A lastimável passagem de Fabio Barbosa pela Abril, por Paulo Nogueira

Não elevou a Abril, e se rebaixou

Não elevou a Abril, e se rebaixou

do Diário do Centro do Mundo

A lastimável passagem de Fabio Barbosa pela Abril, por Paulo Nogueira

Quanto a cúpula da Abril está desconectada da realidade se pode ver na nota da empresa que anunciou a saída do presidente executivo Fabio Barbosa.

Ali está dito, em tom triunfal, que Fabio Barbosa recebeu e aceitou um convite para participar das reuniões de pauta da Veja.

Vou repetir: um convite para participar das reuniões de pauta da Veja.

É como se oferecessem assento a Barbosa na reunião semanal de Obama com seus principais homens.

Entre as pessoas que leram a nota, o convite provocou, compreensivelmente, gargalhadas.

Participei de várias reuniões de pauta da Veja em seus anos de ouro, na década de 1980.

Já ali, mesmo com a presença de jornalistas brilhantes como Guzzo e Elio Gaspari, elas eram enfadonhas, repetitivas. Os participantes contavam os minutos para se livrar e retornar à vida.

Isso quando se tratava da publicação mais importante do Brasil.

Agora, quando a revista agoniza na Era Digital e é objeto não de admiração mas de ódio por ter se convertido num panfleto mentiroso de ultradireita, você pode imaginar o valor de uma reunião de pauta.

Pois foi isso que ofereceram a Fabio Barbosa, em meio a longas linhas em que se tentava achar alguma contribuição dele à empresa.

Duas sílabas resumem a passagem de Fabio Barbosa pela Abril: na e da. Nada. Ele fez nada.

Barbosa fracassou miseravelmente em pelo menos mitigar o declínio da Abril e suas revistas.

A Abril que ele deixa é muito menor do que a Abril à qual ele chegou, há cinco anos, convidado por Roberto Civita.

Parte disso é culpa da mudança do mercado, que transformou revistas em produtos em extinção, em certo. Mas parte também é culpa da absoluta inépcia de Barbosa em contribuir de alguma forma para a Abril.

Ele nunca chegou a ser respeitado na cúpula da empresa. Sua maior obra, ouvi certa vez de um diretor de grandes serviços prestados à Abril, foi sugerir à lanchonete um preço redondo para o cafezinho da casa, uma vez que nunca havia troco.

Quando ele foi contratado, perguntei a um integrante do comitê executivo da Abril o que o levara para lá.

“Ele é especialista em planejamento tributário”, ouvi. “Agora que temos dado lucros altos, isso vai ser importante.”

Quer dizer: em outras palavras, Barbosa foi chamado para sonegar. Os altos lucros rapidamente desapareceriam, mas Barbosa não.

Sua biografia executiva ficou manchada pela passagem pela Abril. Ao fiasco nos números dos balanços se juntou a associação de seu nome a uma publicação que perdeu qualquer sentido de decência.

No universo dos custos, ele simplesmente ficou caro demais para a Abril. Muito sangue tem corrido na empresa, e muito sangue haverá de correr. O ajuste da Abril é infinitamente mais dramático que o ajuste da economia brasileira.

A última chance de Barbosa de mostrar utilidade veio depois da morte de Roberto Civita. A Veja, sem RC, retornaria à civilização depois de anos de barbárie?

Barbosa, supostamente, teria um espaço que jamais teve para exigir dignidade editorial.

Mas não.

Ficou, desta fase, uma frase que entraria instantaneamente para o anedotário abriliano.

“A Veja é o Charles Aznavour das revistas”, disse ele a executivos, repetindo uma sentença que ouvira do diretor de redação da Veja, Eurípides Alcântara. “Sempre teremos nossos fãs.”

Aznavour entrou na conversa quando Barbosa disse para Eurípides, depois de ver uma pesquisa, que os leitores da revista pertencem, na maioria, à Terceira Idade.

Jovens não lêem a Veja. Não sabem o que é. É a morte para qualquer publicação.

Mas Barbosa não estará na casa quando a morte da Veja vier.

O máximo a que ele pode aspirar, agora, é participar da última reunião de pauta.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

21 comentários

  1. “Jovens não lêem a

    “Jovens não lêem a Veja.”

    Mas, infelizmente e em números crescentes, repetem as estultícies ético-políticas da Veja.

    Como explicar esse mistério?

    • Lêm sim,

      As revistas em PDF são disponibilizadas em sites de downloads de filmes, softwares, etc.

      E matérias são linkadas nas redes sociais. Chamo a isso de metástase.

  2. Eles conseguem se olhar no


    Eles conseguem se olhar no espelho, mesmo sendo horrososo nos dois lados. A dignidade não faz parte de quem sempre trabalhou para trair.

  3. Acho extremamente deselegante este comentário, suspeitissimo,!

    Ainda mais escrito pelo um notorio critico do grupo Abril……O que este grupo amil fez  contra o povo Brasileiro?

    Quem   causou mais dano a Nação brasileira ,o Grupo Abri ou a Petrobras?

    Quem causou mais dano ao Povo Brasieliro  a Revista Veja ou o engodo que foi a ultima Eleição? 

    Quem mais causou dano ao Povo Brasieliro os Jorbnalistas da Revista Veja ou os acharcadores  da Petrobras ???

     

    Por favor, expurgue este ódio ,este doença  contra o Grupo Abril!!!!

  4. Meu reconhecimento.

    Se esse Barbosa ajudou a a colocar o grupo abril no lugar que lhe é de direito, o esgoto da história, por certo lhe devemos agradecimentos!

    • Concordo com você. Também não vejo importância

      Andre Araujo (Domingo, 08/03/82015 às 13:01),

      Não vi também nenhuma importância tanto para o Fabio Barbosa quanto para Veja a saída dele da presidência executiva da Editora Abril.

      Agora qual a razão da sua pergunta? Se houver uma boa razão talvez sua pergunta tenha importância.

      Bem, sua pergunta foi extemporânea. Como você é um bom cavalheiro eu não resisti em a comentar, pois sei que você não vai apelar.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 08/03/2015

       

      • Meu caro Clever, já fiz um

        Meu caro Clever, já fiz um comentario anterior sobre esse cavalheiro. Na minha longa experiencia de vida empresarial conheci muitos desses non-entity types, pessoas que não tem especialização em nada, saltam de cargo em cargo, não são brilhantes, nem pensadores, nem charming gentleman, constroem uma vida a base ade assessoria de imprensa e marketing, estão em todos os eventos, homens do ano de qualquer revista, camara de comercio, associação, vc faz um balanço e as realizações são zero. Então quando esse tipo de individuo sai ou entra de cargo para mim é uma não-noticia.

  5. Fábio Barbosa e o poder do marketing pessoal

    Fábio Barbosa construiu nome e reputação valendo-se de um eficiente e bem sucedido esquema de marketing pessoal. Quando na direção do Banco Real/ABN, era o “banqueiro social, ética e ambientalmente correto”, que assinava balanços financeiros e sociais maravilhosos impressos em papel reciclado. Todas as poderosas ações de marketing do grupo financeiro que comandava destacavam o seu compromisso (e principalmente a foto) com a “etica e o meio-ambiente”, era saudado como o “banqueiro verde” (??), e outras baboseiras do mesmo naipe. Ficou com a aura de santo. 

    Quando ele chega para ser o CEO do combalido Grupo Abril, e promover a reestruturação financeira da empresa, muitos viram nisso um conflito: como o banqueiro santo iria acomodar todos seus imensos valores éticos e morais com um conglomerado empresarial tão sem valores? E apostaram que o homem santo iria prevalecer. O tempo passa e nada acontece. A justificativa era a presença nefasta do “Arci”, Robert Civita, que não permitia que o banqueiro santo ditasse os rumos da casa. Enterrado o Arci, os mesmos falaram: “agora vai”. Não foi. Os filhos assumiram e o banqueiro santo continuou no Olimpo.

    O banqueiro santo é convocado a se aproximar do carro-chefe da casa, a Veja. A aposta se renovou. “Vai acabar a farra do Eurípedes Alcântara, não é possível que o santo banqueiro vá compactuar com tanta canalhice”. Aposta errada. O santo homem entrou na farra. E gostou. Segundo o Nassif publicou aqui, o santo homem se comprazia em vazar em rodinha de amigos o teor da próxima “bomba” da revista, qual seria a capa, etc. E continuava com a missão para a qual fora contratado, reestruturar financeiramente o Grupo Abril: arredondando o preço do cafezinho e reduzindo o tíquete alimentação dos funcionários. 

    Após 5 anos na Abril, Fábio Barbosa foi reduzido a sua real dimensão: uma fraude, um bosta. 

  6. Barbosa foi brilhante, ao
    Barbosa foi brilhante, ao menos para mim: ajudou a arrebentar com o grupo (ou seria bando?).

    Me pergunto qual seria a remuneração de um Felipe Moura Brasil ou um Rodrigo Constantino, dois “monstros” de nosso jornalismo atual. Uns 20 paus mensais ou menos?

  7. Ele é muito fraco. Foi

    Ele é muito fraco. Foi conselheiro da Petrobras e não percebeu a vergonhosa roubalheira desenfreada e criminosa que faziam na empresa. Pobre Veja, pobre Petrobras.

  8. LARGA MÃO!

    Sou fã do Barbosa por ele ter ajudado a afundar a Abril e consequentemente a Revista de Esgotos. Sem a prestimosa ajuda desse ex-banqueiro isso não seria possivel. Vida longa para Barbosa. Que seu próximo emprego seja nas “Organizações” plin plin.

  9. Na boa, vcs esperavam o que?
    Na boa, vcs esperavam o que?
    Uma administração de gênio para reverter a tendência mundial de declínio do ramo? Para isso vc precisa de um gênio e Barbosa é apenas um bom executivo financeiro.
    Um bom executivo financeiro é alguém, por definição, limitado. Como o Presidente da Petrobras.

    O Grupo Abril tem que agradecer por ele não ter tido qualquer ideianpprque isso só pode vir de alguem do ramo!

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome