – Mundo, Monde, Mondo que revela momentos de intimidade de Tom com sua família.

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Em fevereiro de 2012, Tom foi homenageado na cerimônia do Grammy pelo conjunto de sua obra. Foi o primeiro brasileiro a conquistar tal honraria. No mesmo ano, foi lançado o documentário A Música Segundo Tom Jobim, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e a neta Dora Jobim, e, em 2013, o documentário A Luz do Tom, de Nelson Pereira dos Santos, onde a trajetória do maestro é contada por vozes femininas. O registro conta com relatos de três mulheres importantes na vida do compositor: a irmã Helena Jobim e as esposas Thereza Hermanny e Ana Lontra Jobim.

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Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira revelam curiosidades sobre a obra do maestro, no livro Histórias de Canções – Tom Jobim. A homenagem mais recente é um disco da fadista Carminho.

Tom terá sua obra revista em Tom Jobim – 90 anos, concerto que aconteceu no dia 20 de janeiro, no teatro batizado com o nome do maestro, músico e compositor, no Rio de Janeiro. O evento, com regência do maestro Eder Paolozzi, marcará o início de uma série de celebrações em homenagem a um dos maiores criadores da nossa música.

Durante toda a sua vida e grande parte da sua obra, teve a preocupação em combater a violência contra a natureza e a saga dos retirantes.Sempre se preocupou com os índios e com o destino da Amazônia. Admirava o trabalho dos Villas Boas, leu todos os livros de Rondon que era amigo de seu avô e ficava triste e preocupado com a impotência da luta desses homens, acreditando que seria difícil evitar a invasão de terras indígenas pelo homem dito civilizado. 

No dia 25 de janeiro é, desde 2010, celebrado o Dia Nacional da Bossa Nova.

 

 

Fontes:                                                      

JOBIM, Helena. Antonio Carlos Jobim : um homem iluminado. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996

Instituto Antonio Carlos Jobim

Antonio Carlos Jobim site oficial   

Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) – a última entrevista 

Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) – entrevistado por Clarice Lispector 

Tom Jobim, por Pedro Paulo Malta 

Jobim desconhecido, por Antonio Gonçalves Filho 

Anatomia de um disco, por Ruy Castro 

Tom Jobim e a moderna música popular brasileira, de Maria Lucia Cruz Suzigan 

9 rascunhos de Tom Jobim, que faria 90 anos hoje, por Tatiana Dias

Jobim 90 anos: O grande encontro com Elis Regina, por Roberto de Oliveira  

Os 90 anos de Tom Jobim, que viverá eternamente, por Carlos Galilea 

Tom Jobim: 90 anos de um músico universal, por Marcelo Pinheiro 

Tom Jobim Não chega de saudade, por Anabela Mota Ribeiro

Estátua em homenagem a Tom Jobim é inaugurada na orla de Ipanema, Rio, por Alba Valéria Mendonça

Parte de um depoimento de Tom Jobim sobre Villa-Lobos, por Milton Ribeiro 

Orfeu do Carnaval : De Vinicius de Moraes a Barack Obama, por Felipe Higa

Sinfonia da Alvorada

 

 

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2 comentários

    • Viva Tom!!

      Urariano

      Que bom que nesses tempos nebulosos temos o talento de Tom Jobim e dos nossos intérpretes para amenizar a angústia da incerteza!

      Um elogio vindo de você conta muito para mim!

      Obrigada

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