A despedida de Mino

Conversei ontem com colegas da Carta Capital. Se Mino Carta pensar em abandonar o jornalismo, convocarei agora mesmo manifestações na porta da revista. Mas acho que não.

Mino ficou chateado com os ataques que sofreu por causa do caso Battisti. Aliás, é um horror o clima de guerra que permeia algumas discussões e que deveria ficar restrito aos blogs de esgoto. Aqui mesmo chamei atenção de alguns comentaristas que insinuavam interesses menores na posição de MIno.

Esse episódio é bom para algumas lições. A não ser no caso dos fundamentalistas, não existe unanimidade em todas as posições. Aqui mesmo, há uma vasta maioria que compartilha das mesmas opiniões sobre o caso Satiagraga-Gilmar Mendes. Em temas de política econômica há um consenso um pouco menor. Em temas políticos, um pouco mais de consenso.

Mas são situações pontuais, a não ser que o Blog pretenda ter fiéis e não leitores; e os leitores pretendam ter gurus e não espaços inteligentes de discussão.

A grande prova de amadurecimento se dá na tolerância em torno da divergência. Sou contra cotas raciais e a favor da inclusão social ampla. O que não me impede de respeitar os defensores das cotas. Sou a favor dos conceitos de gestão na administração, subordinados a um projeto político de país. Sou a favor de políticas sociais, mas contra descalabros fiscais; sou contra o modelo mercadista das últimas décadas, mas não vejo na estatização ampla a alternativa.

Acho que a economia deve ser gerida com pragmatismo, sempre focando os objetivos finais: crescimento e desenvolvimento como ferramenta para inclusão social e melhoria do bem estar da população. Sou a favor do fortalecimento da pequena e micro empresa, mas acredito na importância da grande empresa como agente de modernização.

Principalmente, acho que a modernização do país se dá através de movimentos pendulares que sempre tendem a radicalizar. E que o grande desafio é combater os chamados “overshooting” desse modelo e não se prender a dogmas ideológicos à esquerda ou à direita.

Nesse imensidão de temas, tentar enquadrar tudo em movimentos de torcida organizada é de um reducionismo feroz e emburrecedor. E foi o que ocorreu nas discussões sobre o caso Battisti, no qual Mino Carta teve a imensa coragem de ir contra o pensamento médio do seu leitor.Confesso que não consegui formar opinião em cima de tudo o que li. Mino formou, até por sua familiaridade com a Itália.

Mas, de repente, décadas do melhor jornalismo e da maior seriedade foram desconsiderados por críticos ferozes, que não relutaram em apelar para insinuações menores para tentar desqualificá-lo.

Some-se a esse desapontamento, outros com o que ele considera destino final da Operação Satiagraha, a subordinação de Lula à política cruem e míope do Banco Central e se terá um caldo para desânimos ocasionais.

É o que espero que Mino esteja passando. Nada que não possa ser resolvido por um período de descanso carregando pedras, colocando seu livro em dia.

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