A “manipulação” das consciências pela “força da insistência”, por Marcelo Auler

 
Do blog de Marcelo Auler
 
 
Marcelo Auler
 
(A partir de “Perdemos Todos“, de Claudio Fonteles – 05/12)
 
“Um obstáculo a tal crescimento pode vir da manipulação realizada por alguns meios de comunicação social, que impõem, pela força de uma bem orquestrada insistência, modos e movimentos de opinião, sem ser possível submeter a um exame crítico as premissas sobre as quais se fundamentam.” (leia-se: Centesimus Annus – nº 41 – pg. 78).

O pensamento acima é uma reflexão de João Paulo II em sua Carta Encíclica “Centesimus Annus”. Com a devida autorização do autor, colhi do artigo do ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles – “Perdemos Todos“. Foi escrito em contraponto ao artigo com o mesmo nome do jornalista Ricardo Noblat. Sua leitura me trouxe à mente as insistentes notícias de processos e investigações que estão sendo movidos contra Luis Inácio Lula da Silva e tentados contra Dilma Rousseff.

No caso, arrisco a dizer que a manipulação imposta “pela força de uma bem orquestrada insistência”, nas palavras de João Paulo II, entre nós não é fruto apenas da imprensa. Mas, também, e principalmente de policiais, procuradores e juízes.  Eles têm consciência de como jogar com jornais e jornalistas, para, manipulando informações, criarem um clima que favoreça seus objetivos.

Da forma como o noticiário é veiculado, parece que apenas Lula cometeu possíveis crimes e somente as contas eleitorais de Dilma Rousseff – no caso na companhia de Michel Temer porque não conseguiram separá-los, apesar de tentarem – são suspeitas de irregularidade. Quanto aos demais políticos, as notícias e denúncias surgem e desaparecem.

caso, a persistência nas acusações, a facilidade na abertura de processos em estreitos lapsos temporais, bem como a realização de operações em datas pouco usuais, como ocorreu nesta terça-feira, durante o recém-iniciado recesso do judiciário só contribuem para fomentar o clima descrito pelo ex-papa “da manipulação pela força de uma bem orquestrada insistência“.

Mais grave ainda é o fato de o espaço destinado à defesa não guardar qualquer semelhança com o usado nas acusações. Em geral, na mídia tradicional, trata-se de mera formalidade em uma tentativa de evitar acusações de parcialidade, quando esta parcialidade já é tamanha que perceptível por uma grande parte dos eleitores/leitores. Pelo que advogados denunciam, a mesma formalidade/parcialidade se repete nos inquéritos e processos. Tudo leva a crer que se cria um clima que culminará com a condenação.]

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