Bancos em 2016: concentração e lucro elevado mesmo com recessão

Agravamento da recessão traz mais desemprego e pobreza ao país, mas não abala desempenho do setor financeiro (Foto JOEL SILVA/FOLHAPRESS)

da Rede Brasil Atual

Bancos em 2016: concentração e lucro elevado mesmo com recessão

Cinco maiores instituições respondem por 87% das operações de crédito no Brasil. Apesar disso, em todas houve fechamento de postos de trabalho, com mais demissões do que contratações

São Paulo – O setor financeiro confirmou em 2016 a tendência de concentração e manteve lucros elevados, apesar da crise, constata o Dieese em estudo de sua Rede Bancários, divulgado nesta segunda-feira (17). “Os cinco maiores bancos do país tiveram desempenho muito expressivo, seja em termos de intermediação financeira (as principais contas dos bancos) ou de resultado operacional, a despeito do adverso cenário econômico e da queda observada no resultado líquido em comparação com o ano anterior”, diz o instituto.

“Permanece a necessidade de se ampliar e se aprofundar o debate sobre o papel desempenhado pelo sistema financeiro nacional, especialmente no que se refere aos três maiores bancos privados”, acrescenta o Dieese, em referência a Bradesco, Itaú e Santander. Somados o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os cinco concentram 87% das operações de crédito.

Em relação ao emprego, o número de trabalhadores tem queda contínua desde 2012, aponta o Dieese, mas houve pequena variação (-0,1%) de 2015 (433.015) para 2016 (432.518), uma perda de 497 vagas. Quatro dos cinco maiores bancos fecharam postos de trabalho, com destaque para o BB, que eliminou 8.569, queda de 7,8%. O banco teve um plano especial de estímulo à aposentadoria, com 9.409 adesões. Fechou o ano com 100.622 empregados.

A Caixa, que fechou 2.480 vagas (-2,5%), também fez um plano de apoio à aposentadoria. E deverá cortar mais postos de trabalho neste ano, já que abriu novo programa de estímulo ao desligamento de mão de obra. No final de 2016, estava com 94.978 funcionários.

Entre os privados, o Santander cortou 2.770 (-5,5%) e o Itaú Unibanco, 2.610 (-3,1%). A exceção foi o Bradesco, com abertura de 15.932 vagas (17,2%). Mas na conta entra a incorporação do HSBC – sem isso, o banco cortou 4.790 postos de trabalho de setembro de 2015 a setembro do ano passado. No final de 2016, o Bradesco estava com 108.793 funcionários, o Itaú tinha 80.871 e o Santander, com 47.254 empregados.

O Itaú fechou 168 agências e o Santander, oito, no ano passado. BB e Caixa têm 11 e oito a mais em relação a 2015, respectivamente, mas o Dieese lembra que os dois bancos planejam fechar centenas de agências neste ano. O saldo de 807 no caso do Bradesco leva em consideração, mais uma vez, a incorporação do HSBC.

O lucro líquido dos cinco maiores bancos brasileiros somou R$ 59,6 bilhões em 2016, queda de 12,1% em relação ao ano anterior. Segundo o Dieese, o resultado pode ser explicado, entre outros motivos, pelo fato de as empresas terem feito “forte provisionamento” e por não usarem créditos tributários. O maior lucro foi registrado pelo Itaú: R$ 22,2 bilhões, redução de 7%, enquanto o Bradesco teve R$ 17,1 bilhões, diminuição de 4,2%. 

Já o BB teve queda de 44,2%, para R$ 8 bilhões, mas o Dieese observa que esse dado deve ser relativizado por causa do impacto, em 2015, de acordo do BB com a Cielo, no segmento de pagamento eletrônicos. O lucro da Caixa, de R$ 5 bilhões, caiu 3%, mas o resultado operacional cresceu 271,5%, “devido à melhora no resultado da intermediação financeira, em especial, de resultados com operações de crédito e com títulos e valores mobiliários”. A exceção de 2016 foi o Santander, cujo lucro líquido aumentou 10,8% sobre 2015 e atingiu R$ 7,3 bilhões.

A íntegra do estudo pode ser lida no site do Dieese.

 

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4 comentários

  1. bancos….

    Caros, mas a Privatarias dos Bancos, o PROER, a privatização de bancos públicos tornando seus rombos em obrigações dos governos e sociedade brasileiros doando a enorme fatia de lucros abissais para bancos estrangeiros não resolveria esta situação de lucros astronômicos e concentração bancaria há 1/4 de século atrás? O Principe, a Rainha da Inglaterra, o “Lula” com Diploma, a República da USP, a Social Democracia, Exilados Politicos, Democratas, pupilos de Sartre e Simone não seriam a solução? Nada como um dia após o outro. A verdade vos libertará. Mas passemos para a grande fatia do mercado nacional. 98% dominado por multinacionais estrangeiras. Citemos atomóveis, que todos conhecem. Quando desde a década de 1950, apesar de crises, hiperinflação, ditadura, golpes, recessões, décadas perdidas, esta indústria deixou de ano após ano ter mais e mais ganhos vultosos? Quando sua lucratividade foi pausada mesmo entre um único ano e outro? Esta sociedade brasileira que poucos recursos de mobilização dispóe ou consegue construir é pasto para qualquer tipo de exploração. Pobre país limitado.    

  2. O impactos dos maiores juros

    O impactos dos maiores juros do planeta na economia é tremendo… Ainda mais quando os títulos federais são vendidos com esta taxa de juros de lucro… Pode ser brincadeira de criança… Mas esta alta de juros emperra todo e qualquer trabalho que o país venha a fazer para sair da crise… Pois é uma taxa acumulativa… E vai corroendo letamente os recursos do país… O país vai ficando cada vez mais endividado… E cada vez mais prejudicado… NEcessitando cortar todos os seus investimentos na população e privatizar todos os seus serviços e recursos para estes mesmos credores… Que na verdade são sugadores, né? Estão sugando o estado até que ele fique raquítico e não tenha nada mais para dar… Como o estado fica raquítico, a sua população também o acompanha… Vai perdendo brilho, cor… Tornando-se anêmico… Pálido… E sem vida… Quando na resta mais nada a fazer, senão… Abandoná-lo em nome da soberania popular… Ou seja, o estado é estado quando é governado pela soberania poppular… Quando ele é governado por meia dúzia… Será saqueado por esta meia dúzia enquanto ainda é tempo… Enquanto a população não descobre… Enquanto os jornais desta meia dúzia esconde as informações… Não dão satisfação para o povo desta taxa de juros de sumana que corroi as riquezas do país… Então, não há teorias da conspiração. Há uma conspiração das elites para se tornarem cada vez mais ricas as custas do estado e da população… Esta mesma elite que mantém dinheiro em paraísos fiscais e não pagam seus impostos… É uma parte da população que quer ter mais poder que toda a população através do dinheiro e do domínio dos recursos naturais do planeta… O Brasil é a bola da vez, com suas terras, recursos naturais em geral… 

  3. Os bancos lucram com a crise…

    Os bancos lucram com as crises assim como os farmacêuticos lucram com as epidemias e os fabricantes de armas lucram com as guerras. Mas não são os bancos que provocam as crises, assim como não são os farmacêuticos que provocam as epidemias, nem são os fabricantes de armas que causam as guerras. O mais é teoria conspiratória.

    Quer parar de dar lucro às administadoras de cartões de crédito? É só não gastar mais do que ganha. O mesmo se aplica aos governos.

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