A segunda onda, por Gustavo Gollo

Em França, a primeira onda de covid-19 atingiu seu pico no primeiro dia de abril, com 4537 novos casos diários, na média semanal. Uma semana depois, em 8 de abril, os franceses colheram o funesto resultado do triste recorde, na forma de 975 óbitos diários, na média semanal.

De abril em diante, os franceses conseguiram reduzir o avanço de novos casos, diminuindo a quantidade de óbitos e consequentemente achatando o número de mortes diárias para um valor próximo de zero.

A ressurgência do vírus dá-se agora muito mais intensamente, constituindo uma segunda onda ainda crescente que já chega quase ao dobro do valor de pico da primeira onda.

A expectativa gerou temores de que as mortes se sucedessem de modo ainda mais drástico, dado um esperado abarrotamento do sistema de saúde. Muito felizmente, a tenebrosa expectativa não se confirmou. Surpreendentemente, a avassaladora montanha de novos casos tem causado uma quantidade ínfima de óbitos, durante a segunda onda. O enigmático fenômeno tem se repetido por toda a Europa.

Paradoxalmente, o alívio causado pela constatação contrasta com a apreensão sobre as estatísticas da primeira onda. Terão acontecido tantas mortes e o vírus terá abrandado e perdido a letalidade? Ou as mortes iniciais consistiram em um artefato metodológico decorrente de exagero nas precauções? Os novos dados tornam essa possibilidade muito mais assustadora que o vírus.

Seja qual for a resposta, o drástico abrandamento da segunda onda sugere fortes mudanças no modo com que a epidemia vem sendo encarada.

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