Política e blogosfera: entre a realidade e a vontade

Atualizado às 15:51

Permita-me fazer um comentário fora do assunto. Refiro-me às críticas apressadas que alguns blogueiros, que apoiaram a candidatura Dilma, fizeram ao governo em seu início.

Impressionou-me o método utilizado por alguns: fizeram algumas críticas com base em notícias veiculadas pela velha mídia que criticam, e sem ouvir as razões de quem está ocupando cargos decisórios no governo.

Lembro-me sempre do governo Luisa Erundina, que considero a política mais integra que já conheci. Na época, tivemos muitas vezes que dar passos iniciais mais tímidos para tentar chegar aos objetivos que queríamos. Para governar, devemos muitas vezes negociar passos e acumular forças no Poder Legislativo que, a princípio, parecem desviar da meta inicialmente estabelecida. É assim em qualquer sistema regime democrático. 

Além disso, ficou claro desde aquela época que se deveria definir com mais precisão as atribuições do governo constituído com as atribuições do partido majoritário que o apóia. Algumas questões políticas devem ser defendidas pelo partido, e não pelo governo (que representa as forças sociais que o elegeram, e deve governar para o conjunto da sociedade).  

Dessa forma, espero que a racionalidade retorne, e esses blogueiros abram canais de diálogo com o governo, ouçam suas razões. Ainda que seja para continuarem discordando, ou até para discordar com mais consistência. O que não dá é para procederem como a velha mídia, e deixarem de ouvir o outro lado. 

Por Eduardo Guimarães

A generalização sobre blogueiros progressistas

Caro Nassif,

A democracia obriga a convivência com críticas. Quando o indivíduo se expõe, por exemplo virando blogueiro, o nível de cobrança aumenta. Como a internet é território novo, ainda estamos aprendendo a lidar com esse mundo novo em que qualquer cidadão pode difundir suas opiniões para dezenas, centenas , milhares, dezenas e até centenas de milhares. Ainda temos um longo caminho pela frente, pois.

Li, em seu blog, post de um leitor que também freqüenta o meu blog, onde escreveu a mesma coisa, repisando assunto que já tem um bom tempo mas que não morre porque alguns têm interesse em mantê-lo vivo. Foram criticados os blogueiros que divergiram da ida da presidenta Dilma Rousseff à comemoração dos 90 anos da Folha e aos programas de Ana Maria Braga e de Hebe Camargo.

Normal. É da democracia, como já disse. As idéias são difundidas e compra quem quer ou gosta. Contudo, penso que é preciso esclarecer, de uma vez por todas, esse uso que alguns estão fazendo da expressão “blogueiros progressistas”, que está sendo usada, de má fé, para qualificar os membros da comissão organizadora do Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que teve lugar em agosto do ano passado em São Paulo e que terá a sua segunda edição em junho próximo, em Brasília.

Apesar de que você já explicou o assunto várias vezes, parece que não adiantou. Então vamos tentar de novo.

Eu, você, os e as jornalistas Luiz Carlos Azenha, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Renato Rovai, Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Paulo Henrique Amorim e o jovem Diego Casaes continuamos sendo tratados por pessoas, muitas vezes mal-intencionadas, como um grupo que não existe mais, grupo que foi formado apenas para tentar agregar a blogosfera dita “progressista”, ou seja, de centro-esquerda, de dar visibilidade a blogueiros desconhecidos.

Unimo-nos naquela causa do encontro de blogueiros, e foi só. Temos opiniões diferentes sobre vários assuntos. Tome-se o caso da ida da presidenta da República à Folha ou aos programas das apresentadoras supracitadas. Eu, o Azenha, a Conceição Lemes e a Conceição Oliveira não vimos com bons olhos; você, o PH e o resto do grupo que organizou o primeiro encontro de blogueiros, parece-me – ainda que não tenha certeza – que não viram da mesma forma.

Todavia, a pessoa que lhe enviou o post sobre o caso Dilma versus grande imprensa, bem como alguns blogueiros que tentam manter o tema vivo, continuam nos colocando – você inclusive, Nassif – no mesmo balaio, atribuindo a opinião de alguns a todos os que chamam de progressistas entre aspas, como que afirmando que o adjetivo progressistas é inverídico, provavelmente querendo nos tachar de reacionários ou coisa que o valha.

Ok, democracia de novo. Mas a confusão que estão fazendo, muitas vezes, é proposital, assim como a tentativa de manter viva essa divergência pontual com um governo como o de Dilma, que tantos trabalharam para eleger. Isso ocorreu também no caso “feminazi”, de triste memória.

O caso se torna ainda mais grave devido ao fato de que os blogueiros progressistas não são só os que organizaram o primeiro encontro de blogueiros e nem apenas os mais de 300 blogueiros que se reuniram em São Paulo em agosto do ano passado; são os mais de 600 que deverão se reunir em Brasília dentro de três meses. De resto, desejo boa sorte aos que julgam tão promissor ficar requentando o assunto. Irão precisar.

Abraço progressista do amigo

Eduardo Guimarães

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome