Especialistas, informação e dominação, por Gustavo Gollo

O controle da informação é um dos pilares da dominação; impossível conter uma turba desinformada, sendo absolutamente necessário adestrar o rebanho a seguir ordens.

Em vista disso, durante o século XX, os poderosos do mundo, conhecedores práticos dos mecanismos de dominação, aperfeiçoaram o controle dos meios de comunicação tradicionais, angariando com isso o poder de definição, tanto das pautas, quanto dos pontos de vista impingidos ao público. Conseguiram isso, simplesmente, alinhando os meios de comunicação aos seus pontos de vista através do financiamento de pautas e vieses que lhes conviessem, e da sustação de informações e fontes que lhes desagradassem, cortando financiamentos dos que a isso ousassem. Normas eficientes são sempre banais.

O surgimento da internet, no entanto, trouxe possibilidades de comunicação anteriormente inexistentes, alterando a antiga sistematização. Em vista disso, já há algum tempo, a veiculação de ideias e notícias através das redes sociais vem ameaçando a hegemonia da informação por parte dos financiadores dos grandes meios de comunicação, dando voz, eventualmente, a pessoas fora do esquema tradicional.

A hegemonia da informação é extremamente cara aos poderosos, sabedores de que sua perda – coisa inadmissível – redundará inexoravelmente em seu alijamento do controle do mundo.

Essa admissão tem levado os poderosos a difamar e desautorizar todas as fontes de informação que não estejam sob o seu jugo. Em consequência, temos visto agora uma campanha bastante cerrada contra informações não advindas dos grandes meios de comunicação, e uma forte pressão para a desautorização dos que não sejam financiados pelo grande capital.

Um instrumento criado recentemente com esse propósito são as ditas “agências de checagens de fatos”, sites financiados pelo grande capital para garantir-lhes a exclusividade de determinadas informações.

Grandes mentiras, tornadas versões oficiais dos fatos e veiculadas por todos, não são objeto de checagem dessas tais agências quando agradam aos poderosos, mesmo as mais descaradas.

Vejamos a que ponto tem chegado o descaramento das mentiras oficiais.

Caso das manchas de óleo

Foi amplamente veiculada a mentira de que o petróleo que emporcalhou a costa brasileira teria sido originado do vazamento de um navio. Nenhuma agência checou essa mentira cujo descaramento fica evidente tanto pela vastidão da extensão – do Pará ao Rio de Janeiro, mais de 1.000 localidades foram atingidas diretamente –, quanto pela duração da tragédia, iniciada no final de agosto e que se estende até hoje, com a chegada de óleo nas praias após cada ressaca.

A quantidade gigantesca de petróleo vazada necessária para causar tamanho dano teria sido proporcional à de milhares de navios petroleiros, constituindo-se no maior desastre ambiental marinho causada por petróleo no mundo, talvez o maior de todos os desastres marinhos, se é possível compará-lo com o desastre nuclear de Fukushima.

As agências não checaram as informações da Marinha Brasileira de que as notificações de óleo no Pará não decorriam do mesmo vazamento, – a marinha negou que o petróleo notificado no Pará tivesse a mesma origem, mas nem ao menos investigou de onde teria vindo –, nem pediram esclarecimentos sobre a longa operação de limpeza realizada pela marinha ao longo das praias paraenses notificadas.

A ditas agências de checagem, também permitiram o descaramento de que o petróleo nas praias teria vindo da Venezuela.

Em meio ao festival de mentiras que assolou o noticiário enquanto a maré negra emporcalhava a costa brasileira, as agências de checagem acabaram sendo cúmplices na omissão da ocorrência de um mega vazamento ocorrido em poço de perfuração de petróleo.

Bastaria, por exemplo, ter checado a falsa informação, certamente paga, divulgada no Fantástico, inferida através de uma amostra de petróleo do Brasil, e outra do Oriente Médio, de que o óleo era venezuelano. Tóin!

As pessoas que fizeram a análise apresentada na Globo devem saber de que poço originou-se o petróleo das praias.

Resultado que demonstraria a procedência venezuelana do óleo não compara com amostras da Venezuela Resultado que demonstraria a procedência venezuelana do óleo não compara com amostras da Venezuela

Fica claro que parte das centenas de bilhões de reais economizados com as multas gigantescas que teriam sido imputadas à companhia petroleira responsável pela catástrofe, financiou a compra de meios de comunicação, agências de checagem, presidente da república, deputados de CPI, pesquisadores da área, uma festa. E assim, os poderosos donos da companhia petrolífera conseguiram ocultar o acidente descomunal sem precedentes em todo o planeta, transformando-o no vazamento de óleo de um barco, mágica equivalente a esconder um elefante embaixo de um tapete.

Esse caso ilustra muito bem tanto a idoneidade quanto a credibilidade que devemos atribuir às notícias veiculadas por nossos meios de comunicação.

Marielle

Outro caso bizarro de enganação conjunta realizado pelos meios de comunicação no país, polícia e Ministério Público consiste na omissão sub reptícia do segundo carro que teria sido utilizado pelos assassinos de Marielle, durante a execução.

Embora amplamente noticiado, a princípio, e pressuposto durante a reconstituição cinematográfica do crime realizada pela polícia, o segundo carro foi, simplesmente, esquecido posteriormente, permitindo a sustentação da hipótese do “lobo solitário” que teria idealizado e executado um crime de ódio.

As plaquetas numeradas postas no local do crime para sinalizar as posições onde as cápsulas das balas foram encontradas provam que um carro interceptou o de Marielle, obrigando-o a parar, tornando-a um alvo fixo para o atirador que chegava logo em seguida. Caso as rajadas tivessem sido disparadas de um carro em movimento, as cápsulas teriam se dispersado amplamente pelo asfalto, e espalhadas, em seguida, pelo tráfego local.

A obstinação com que tantos se recusam a admitir a utilização de 2 carros no crime sugere que a identificação da placa do segundo carro leve diretamente a um dos criminosos. A milícia encontra-se profundamente entranhada em todas as instâncias citadas anteriormente.

O coronavírus

Durante o início do surto do COVID-19, especialmente, houve uma fortíssima campanha pelo monopólio da informação oficial, baseada em mentiras aterrorizantes como a espalhada pelo Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde de uma altíssima letalidade – muitíssimo superior às estimativas atuais e completamente injustificada –, para a doença.

A mentira alarmante tinha por objetivo convencer governos e populações do mundo inteiro da necessidade de implantação do estado de sítio por todo o planeta.

Quando a admissão da estratégia de confinamento já era fortemente majoritária, o surgimento do argumento do achatamento da curva de contágio do vírus acabou por convencer a maioria dos recalcitrantes, tornando quase consensual a admissão do toque de recolher, defendido acirradamente pelos meios de comunicação.

Essa adição de racionalidade à argumentação favorável ao confinamento tornou sua admissão quase impositiva.

Um detalhe, no entanto, foi pouco notado, no caso. O argumento do achatamento da curva não surgiu de autoridades médicas, ou de saúde, mas de estatísticos, e transladou os principais debates sobre a questão, da área de saúde para especialidades relativas a números e tabelas, uma vez que a discussão relativa implantação do isolamento via-se balizada pelo achatamento da curva.

Pouco interessados em racionalidades, os meios de comunicação têm desprezado esse fato, buscando autoridades da área de saúde quando, deveriam informar o público sobre o que pensam estatísticos e outros afeitos a dados numéricos.

Esse equívoco, aliás, faz lembrar um dos motes do momento: a necessidade de atentar às informações dadas por especialistas, e esquecer pitacos de blogueiros e outros.

Quanto a mim, confesso minha aversão a dogmas, venham eles de especialistas ou de quaisquer outros. Consonante a isso, recomendando atentar sempre às argumentações que fundamentam qualquer ponto de vista, desprezando suas fontes. Penso que mais valha uma informação bem fundamentada, qualquer que seja sua origem, que um dogma proferido por um especialista, por maior que seja sua autoridade. Relevo as opiniões de especialistas sobre as dos demais apenas quando não compreendo a temática em debate. Se a compreendo, julgo-a por mim mesmo, analisando e sopesando os argumentos.

Ignorância e ridículo

Tem sido pouco notada a comicidade da situação em que têm se metido os meios de comunicação, levados pelos poderosos a insistir na importância de se atentar às autoridades, em detrimento de opiniões gerais não abalizadas.

Certa ignorância, típica de nossos tempos, leva os redatores dos meios de comunicação, a buscar especialistas oriundos da área de saúde, mesmo tendo as discussões fundamentais sido transladadas para questões relativas a dados e curvas de infecção, dos quais esses especialistas nada entendem, incapazes de perceber, por exemplo, a maquiagem gritante efetuada sobre os dados da Itália.

Assim, instados a apresentar as opiniões abalizada dos especialistas, e negar todas as outras, os meios de comunicação levam ao público uns dogmas ingênuos de especialistas de outras áreas, tão absurdamente alheios ao tema, que nem ao menos percebem não se tratar, aquela, de sua área. Muitos desses especialista não sabem, nem ao menos, haver especialistas daquelas áreas sobre as quais estão a dar pitados descabidos. Coisa típica de especialistas, aliás.

Os que conseguirem enxergar tais fatos compreenderão o ridículo da situação e sua comicidade.

O momento é propício a reflexões sobre o poder que nesse momento insiste na importância da autoridade.

“Argumentos de autoridade” são classificadas entre as falácias pelos lógicos, não constituindo bons argumentos racionais. Sabiamente, os lógicos – existem tais criaturas –, recomendam que se atente à forma como a argumentação conduz a determinada conclusão, não em quem a sustenta.

Apesar de possíveis objeções orwellianas, 2+2=4, e a razão nunca se curva ao poder.

Contrapondo-me aos poderosos e seus arautos, os grandes meios de comunicação, recomendo não engolir os dogmas propostos por autoridades, mas a sopesar os argumentos que os sustentem, admitindo os que sejam racionalmente justificáveis.

Também acredito que os meios de comunicação financiados pelo grande capital preocupam-se muito mais em se alinhar a seus financiadores que à verdade, e não se furtam a veicular as mais descaradas mentiras, se pagos para isso.

O preconceituoso site do Wuhan Coronnavírus, referência sobre o COVID-19, segundo a Organização Mundial de Saúde

Conclusão

O absurdo das medidas que todo o ocidente está sendo compelido a tomar, assim como as mentiras e omissões sucessivas que o sustentam, me levam a crer estar em curso uma insana estratégia de opressão. Penso estarmos sendo tangidos a um estado de sítio generalizado, enquanto vão nos acostumando a um confinamento absurdo como parte de um plano malévolo que resultará em nosso empobrecimento e perda de direitos inalienáveis.

Creio nisso em decorrência das mentiras utilizadas para justificar as medidas já em vigor, como a alta letalidade do vírus – já amplamente desmascarada –, e o período planejado para o confinamento – muito mais longo que o que, falsamente, nos induzem a crer.

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