As relações da PM e da grande mídia nas manifestações contra a tarifa

Jornal GGN – Nesta quinta-feira (29), a capital paulista foi palco de mais uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público e em prol da pauta do passe livre universal, bandeira do MPL (Movimento Passe Livre). E mais uma vez a atuação da Polícia Militar ajudou a diversos veículos de comunicação registrar os momentos de confusão, enviesando o debate como se apenas depredação e desacato às autoridades policiais tivessem tomado conta das ruas.

Um relato de quem esteve próximo aos fatos destaca que a PM de Geraldo Alckmin, patrimonialista, não impediu que monumentos fosse pichados para ajudar à grande mídia com o dicurso de manifestações públicas em São Paulo não passam de baderna. Ao mesmo tempo, os jornalistas se comprometem em aceitar os dados oficiais sobre o número de manifestantes no local, para esvaziar a grandeza do ato. 

PM deixou monumento ser pichado, mas protege patrimônio privado

Por Arthur Gangini
 

Os policiais na foto à direita são parte do efetivo que assistiu sem reação a alguns manifestantes picharem o Monumento às Bandeiras. Isso aconteceu segundos antes do momento capturado após a conclusão do 6º protesto contra o aumento da tarifa em São Paulo, nesta quinta-feira (29).

A reação se opõe a como a polícia militar tem protegido o patrimônio privado nas manifestações (vide foto à esquerda) ao se posicionar com escudos e viaturas na frente de bancos e concessionárias de veículos. A imagem é da 3º manifestação (aqui).

Os atos de “vandalismo”, por sua vez, tem sido coberto com destaque pela mídia, mesmo quando ocorrem geralmente após o término dos protestos e por poucas pessoas. É o tipo de informação que só tem chegado ao conhecimento das pessoas presentes no local ou que assistem coberturas alternativas pelas redes sociais e por streaming.

Os títulos de notícias dos portais de notícias dos dois principais jornais do país demonstram o cenário: “Monumento às Bandeiras é pichado durante ato contra as tarifas em SP” (Folha) e “Ato contra tarifa mira Haddad e acaba em depredação” (Estadão).

A matéria em papel da Folha também não apresentou diferença de foco: “Ato contra tarifa acaba em pichação a monumento” (Folha). A notícia online do Estadão também foi publicada em sua edição impressa.

A cobertura da imprensa também tem demonstrado dar mais para credibilidade para um dos lados presentes nas manifestações. Um item nesse quesito consiste em como são noticiadas as estimativas do número de pessoas nos protestos, vide trecho da reportagem do Estadão: “Ontem, cerca de mil manifestantes, segundo a polícia, tiveram autorização para atravessar a Paulista – o MPL fala em 10 mil.” 

Manifestantes presentes nos atos riem das estimativas oficiais.

A análise da cobertura, precisa abarcar vários veículos para ser mais generalizada, mas abre discussões para os motivos da transformação de protestos pacíficos em atos de vandalismo com o destaque para atos isolados: a) posicionamento editorial contrário aos protestos, b) apoio ao Governo Alckmin, c) dificuldade para cobrir as manifestações por inteiro, d) grau de noticiabilidade dos atos de depredação e e) até mesmo preguiça de reunir e sintetizar os fatos de forma mais neutra, neutra e profunda, o que é a função do jornalismo e o que sustenta a sua credibilidade.

Fotógrafo ou “P2”?

Um fotógrafo, que se identificou como Gustavo e freelancer da Futura Press, começou a chamar a atenção ao reclamar, após o fim do ato, que sua máquina fotográfica havia sido quebrada por manifestante.

Ele atraiu uma roda de jornalistas e afirmou, então, para essa, que o MPL (Movimento Passe Livre) incita a violência.

Um manifestante estranhou a história e perguntou se ele era um “P2” (policial infiltrado que simula casos de vandalismo e colhe informações). O homem negou e a roda se dispersou, o que causou a suspeita de alguns manifestantes.

Fotos abaixo mostram outros momentos curiosos como um policial comendo uma coxinha após o protesto – salgado que serve de apelido aos policiais – e outros pms indo embora de ônibus com manifestantes após o protesto. Todos tiveram que pegar a passagem de R$ 3,50.

A manifestação desta quinta começou no vão do Masp e terminou no Monumento às Bandeiras, perto da Assembleia Legislativa e do Parque Ibirapuera, após passar e parar em frente à casa do prefeito Fernando Haddad no Paraíso, na zona sul.

Confira fotos e vídeos do protesto desta quinta-feira (29) clicando aqui.

1 Comentário

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Hamilton

- 2015-01-30 15:03:22

Quem ganha mais ganha com o passe livre?

Os empregadores, especialmente os grandes, que gastam mensalmente altas cifras com o pagamento do vale transporte de seus funcionários.

Com o passe livre, os valores por eles gastos, passará a sair do orçamento da prefeitura.

Para vocês verem o que juventude e ociosidade podem produzir.

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