É possível sentir orgulho de ser LGBT?

Por Victor Varela, da agência Saiba Mais

Em outras datas do ano ou, melhor, em cada dia do nosso cotidiano, sempre é tempo de denunciar a LGBTfobia e lutar contra as demais opressões e o processo de exploração que submetem nossos corpos e força de trabalho. No mês de junho e, em especial, no dia 28 de junho, é um pouco diferente: a expectativa é que reafirmemos o orgulho de ser LGBT. Mas, diante de tantas dores, é possível enxergar as cores e sentir orgulho de ser LGBT?

Orgulho é um sentimento de satisfação pela capacidade de realização que se sente por si ou por outras pessoas. Pode ser desdobrado como algo positivo, uma espécie senso de justiça e reconhecimento pelo que conquistamos. Mas também pode ser avaliado como algo negativo, listado pela moral cristã como um dos sete pecados capitais, como algo desproporcional que se confunde com vaidade, ostentação e egocentrismo. É claro que estamos falando do primeiro sentido do orgulho quando falamos de orgulho LGBT.

Sentir e expressar orgulho de si ou de alguém por uma realização quando se tem uma vida de oportunidades, direitos garantidos e privilégios é fácil e, apesar de poder ser legítimo, não dificilmente, pode se configurar como autopromoção e ofensa para quem não teve as mesmas oportunidades. Sentir orgulho de realizações de si ou de alguém depois de uma vida de exclusão, opressão sobre nossos desejos, sexualidade, afetividade, corpos e identidades, violação de direitos e violência é totalmente diferente. Para nós LGBT, as vitórias alcançadas são como conquistas arrancadas à força depois em uma estrada chamada vida, cheia de pedras, espinhos, correntes, mordaças e abismos.

Por isso, Junho não é só tempo de festejar o São João.

Para mim, é tempo de sentir orgulho das dezenas de trabalhadoras, trabalhadores e jovens com quem construo o movimento LGBT, principalmente o Coletivo LGBT+ Leilane Assunção e as tantas lutas que temos travado.

É tempo de sentir orgulho por carregarmos nesse Coletivo o nome e a história da professora e lutadora Leilane Assunção, pela forma como ela se dedicava à educação, por ter encarado de frente não apenas as lutas do movimento LGBT, mas também as lutas anticapitalista e antiproibicionista e, ao mesmo tempo, por sua formação e sobrevivência.

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