O que poderia o atual governo copiar da experiência da política econômica de Mussolini.

Muitas pessoas ficaram assustadas com o aumento da popularidade do atual governo com o efeito da ajuda de 600 reais, pois nunca consideraram a possibilidade da mudança de política econômica de Guedes, pois escrevi aqui no GGN um artigo denominado “A política econômica do fascismo italiano.” Com o artigo mostro que o fascismo pode sim modificar de política econômica sem abrir mão da sua essência como fez Mussolini durante os seus 19 anos de poder.

Agora vou ir um pouco mais adiante, mostrar que o atual governo tem margens de manobra que pode permitir durante um bom tempo, certamente não 19 anos (e direi o porquê), mas achar que essa política fascista se encerra antes de 2022 é um autoengano da oposição de esquerda, logo desenvolverei os caminhos que um fascismo brasileiro poderia durar até próximo de seis a sete anos (mais que quatro, menos que dez). Logo vamos as analogias possíveis e as vantagens e as desvantagens sobre a Itália fascista que o Brasil possui.

Vantagens e desvantagens de um Brasil fascista sobre a Itália de Mussolini.

Como explicado no artigo sobre a economia fascista italiana, a Itália tinha uma forte dependência externa de produção agrícola, uma indústria pequena e um mercado consumidor limitado. Como podem ver essas condições não se reproduzem igual nos dois países, pois em termos de produção agrícola o Brasil é um dos maiores produtores mundiais. A nossa indústria é relativamente pequena para as dimensões do Brasil, mas o nosso mercado interno é muito maior. Até aqui as condições para uma economia forte são extremamente favoráveis, também em termos de recursos naturais, como petróleo, minério de ferro e outros minerais estratégicos a situação do Brasil é muito mais favorável do que tinha a Itália fascista nos anos 20 e 30 do século passado, porém há somente uma forte limitação que teria que ser resolvida mudando exatamente a política que está sendo levada até esse momento, o problema tecnológico e as restrições internacionais a imposição de barreiras alfandegárias que são hoje quase um dogma de fé e principalmente depois que o Brasil numa diarreia mental do nosso ministro de relações exteriores abriu mão de país subdesenvolvido.

Logo para dar a mesma virada de rumo que o governo de Mussolini deu em 1926 seria necessária uma maxidesvalorização da moeda (sentido contrário do que foi feito pelo governo fascista italiano) para inibir a importação de produtos industrializados. Isso poderia ser feito no Brasil pois como não dependemos do mercado externo para ter segurança alimentar, porém aqui começaria o primeiro problema com a base eleitoral do atual governo, teria que ser introduzido um forte imposto nos produtos agrícolas para não internalizar a inflação. Como a nossa indústria tem uma defasagem tecnológica com a indústria internacional, não seria necessário a introdução da mesma taxação para ela que deveria sofrer o setor agrícola.

Essa taxação extra de produtos de exportação poderia ser utilizada para suporte de planos de P&D para vencer o gap tecnológico existente entre a indústria brasileira e a internacional, mas o investimento em pesquisa e desenvolvimento deveria ser intenso e apoiado por países fora da órbita das economias imperialistas dos países do ocidente. Ou seja, haveria uma espécie de rompimento com o imperialismo internacional e ocidental, algo semelhante entre o fim da segunda fase da economia fascista.

Quanto a repressão aos trabalhadores, como em questão de produtos básicos, que poderiam ser todos produzidos no Brasil, não imporia a um governo fascista brasileiro nenhuma necessidade de ampliação do fechamento de liberdades políticas além da proibição de partidos formais e imposição de partido único, pois poderiam ser possível uma melhora substantiva da qualidade de vida da população mais pobre, por exemplo, um plano de melhora da educação, da saúde e do saneamento ambiental e moradia seriam bem vindos para o êxito da indústria pesada nacional. O grande problema é exatamente essa última palavra, a redefinição rigorosa de indústria nacional que permitiria a criação de nichos específicos para ela.

Talvez o maior problema de um governo fascista no Brasil seria a necessidade dele ser realmente nacional, pois muitos laços com o imperialismo internacional teriam que ser rompidos e não acredito que o governo tenha intensão disso, pois amplas camadas das chamadas classes médias superiores, teriam perdas de qualidade de vida devido a restrições de importações tanto por legislação como por subvalorizarão da moeda formariam uma forte oposição das classe médias a um plano desse tipo.

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