As peripécias de Aécio na Cidade Administrativa, por João Filho

Jornal GGN – No Intercept Brasil, o jornalista João Filho analisa a delação de Benedicto Júnior, ex-executivo da Odebrecht, que disse que se reuniu com senador Aécio Neves (PSDB-MG), na época governador de Minas Gerais, para combinar as fraudes na licitação da Cidade Administrativa. A obra que custou mais de R$ 2 bilhões e que colocou a sede oficial do governo a 20 quilômetros do centro da capital mineira. 

O jornalista ressalta que, “quando pessoas de diferentes empresas narram o mesmo modus operandi dos pagamentos de propina, fica difícil não acreditar”, ressaltando que o depoimento do ex-funcionário da Odebrecht condiz com a fala de delatores de outros empreiteiras. 

 
João Filho também lembra que alguns setores da imprensa resistem bravamente com a blindagem ao tucano, como o Estado de Minas e o Jornal Nacional, da TV Globo, que “fingiu que nada aconteceu com Aécio nesta semana e dedicou 0 segundo para o caso”. 
 
 
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Do The Intercept

As peripécias de Aécio Neves no propinoduto da Cidade Administrativa

João Filho

IMAGINE QUE UM SIMPLES comerciante do interior de Minas Gerais tenha sido preso por participar de um esquema de vendas de habeas corpus para traficantes de drogas em conluio com um desembargador.

Imagine que este comerciante seja primo de um político responsável pela nomeação do desembargador que mais tarde se tornaria seu comparsa no esquema.

Agora, imagine que o comerciante e o desembargador tenham sido presos e que o Fantástico tenha feito uma excelente reportagem de quase 12 minutos sobre o assunto, mas não citou que o político em questão levava o nome de Aécio Neves (PSDB/MG).

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Não precisa imaginar mais nada. Tudo isso aconteceu entre 2011 e 2012. A possibilidade bastante factível de as digitais de Aécio estarem presentes no esquema nunca foi sequer cogitada pela polícia ou pela imprensa. Com todo esse carinho e proteção, o mineiro despontou na corrida presidencial de 2014 com um duro discurso contra a corrupção e, poucos meses depois, lideraria a oposição no processo que derrubou a presidenta eleita.

Essa é uma história real que pouquíssimos brasileiros conhecem. Por outro lado, muitíssimos têm certeza de que um dos filhos de Lula é proprietário da Friboi – um boato que ganhou tanta força que quem ousar contestá-lo corre o risco de ser ridicularizado.

Essa semana, o senador mineiro apareceu novamente na boca mole de um executivo da Odebrecht. Segundo a delação de Benedicto Júnior, ex-presidente da empreiteira, houve uma reunião com o então governador mineiro para combinar a fraude na licitação da construção da Cidade Administrativa – a obra mais cara e inútil dos 8 anos do governo do faraó mineiro. Foram despejados mais de R$ 2 bilhões na nova sede oficial, que fica a 20km do centro de Belo Horizonte, obrigando muitos servidores a gastarem quase duas horas para chegar na “Brasília mineira” – o que não chega a ser problema para os servidores que andam de helicóptero.

O esquema teria sido criado para favorecer as grandes empreiteiras. Segundo o delator, o governador indicava Oswaldo Borges da Costa Filho, conhecido como Oswaldinho, para tratar das propinas. Oswaldinho foi nomeado presidente da CODEMIG – estatal que financiou integralmente a obra –  por Aécio e é conhecido por tucanos e opositores como seu tesoureiro informal nas campanhas entre 2002 e 2014. Ele também foi dono de uma empresa de táxi-aéreo em sociedade com seu cunhado Clemente Faria (morto em 2012 em acidente aéreo), filho de Gilberto Faria, que foi padrasto de Aécio durante 25 anos. Foi com os jatinhos dessa empresa que Aécio viajou algumas vezes para Cláudio (MG), onde um aeroporto público foi construído dentro da fazenda de sua família e cujas chaves ficavam sob a responsabilidade do primo Quedo (sim, o mesmo que foi preso por vender absolvição para traficantes).
 

Você provavelmente já se perdeu nesse emaranhado de parentescos que aparelhou a coisa pública mineira, portanto, voltemos à caguetagem. Delações isoladas não provam nada, e Aécio tem se apegado a isso ao negar tudo. Mas quando pessoas de diferentes empresas narram o mesmo modus operandi dos pagamentos de propina, fica difícil não acreditar.  A última delação bate com a de outras empreiteiras que participaram do consórcio. Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, contou no ano passado exatamente a mesma história que o ex-executivo da Odebrecht: a propina era de 3% do valor dos contratos e foi paga para Oswaldinho. Segundo apuração da Folha, ex-executivos da Andrade Gutierrez também irão contar a mesmíssima história nas próximas semanas.

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Mas até blindagem sofre fadiga de material. Com tantas citações em delações nas costas, vai ficando cada vez mais difícil para os aliados de Aécio na imprensa segurarem essa barra que é gostar do mineirinho. Os detalhes das propinas na Cidade Administrativa foram apurados pela Folha e ganharam manchete de capa no jornal. Porém, ainda há na imprensa quem resista. O Estado de Minas, que se autointitula o “grande jornal dos mineiros”, escondeu a notícia em seu site sem oferecer nenhuma chamada na página principal. Nas edições impressas de quinta e sexta, nem vulto da notícia na capa. Parece que o fato de um ex-governador e senador mineiro estar sendo acusado de fraudar licitação na construção de uma obra faraônica não tenha sido a grande pauta de Minas Gerais dessa semana. Até a notícia “Internauta compara político ao ‘Dino da Silva Sauro’ e é condenado pela Justiça” ganhou chamada na página principal do site do jornal durante dois dias.

Já o Jornal Nacional continua funcionando normalmente. Assim como já havia ignorado quando o senador foi “discretamente” chamado para depor na Polícia Federal, o jornal televisivo de maior audiência do país fingiu que nada aconteceu com Aécio nesta semana e dedicou 0 segundo para o caso.

Bom, era isso o que eu tinha pra contar. Encerro lembrando que eleitores do mineirinho saíram às ruas para protestar contra a corrupção do governo Dilma vestindo uma camiseta com os dizeres: “Eu não tenho culpa. Votei no Aécio”.

6 comentários

  1. O povo mineiro merece…

    …elege um governador  e depois  senador  pra representar MG,  que mora no Leblon-RJ ???

    querem o quê mais???  Só se for  mais ferro do que já tem nas  alterosas !!!

    Cambada  de “povo de gado,  povo feliz ”  !!  

    • Minas Gerais segue como sendo

      Minas Gerais segue como sendo o único ente da Federação sem representantes na Câmara Alta. Um é CARIOCA, outro é DESPACHANTE DE LUXO do CARIOCA e um terceiro é FORNECEDOR do CARIOCA.

  2.  
    Pensando bem, vou concordar

     

    Pensando bem, vou concordar com o estafeta que cuida das picaretagens da pauta dos jornais da tv globo de trapaças. Que importância teria noticiar as peripecias de um ladrão vagabundo como esse mimado neto do falecido Tancredo? Qual a dificuldade que esse bosta já enfrentou na vida? Até para atuar na mais desbragada corrupçáo, esse FDP não necessita fazer o menor esforço, a irmã resolve, quando não, o Perrela, o Oswaldinho…assim vai o desocupado flanando na vida sem fazer porra nenhuma. Deixa esse inútil cheirar até perder as ventas.

    Orlando

     

  3. Pausa para o mantra: O

    Pausa para o mantra: O Aócio(DEPENDENTE CÍNICO DAS DROGAS DA DISSIMULAÇÃO E DO ENGODO) é, sem dúvida, o político mais NEFASTO e CANALHA que Minas já produziu.

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