A arte de separar o joio do trigo. E publicar o joio

do NOCAUTE

A arte de separar o joio do trigo. E publicar o joio.

de Fernando Morais

Curso de Níu Júrnalism em poucas lições. Patrocínio da Folha de S. Paulo. Lição 4.

Até as rãs que coaxam nas águas mefíticas do rio Tietê já sabiam que a popularidade do Postiço vem descendo a ladeira desde o dia em que ele se instalou no Palácio do Planalto, com a ajuda do escrete formado por Boca Mole, Todo Feio, Gripado, Ferrari e Corredor; Missa, Justiça e Angorá; Babel, Caranguejo e Misericórdia.

Até os gaviões que comem as rãs e as ratazanas do rio Tietê sabem que a economia brasileira também vem desabando vertiginosamente depois que o Postiço Temer tomou o poder sem para isso ter obtido um só, um único, solitário voto.

A Folha de S. Paulo colocou na rua os pesquisadores do Datafolha e descobriu o que rãs, ratazanas e gaviões já estavam carecas de saber: a popularidade do Postiço desabou e a economia, sob a batuta dele, encruou.

O levantamento do Datafolha, porém, traz uma notícia: 63% da população querem que o Postiço renuncie já, ainda este ano, e que sejam convocadas eleições diretas para a Presidência da República.

Ladina, a Folha dá em manchete o que todo mundo já sabia (queda da popularidade + desastre econômico) e publica numa chamadinha o que todo mundo queria saber: o Brasil quer a renúncia do Postiço ainda este ano e convocação de eleições diretas já.

Gay Talese, o grande repórter gringo, já disse que o jornalismo é a arte de sujar os sapatos. Ao contrário dele, alguém também já disse que o jornalismo é a arte de separar o joio do trigo – e publicar o joio.

Em vez de sujar os sapatos, a Folha parece preferir sujar as mãos: separa o joio do trigo e publica o joio.

15 Comentários

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Boeotorum Brasiliensis

- 2016-12-12 12:54:40

Dilma vs. Temer - comparando o incomparável

Caro conterrâneo,

Simplesmente não dá para comparar. A Presidenta (passei  a declinar gênero ´no pós-golpe) viveu meses e meses apanhando da imprensa mais do que boi na roça e lidando com um Congresso hostil (agora todos sabemos o por quê). Enquanto o Postiço foi tratado por todos a pão-de-ló e sendo acariciado diariamente no Jornal Nacional. Isso faz toda a diferença do mundo em um país de mediotas.

Falando em imprensa que (de)forma e não informa, manipula e mente descaradamente, tenho um exemplo fresquinho. No último Sem Fronteiras da Globo News, rodado na Colombia, o Jorge Pontual falou que, naquele país, "a uma economia vive um momento punjante e vibrante". Como a afirmação contrariou a impressão geral fui conferir.  A taxa de crescimento do PIB vem caindo desde 2012 e nos ultimos meses, em 2016, deu um mergulho profundo, para perto do nada. Há, olhando os dados desde há 5 anos, déficit público em todos os exercícios fiscais, sem exceção. O mesmo ocorre com o saldo em conta corrente, cujos sucessivos déficts, saindo de perto de -3% do PIB em 2012 e se encontrava na casa dos 7%, em 2015. O câmbio desvaloriza sem parar e, entre 2015 e 2016, acumula cerca de 50%. A taxa básica de juros também quase dobrou, saindo de perto de 4% para quase 8% a.a. O preço das ações em bolsa cairam dos 1800 pontos em 2012 para perto de 1300, em 2016. A inflação mostra tendência de queda, mas resiste em ceder. Saiu de 14% ao ano, em 2012, para 12%, em 2015, e em novembro ultimo estava em 7,6%. Contudo oscilou fortemente durante o ano, chegando  perto de 12%, o que mostra a fragilidade da política monetária em curso. A taxa de desemprego reduziu no período, desde 2012, mas se mantém alta, em torno de 8% e a expectativa agora é de crescimento, face ao aumento da taxa de juros e a queda na taxa de crescimento da economia. A confiança do consumidor, com uma média de 17% em 10 anos, caiu a -39% em janeiro de 2016 e, embora, se recuperando ao longo do ano, voltou a cair em outubro, situando-se em -3,2%. O mesmo se dá com a confiança do empresariado que em outubro último, despencou de perto de 10%, em setembro, para -5,5%. Logo, não há nada de punjante ou de vibrante na economia colombiana.

E o que uma coisa tem a ver com a outra? Óbvia a explicação.

Na Colombia , o neoliberalismo do atual governo, vendeu cadeiras no céu para os cucarachos de lá e a Globo, em um "sutil" paralelo entre os dois países, propagandeia aos cucarachos de cá, para quem, também, se está vendendo a mesma coisa.

Acho que todos sabemos e temos plena consiciência de que o golpe na Dilma foi o pretexto e o governo Temer é o instrumento de um plano maior para se tentar implantar, mais uma vez, o neoliberalismo no Brasil.

O mal jornalismo, o jornalismo a serviço da manipulação e da desinformação faz parte importante da execução desse plano.

 

 

Jadir Rocha

- 2016-12-12 10:29:56

Folha de São Paulo, não dá

Folha de São Paulo, não dá para ler.

Frederico Firmo

- 2016-12-12 01:14:58

Lenita

No brejo as coisas são diferentes!!

Frederico Firmo

- 2016-12-12 01:13:23

Estratégia comercial?????

Estratégia comercial dirigida a seus leitores?  Esta frase é impagável, ainda  não sei se tentou ser  elogiosa . Kim kataguri pra você!!!

Consulte para ver quantos leitores a folha perdeu durante este golpe? E veja quanto ela ganhou do governo Temer. E se agora o ataca é um sinal de que a coisa tá  realmente feia. Mas Frias é o nome dele.

Carlos Adonias

- 2016-12-11 23:23:15

Então quem lê a Folha ou

Então quem lê a Folha ou outro jornal com senso crítico não é leitor, é desafeto? Então podemos dizer que o leitor que lê um jornal ou um livro sem fazer uma análise crítica é um midiota. Como você.

vera lucia venturini

- 2016-12-11 23:02:02

E daí? A crítica é sobre a

E daí? A crítica é sobre a qualidade do jornalismo. O serviço da imprensa deveria ser institucional, não comercial a mando da plutocracia.  A boa prática jornalista deve destacar o fato principal da notícia em defesa da coletividade.

Ou como definiu Joseph Pulitzer, o pai do jornalismo moderno e um maiores e mais ético  jornalista de todos os tempos: "com o tempo uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma". Analise o seu post dentro desse contexto.

 

 

Mariano S Silva

- 2016-12-11 22:34:34

Por bruxos, ogros e

Por bruxos, ogros e demônios...

Emma

- 2016-12-11 20:52:25

Implausível !

A questão é que a Folha já fez isso ! Quem não lembra da pesquisa de julho deste ano, quando a edição deu como apenas 3% o índice de entrevistados que queriam novas eleições e a pergunta nem constava da pesquisa !! Usaram os resultados para manchetar que a grande maioria queria a permanência de Temer. O Intercept criticou a manipulação e a FSP acabou reconhecendo que tinha "pisado na bola"!

lenita

- 2016-12-11 20:51:34

Vagalume

Mundo encantado ?????

Gabriel Moreno

- 2016-12-11 20:44:08

Lula já. Sem mais a dizer.
Lula já. Sem mais a dizer.

jose adailton v ribeiro

- 2016-12-11 19:38:43

Golpismo

Este post é muito óbvio. Também é de pouca inteligência, mais parece um "comentário". Senão, vejamos, se tal pesquisa fosse sob o governo Dilma-mostrando a manchete com os 63% pedindo a renúncia da presidente-a chiadeira seria grande e qualifificada como golpista .Mesmo sabendo que era perfeitamente plausível tal resultado da pesquisa quando do governo Dilma. Também não podemos esquecer que a Foha, por uma questão de estratégia comercial, é dirigida para seus leitores em primeiro lugar.Aos seus desafetos ela sabe que nunca os contentará.

Nonato Amorim

- 2016-12-11 18:52:03

É URGENTE, É URGENTE! É LULA PRESIDENTE!

Nassif & Amigos, tou bem curioso sobre a pesquisa presidencial, que o Datafolha deve ter feito junto nesse balaio!

Ganha um doce quem adivinhar quem tá na frente...

Abraços.

Vagalume do Brejo

- 2016-12-11 18:50:44

Detalhes a parte

Reparem que o Ferreira Gular continua a trabalhar para a falha mesmo depois de morto.

Vivemos um mundo encantado do faz de conta.

Adir Tavares

- 2016-12-11 18:31:33

Putz

E tem gente que perde tempo vendo e e lendo esse panfleto!

Marcos Carvalho

- 2016-12-11 18:15:53

Saudade da Quanto É.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=pwSqubfd1Nw&feature=youtu.be]

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