A nova estrutura do jornalismo

Coluna Econômica

O sistema de informações brasileiro sempre obedeceu a uma lógica quase imutável. No centro da formação da opinião pública estavam alguns grandes jornais, revistas e emissoras de televisão do eixo Rio-São Paulo.

Na periferia, jornais e rádios regionais.

A notícia e/ou opinião nascia no centro e espraiava-se para os demais veículos, seja através da leitura desses veículos ou de agências de notícias. A partir daí, ganhava abrangência nacional.

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TodoTodo país necessita de um sistema de informações sólido, objetivo, bem focado. É a partir das informações que empresários tomam suas decisões de investimentos, políticos afinam seus discursos, organizações sociais se mobilizam, prefeituras montam seus planos.

No entanto, na última década ocorreu uma notável degradação no centro desse sistema. Enquanto veículos regionais cresciam e ganhavam músculos, cada qual cobrindo sua realidade local, os veículos centrais entravam em grave crise de jornalismo.

Fui jurado do Prêmio Esso no seu cinquentenário. Me espantei com a diferença de qualidade das grandes reportagens. O jornalismo de reportagem, mesmo, já tinha saído do eixo Rio-São Paulo. Ótimas reportagens de jornais do interior de São Paulo, de Brasília, de Minas, de algumas capitais do nordeste. Com exceção de O Globo, nenhuma grande matéria de jornais do eixo Rio-São Paulo. Apenas factóides, dossiês.

Nos últimos anos, até O Globo perdeu completamente o antigo punch de reportagem que tinha. Tornou-se um jornal popular.

De todo esse núcleo central, apenas O Estadão manteve a qualidade jornalística. E a produção televisiva.

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Como consequência da guerra santa desfechada pelos jornais contra Lula, houve um curto-circuito em todo sistema de informações que deveria nortear a opinião pública.

Foram cometidos enormes erros de avaliação, como não perceber que o país não iria cair na crise global, não entender o alcance de programas habitacionais, não captar sequer os ventos da opinião pública. Hoje em dia, apenas 5% da população condenam Lula. No entanto, jornais e emissoras cuja especialidade maior deveria ser captar esses sentimentos, foram atropelados por uma opinião que se fez ao largo da velha estrutura midiática.

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A tragédia maior do fim do jornalismo ocorreu com a própria oposição.

Especialistas já alertavam que José Serra não teria chance em uma eleição presidencial, que a única possibilidade concreta seria uma chapa Aécio Neves-Ciro Gomes. Mas o centro do sistema ignorou os alertas e vendeu a falsa ideia de que Serra seria vencedor – baseando-se em pesquisas de ano atrás. A oposição será varrida do mapa devido às falsas análises que recebeu desse sistema de mídia velho, ancorado nos jornalões do eixo Rio-São Paulo.

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Daqui para frente, esse modelo muda. E os jornais regionais terão um papel relevante, com o predomínio que tem sobre o público de cada cidade.

No centro da formação do sistema de opinião, haverá outros agentes, que começam a crescer cada vez mais: blogs, grandes portais de empresas de telecomunicações, novos projetos de jornal online que deverão nascer nos próximos anos. 

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