Corte de juros na Europa traz alívio aos mercados, apesar de números fracos nos EUA

Depois da pausa na quarta-feira por conta das comemorações do Dia do Trabalho, as atenções dos analistas brasileiros estarão concentradas nesta quinta na repercussão dos números dos Estados Unidos, que divulgaram ontem uma série de indicadores de peso (o 1° de maio não é feriado nos mercados dos EUA), e do corte na taxa de juros do Banco Central Europeu, anunciado esta manhã.

Entre os dados que serão avaliados, estão os números referentes à reunião do FOMC (Federal Open Market Committee, o Copom dos Estados Unidos), que decidiu pela manutenção de seu programa de compras de bônus no ritmo atual de US$ 85 bilhões por mês, afirmando que os estímulos podem ser aumentados ou reduzidos conforme o desempenho do mercado de trabalho e da inflação – o que pode ser interpretado como um sinal de que o Federal Reserve não vê o quadro econômico atual com bons olhos. 

O mercado também vai acompanhar a agenda norte-americana divulgada no dia de ontem, como os números de vagas de trabalho abertas pelo setor privado em abril – segundo a ADP/Macroeconomic Advisers, o segmento criou 119 mil empregos em abril, abaixo das 155 mil vagas inicialmente estimadas – além do índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro, que indicou a mais lenta expansão da atividade em seis meses, e do recuo do índice de atividade do setor de manufatura, que atingiu 50,7 pontos. 

O que pode ajudar a contrabalançar o sentimento mais pessimista dos agentes com os números fracos dos Estados Unidos é a decisão do Banco Central Europeu (BCE), que deu fim a semanas de especulação e oficializou o corte da taxa básica de juros da zona do euro em 0,25 ponto percentual – de 0,75% para 0,50% ao ano – como forma de estimular a recuperação econômica da região. A redução confirmou as expectativas do mercado.

Na agenda doméstica, pouca movimentação com o anúncio do IPC-S (Índice de Preço ao Consumidor Semanal) geral e regional, além da pesquisa industrial mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em termos de balanços, analistas ressaltam que as empresas que mais influenciam o Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) já divulgaram seus resultados. “Dentre as maiores empresas, a única expectativa fica com a divulgação dos dados da OGX, que está programada para o próximo dia 9 de maio”, diz a analista Larissa Gatti, da corretora Souza Barros. “Até lá, a temporada estará mais calma, com os investidores refletindo os números já divulgados”.

Na terça-feira, o mercado apresentou alguma movimentação por ser fechamento de mês, e os agentes correram para garantir uma posição melhor em suas carteiras. “Com o vencimento da PTAX (taxa de câmbio calculada durante o dia pelo Banco Central) e o fechamento do mês, o pessoal sai na briga pela melhor posição”, comenta a economista. Os agentes acompanharam o desenrolar da situação do Chipre. O Parlamento do país aprovou o plano de resgate de 10 bilhões de euros endossado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar que o país quebre.

A cotação do dólar encerrou a terça-feira em queda de 0,20%, em R$ 2,0020. A perda acumulada no mês chegou a 0,99%. Já o Ibovespa fechou a terça-feira em alta de 1,86%, aos 55.910 pontos e um volume movimentado de R$ 9.811 bilhões. Com isso, a variação apurada pela bolsa no mês aponta uma redução de -0,78%, enquanto a queda acumulada no ano chega a -8,27%.

 

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