Cientistas sociais que não são cientistas nem sociais.

Cada vez me irrito mais com os chamados cientistas sociais, que na realidade não se baseiam na ciência e não entendem o principal, a política.

André Singer, com um olhar surpreso começa a dizer que o Lulismo vai acabar porque o Bolsonaro está assumindo a pauta de auxílio emergencial aos mais pobres.

Pobre de espírito e de inteligência são esses cientistas socais que não entendem nada de política, o desempenho da esquerda nessas eleições será pífio, mas não pelo desempenho do Bolsonaro, mas sim pela incapacidade de esses terem uma profundidade política maior do que um pires.

O raciocínio desses cientistas sociais parece de quem assiste novela de TV, de um lado tem os Bonzinhos e do outro tem os mauzinhos. Bolsonaro faz parte dos mauzinhos e Lula dos bonzinhos, como os bonzinhos fizeram bondades aos pobres eles ganharam apoio desses e se o mauzinho fizer as mesmas bondades do Lula ele ganhará o eleitorado do bonzinho.

Bota raciocínio binário e fantasioso, porém é necessário entender como homens que deveriam ter uma formação melhor e entender os processos políticos chegarem a esse nível extremamente baixo de conclusão. A razão dessa incompetência tem que ser procurada na falta de uma elaboração um pouquinho (não muito) elaborada da política.

Regimes de direita são de direita não porque eles gostem de explorar os pobres e baixar o porrete nas suas costas, eles são de direita porque eles atendem os anseios e a necessidade dos donos do Capital. Os regimes ditos de esquerda por outro lado dão prioridade a base da pirâmide, os mais de esquerda expropriam os meios de produção das mãos dos capitalistas e os mais à esquerda ainda, colocam diretamente sobre o controle dos operários. Nada é regido por carácter religioso ou moral, alguns poucos direitistas agem por convicções outros por conveniência de classe e muitos por ignorância, há alguns que agem por prazer em ver outros sofrerem, porém atribuir ao governo Bolsonaro um aspecto diabólico é algo extremamente infantil e dualista. Em resumo, governos de direita são movidos por interesse econômico e não por taras ou psicopatias.

A visão mais religiosa do que científica, política e racional, deveria ser exorcizada da cabeça de pessoas mais comprometidas com uma política solidária que caracteriza o que se intitulou de esquerda, porém essa esquerda também não pode cair no raciocínio maniqueísta que nós somos os bons e os outros são os maus, principalmente quando embalado por discursos mais politizado sobre as tendências fascistas do atual governo.

Toda esse discurso fascista esquece das características do fascismo, que possuía um discurso populista e uma prática pró mercado, logo ficam surpresos quando governos de tendência fascista na medida que o grande capital permite para tentar abafar a luta de classes fazem agrados temporários as classes mais despolitizadas através de benefícios que não impliquem numa perda de poder político e econômico da grande burguesia. O aumento dos soldos e benefícios dos oficiais superiores das forças armadas, um fornecimento de algum recurso de emergência no início de grandes crises ou mesmo alguns programas sociais que deem mais benefícios ao grande capital do que aos que deveriam ser beneficiados confundem não só os mais despolitizados na base como incrivelmente os “cientistas sociais” que se acham de esquerda, que hoje classificam-se como progressistas.

A falta de uma política de mobilização das massas mesmo durante os governos “progressistas” do PT, que eram praticamente anestesiadas por um discurso do próprio Lula em que o mesmo colocava ao mesmo nível a garantia de três refeições por dia a possibilidade da redenção social dos mais beneficiados desses extratos inferiores transformando-os em “doutores” em medicinam, engenharia ou até em ciências sociais. Esse discurso “ad nauseam” dos “doutores” criando um conceito de uma elite baseada na meritocracia dos mais pobres que eram beneficiados com cotas, levava ao sentimento que tudo isso era uma deferência de um governo aos mais necessitados, não simplesmente um resultado de uma luta política que levou ao governo uma fração política interessada num programa mais social do que meramente de enriquecimento dos mais ricos.

O discurso patriarcal de uma parte da esquerda, geralmente a denominada esquerda progressista e não revolucionária jamais foi adotado pelo PT, sem ser na sua origem, nem por Lula nem principalmente pela nova geração de políticos orgânicos criados no rastro dos seus governos. Lula se distanciou dos movimentos sindicais que lutavam por melhores condições de trabalho e os políticos da atual “esquerda progressista” caem na mesma conversa mole dos políticos de direita que “eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo”.

A única coisa que os verdadeiros partidos de esquerda e os militantes de partidos de esquerda deverião dizer e fazer é não impedir que as reinvindicações das classes proletárias sejam impedidas a serem resolvidas, porque contrariam os benefícios da burguesia, se adotassem esse caminho não teriam medo do que façam ou que venham fazer os governos comprometidos com o capital.

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