Vencimento de opções pode manter bolsa em queda na quarta-feira

Jornal GGN – A terça-feira não foi um dia fácil para quem investe em ações. A aversão ao risco nos mercados causou queda generalizada nos índices de renda variável no mundo, e o impacto no Brasil sofreu o acréscimo das incertezas com a política monetária.

O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) engatou seu terceiro dia consecutivo de queda, fechou o dia com desvalorização de 3,01%, aos 49.769 pontos – o menor nível registrado desde o dia 08 de agosto de 2011, quando a pontuação atingiu 48.668 pontos – e um volume negociado de R$ 8,321 bilhões. “O dia foi de total aversão ao risco, com todas as bolsas, commodities e ativos caindo”, comenta Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.

 No Brasil, a instabilidade está relacionada com o vencimento de opções sobre o Ibovespa no contrato futuro, programado para esta quarta-feira (12). Além disso, de acordo com Galdi, embora as incertezas quanto à política econômica brasileira causem algum impacto sobre o humor dos investidores – “você abre os jornais, e todo mundo está falando mal do governo” –, o mercado global tem visto um quadro de fuga de capital para mercados considerados mais maduros, como os Estados Unidos, em um movimento conhecido no mercado como flight to quality.

Na visão do analista, começa a ganhar força a visão de que o mercado norte-americano está começando a mostrar uma trajetória mais consistente de recuperação, e a qualquer momento o FED pode começar a reduzir o volume de compra de títulos, medida que ajudou a sustentar a retomada por algum tempo – o que também representa um ajuste na taxa básica de juros do país. “Isso cria uma pressão no dólar no mundo inteiro, em especial nos emergentes. Os juros ainda não subiram, mas os estrangeiros estão correndo para não perder dinheiro, o que gera um mal estar em todos os mercados de risco”, diz Galdi.

Por outro lado, o mercado de câmbio manteve-se pressionado ao longo do dia, mas perdeu um pouco do fôlego e encerrou o dia em queda de 0,51% no balcão, cotado a R$ 2,1370, segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado. Após atingir o teto de R$ 2,1670 no começo do dia, a moeda perdeu força em seguida a duas intervenções do Banco Central e a expectativa de que o governo pode anunciar novas medidas cambiais – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha uma reunião programada com a presidenta Dilma Rousseff na tarde desta terça-feira (11).

Depois que a cotação do dólar comercial atingiu o teto de R$ 2,167 na manhã desta terça-feira, a autoridade monetária realizou duas operações de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro. Da oferta de 40 mil contratos no primeiro leilão, foram aceitos 10 mil, com vencimento em 2 de setembro deste ano. No total, foram US$ 498,5 milhões. Mais 40 mil contratos foram a leilão e 15 mil foram negociados. O vencimento é 1º de agosto, no total de US$ 748,5 milhões.

No segundo leilão do dia, também com duas datas de vencimento, foram ofertados até 40 mil contratos, em cada lote. Com vencimento em 2 de setembro, foram aceitos somente 3 mil contratos, no total de US$ 149,4 milhões. Mais 17 mil contratos, com vencimento em 1º de agosto, foram negociados, no total de US$ 847,6 milhões.

A agenda econômica possui poucos dados nesta quarta-feira. Além do vencimento de opções na bolsa, destaque para a divulgação dos dados de inflação na Alemanha, dados de desemprego no Reino Unido e a produção industrial da zona do euro em abril.

“Acredito que os mercados vão continuar pressionados, ficando mais de lado (com pouca liquidez) lá fora e um pouco mais pesados aqui por conta do vencimento. À tarde, depois que o vencimento fechar, a bolsa pode começar a se recuperar. Esse é o sentimento, porque não existem grandes notícias”, pontua Galdi.

 

 

 

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