Longe de casa, o Homem-Aranha visitou Brasília virtualmente


O planeta está sendo atacada por seres elementais monstruosos. Vindo de outra dimensão, um novo herói apareceu para salvá-la. Mas ele precisa da ajuda do Homem-Aranha. Entretanto, Peter Parker vai sair de férias. A maior preocupação dele no momento é seguir o plano que elaborou para conquistar uma garota, Então ele dá um perdido em Nick Fury e se manda para Europa.

Nick Fury localiza Parker na Europa e consegue convencê-lo a trabalhar junto com Mysterio. Após combatem um elemental de água em Veneza e outro de fogo em Praga. Após o combate na República Tcheca, o Homem-Aranha não se sente suficientemente capaz de ser o guardião de um presente que recebeu do Homem de Ferro. Ele o entrega ao novo herói. É nesse ponto que o filme realmente começa.

Mysterio não é um herói. Ele é apenas um super-vilão que utiliza recursos tecnológicos sofisticados para criar cenários em que irá parecer heroico. O objetivo dele na Europa não era salvar ninguém e sim enganar Peter Parker para conseguir o controle da tecnologia que o Homem de Ferro colocou à disposição do Homem-Aranha. De posse dela, Mysterio segue para a Inglaterra. O vilão pretende realizar um show ainda maior em Londres para ser mundialmente aclamado como o substituto dos Vingadores.

Apesar de ser aparentemente despretensioso e até mesmo ingênuo, “Homem-Aranha: Longe de Casa” pode ser considerado o mais politizado de todos os filmes de super-heróis. Os temas centrais da obra são: a) as Fake News; b) o perigo e as tragédias que as ilusões socialmente compartilhadas podem causar no mundo em que Peter Parker e seus amigos vivem.

O filme em questão pode ser utilizado para ensinar o cinéfilo a refletir sobre as condições dinâmicas e instáveis em que nós vivemos. Ao associar o que ocorre em “Homem-Aranha: Longe de Casa” ao seu próprio cotidiano, o espectador pode se tornar consciente dos perigos e dos danos reais que as mentiras repetidas à exaustão podem causar. Espalhadas de maneira viral e virulenta até se tornarem “realidades alternativas” socialmente compartilhadas, as Fake News estão causando o ressurgimento de epidemias de doenças que estavam sob controle (movimento anti-vacina), provocando surtos de violência coletiva, ajudando a eleger líderes políticos bestiais e alterando o funcionamento dos Sistemas de Justiça.

Mysterio, o vilão do filme comentado, é tanto um duplo cinematográfico de Donald Trump quanto de Jair Bolsonaro e de Sérgio Moro. O objetivo do personagem e de seus principais doppelgängers é existir num mundo em que a ficção substitui a realidade enquanto a segurança e as condições de vida de todos os outros (sejam eles personagens do filme ou cidadãos norte-americanos e brasileiros) se deterioram à medida que “realidades alternativas” passam a ser aceitas e vivenciadas como se fossem reais.

Donald Trump encena guerras externas para não discutir temas políticos importante para os norte-americanos como a universalização da assistência médica e o aumento dos salários pagos aos trabalhadores norte-americanos. Jair Bolsonaro e seus filhos espalham mentiras sobre uma Reforma da Previdência que vai empobrecer a população brasileira e preservar as aposentadorias privilegiadas dos juízes, procuradores, legisladores, militares, governadores e prefeitos.

Elevado à condição de herói nacional pela imprensa, Sérgio Moro conduziu processos de maneira ilegal, fraudulenta e até criminosa. A Lava Jato destruiu a economia brasileira e conseguiu atingir seus dois principais objetivos políticos (impedir Lula de disputar a eleição presidencial e levar o juiz lavajateiro ao centro do poder político).

Para derrotar Mysterio o Homem-Aranha precisa parar de acreditar nos cenários ilusórios que ele cria utilizando recursos tecnológicos sofisticados. A tarefa do herói cinematográfico não é nada fácil. A nossa tarefa de recuperar o controle do destino do Brasil está sendo facilitada pelo The Intercept, pois o website do jornalista norte-americano revelou as entranhas nauseabundas e ilegais do processo do Triplex.

Se fossem realmente espertos ou poderosos, Jair Bolsonaro e Sérgio Moro teriam proibido a exibição de “Homem-Aranha: Longe de Casa” no Brasil. O problema é que eles não poderiam fazer isso sem comprometer o apoio condicional que recebem da Embaixada dos EUA.

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