Pandemia e medo, por Gustavo Gollo

Um grupo de cientistas espanhóis anunciou ter detectado o novo coronavírus no esgoto de Barcelona em amostras de março de 2019. O estudo parece bastante preciso e já tem confirmações parciais na Itália e em Florianópolis, onde testes análogos revelaram o vírus em amostras anteriores às datas previamente aceitas para o início da epidemia nesses locais.

A informação é bombástica, significa que, por pelo menos 1 ano, o vírus andou circulando pelo mundo sem qualquer controle. Lembremos que o isolamento só começou a ser implantado na Itália e Espanha em março de 2020.

A notícia contrasta fortemente com as expectativas anteriores e sugere de imediato a pergunta: por que o surto hospitalar só se manifestou um ano após o surto real?

Uma hipótese absurda inverte radicalmente nossas expectativas tradicionais: o surto hospitalar teria sido disparado pelos meios de comunicação, só secundariamente pelo vírus. Nesse caso, o vírus teria circulado natural e serenamente por todo o ano de 2019 até os chineses o perceberem e soarem o alarme, no final do ano, abrindo caminho para o surto nos meios de comunicação; deles para os hospitais.

Nesse o caso, o surto hospitalar teria sido decorrente do surto nos meios de comunicação, não o contrário.

Tamanho absurdo chega a ferir nosso senso de racionalidade: epidemias são causadas por agentes infectantes, como vírus, não por meios de comunicação.

A sensatez de tal ponderação imporia sua compulsoriedade caso se dispusesse de qualquer hipótese plausível em alternativa. A inexistência de outra, no entanto, nos compele a engolir o paradoxo.

Caso novas confirmações por todo o mundo eliminem os últimos resquícios de dúvidas que ainda pairem sobre o estudo espanhol, seremos forçados a concluir termos apenas menosprezado o poder do medo.

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