Porque não acredito em assombração e Golpe de Estado dado pelo Bolsonaro.

Muitos articulistas envolvidos no dia a dia da política estão fazendo um verdadeiro terrorismo contra as pessoas mais sensíveis que tem alguma tendência de esquerda e pouco conhecimento político da história sobre um provável Golpe de Estado que possa ser dado pelo atual ocupante da cadeira da presidência da república a partir das bravatas da famiglia miliciana e seu entorno. As declarações de algum dos “figlioli” do grande pai miliciano sobre uma volta ao AI-5, deixou em polvorosa muitas pessoas. Porém um clássico golpe de estado estável, que não seja uma mera quartelada (das muitas que existiam antes de 1964) fadada a desaparecer e ficar mais na notas de rodapé dos livros de história do que no texto principal, como isto contraria os temores de setores mais democráticos no país vamos discorrer longamente sobre o porquê da inviabilidade de um Golpe de Estado tradicional como o de 1964, e para tanto vamos subdividir os texto em itens.

  • 1)      As Ameaças.

Um dos “figlioli do atual ocupante da cadeira da presidência da república manifestou-se de um possível golpe militar como o de 1964 para garantir a posição do “pater famigias” (um nome meio impróprio pois em latim representa o líder indiscutível de todo o clã, e o indiscutível é discutível) na posição de ocupante da presidência da república.

Devido a ignorância histórica de todo o clã, o rebento do chefe pronunciou uma bravata que dizia ser necessário a imposição de um novo AI-5 (ato institucional nº5) numa leveza como dizer que tinha que sair da sala para ir ao banheiro.

Logo após isto, um caquético general de pijama, que lá no passado chefiou algumas tropas, disse que dever-se-ia pensar como isto teria que ser feito.

Passado isto, muitos desmentidos foram feitos e ele voltou a repetir o mesmo discurso.

O problema é que se estes indivíduos conhecessem um pouco de história, não das lendas sobre a história que são contadas em grupos de extrema direita, veriam que nada é tão simples assim, nem há nenhuma semelhança entre 1964 e 2019 sem ser a vontade de golpear de setores da vida nacional.

  • 2)      O golpe de 1964 e o AI-5.

Para não ficarmos dizendo bobagens vamos aos fatos que ocorreram em 1964 e os anos anteriores que levaram e deram apoio ao golpe.

2.1) O cenário Internacional em 1964.

Durante a época do golpe de 1964 vivíamos sobre o espectro global da chamada Guerra Fria, em que o poderoso Estados Unidos dava as cartas no chamado “mundo livre” (Não sei livre do que?) e a economia norte-americana era de longe a mais forte e pujante do mundo, era a época de ouro do capitalismo. Militarmente a antiga União Soviética tinha um poder de retaliação militar que se não a levasse a vitória simplesmente junto com os USA teria o poder de demolir a Terra.

Um pouco antes do golpe no início de 1959 a Revolução Cubana assumiu o governo, para nos anos posteriores aplicar uma série de nacionalizações de patrimônios norte-americanos na ilha, mais precisamente em agosto de 1960. Após tentativas fracassadas de derrubar o governo de Fidel Castro, como a invasão da Baia dos Porcos em abril de 1961 e com as nacionalizações da ITT e da Bond and Share entre 1959 a 1960 pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul de Leonel de Moura Brizola, os norte-americanos começaram a ajudar uma conspiração da oposição ao trabalhismo no Brasil. Ou seja, o golpe de 64 foi uma espécie de “ação preventiva” do governo norte-americano para evitar a reprodução da Revolução Cubana no Brasil. O principal animador era o embaixador norte-americano Lincoln Gordon um animado intervencionista do imperialismo norte-americano.

Não podemos esquecer que após os USA colocar mísseis balísticos estadunidenses PGM-19 Jupiter na Itália e na Turquia, os soviéticos tentaram colocar os seus em Cuba, chegando em outubro de 1962 a quase uma guerra nuclear entre os dois países.

Retirado os mísseis de Cuba, da Itália e da Turquia, o clima de guerra quente diminuiu, mas a guerra fria continuava e dentro de todo este cenário que deve ser analisado o golpe de 1964 com o seu fechamento maior ainda em 13 de dezembro de 1968, com o Ato Institucional nº 5, AI-5.

2.2) A evolução até o AI-5.

Conforme relatado anteriormente, até a promulgação do Ato Institucional nº 5, passaram-se dois anos e meio de governo militar. É importante destacar que os civis que apoiaram o golpe de 1964 pensaram que poderiam disputar as eleições presidenciais em 1965, mas logo ao assumir o governo os militares editaram o chamado Ato Institucional nº 1 em 9 de abril de 1964 sepultando de vez as pretensões dos civis pois neste ato o governo se auto intitulava-se como poder constituinte.

A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma.”

Em resumo, com a força das armas, apoio do governo norte-americano e ignorando o apoio civil os militares se auto se constituíram em poder constituinte, valendo-se posteriormente de uma série de atos institucionais.

Com o AI-1 os militares se permitiram prender, tirar direitos políticos e inclusive expulsar das Forças Armadas 122 oficiais e um número significativo de suboficiais. Tendo o congresso nacional sofrido uma série de expulsões de opositores, um bipartidarismo foi instituído criando um partido de apoio ao governo, a ARENA e um de oposição comportada o MDB.

Com os seguintes atos, AI-2, AI-3 e AI-4 diversas normas foram simplesmente extintas, motivados pelo descontentamento popular e manifestações estudantis, os militares pediram a autorização do congresso de cassar o mandato de dois deputados por um discurso nada revolucionário, na negação que era prevista pelo governo baixaram um novo Ato, o de número 5, que retirava completamente os direitos dos cidadãos como habeas corpus, direito de organização e reunião, direito das mais diversas formas.

Conforme se pode ver, o AI-5 não nasceu da cabeça de um tresloucado, mas sim de uma lenta tomada do poder absoluto de uma corporação que tinha as costas quentes das forças do Imperialismo, dentro de um contexto de guerra fria.

  1. 3)      A diferença do apoio a 1964 e um golpe que poderia ser dado pela Famiglia.

Em 1964 havia além do contexto local de desconforto dos grandes proprietários e políticos direitistas o apoio incondicional e ATIVO do governo Norte-americano. Governadores dos estados mais fortes da união apoiavam incondicionalmente o golpe como também tramavam com os militares.

O apoio civil foi limitado as chamadas Marcha da Família com Deus pela Liberdade (ou poderia se mudar a Liberdade por Propriedade que teria o apoio da TFP) manipulado com ajuda das entidades religiosas direitistas em São Paulo e de movimentos “religiosos” liderados pelo padre e agente da CIA (isto é oficial nos dias de hoje, não é teoria da conspiração) como do padre Irlandês que recebera mais de US$100.000,00 para suas campanhas pela reza anticomunista na América Latina (“A família que reza unida permanece unida”). Este é o único ponto de semelhança entre o atual governo e os golpistas de 1964, apoio religioso.

Quanto apoio de governadores, parece que o atual governo não tem, e devido atritos entre o alto comando das forças armadas no início do ano e das baixas patentes na reforma da carreira, que beneficiou somente os generais, parece que há uma diferença notável entre os dois períodos.

Muitos acham que as milícias criminosas são apoio para o governo atual, mas lembro que Fulgêncio Batista, tinha apoio da Máfia Norte-americana e no primeiro movimento contra ele foi disparada dos mafiosos que nunca tem espírito de corporação e a mínima ideologia.

Restaria lembrar o apoio do astrólogo da Virgínia, que a cada dia perde mais apoio de quem não pertence a sua seita, que é completamente desprezado por qualquer um que tenha mais de dois neurônios na cabeça.

Em resumo, o apoio que o atual ocupante da cadeira da presidência possa ter tido para sua eleição ele consegue afastar com uma rapidez imensa. Podemos lembrar que os fascistas europeus nunca conseguiram aliados confiáveis, pois o fascismo é naturalmente excludente.

  1. 4)      A debilidade do apoio ao golpe.

Conforme descrito, o poder que o atual governo poderia ter sido utilizado nos primeiros três meses de governo, foi rapidamente consumido, transformando aliados em fortes opositores, chegando ao absurdo de chamar o seu próprio partido de apoio de hiena.

O importante que deve ser levado em conta é que apoio internacional do atual governo não existe, inclusive com a política de Trump de retirar suas tropas de guerra inúteis mostra a pouca disposição de um governo Imperialista embarcar numa empreitada que tem tudo para dar algo como o do Guaidó na Venezuela, com uma ênfase maior ainda na negação ao apoio, pois as políticas neoliberais do atual governo na situação como está estão sendo cumpridas pelo ministro Guedes.

  1. 5)      Conclusão.

Qualquer semelhança entre a atual situação de possibilidade de um golpe com o golpe realizado nos moldes de 1964, uma tentativa de golpe poderá ser feita mais num ato de desespero do que num ato premeditado, e provavelmente este golpe deverá ser abortado o mais cedo possível para evitar uma verdadeira reviravolta política.

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