Quando a realidade desmonta a teoria, reflexões sobre “O outro Marx” de Norbert Trenkle

Um dos pilares básicos do materialismo dialético é que a realidade vale mais do que fantasias teóricas e se formos falar em fantasias nada melhor do que o texto de Norbert Trenkle.

São pará grafos e parágrafos para demonstrar que a relação trabalho-capital foi desmontada pela sociedade moderna, porém o papel aceita tudo mas a realidade é concreta.

Há em torno de dois meses assisti um programa de debates da TV francesa no C’dans l’air em que quatro comentaristas e mais um apresentador, estavam surpresos que eles ainda precisavam exatamente do trabalho. Eles ficavam surpresos que os supermercados tinham que ser abastecidos de produtos que saiam das fábricas, que tinham que ser distribuídos nas prateleiras do super e que as caixas do supermercado deveriam cobrar a conta para cegar no bolso dos capitalistas. O mais surpreendente de tudo é que o tele-trabalho, o fiquem em casa e o desabastecimento levaria os mesmos a morte se não houvesse uma cadeia de trabalhadores, como no tempo de Marx, para colocar coisas irrelevantes em suas mesas como comida e mais outras necessidades vitais (papel higiênico, por exemplo).

Porém devido a incapacidade de ver as cadeias inteiras de suprimento eles até esqueceram que o programa ia ao ar porque haviam profissionais (trabalhadores) mantendo o fornecimento de energia elétrica a emissora de TV, ou seja, o trabalho ainda é a única coisa que cria riqueza, logo com poucos parágrafos é possível mostrar o monte de besteiras que sociólogos, cientistas sociais e mais comunicólogos escrevem sobre uma sociedade sem trabalho e sem luta de classes.

Sinto muito, por mais que escrevam, a realidade nunca pode ser esquecida.

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