Como Murdoch tornou-se o inspirador da mídia brasileira

Foi simbólica a entrega do Prêmio Emmy por Rupert Murdoch a Roberto Irineu Marinho – representando as Organizações Globo.

Em um período em que a Internet e as redes sociais jogaram os grupos de mídia globais no maior desafio da história, Murdoch tornou-se o modelo, o campeão branco a fornecer a fórmula da sobrevivência aos grupos de mídia de todo mundo, especialmente aos brasileiros.

Em algum período escondido na memória, o jornalismo brasileiro inspirou-se na sofisticação do New Journalism de Tom Wolfe, Gay Talese e Norman Mailer; nas reportagens-verdade de Truman Capote; e até no jornalismo gonzo, do repórter vivendo os riscos relatados na reportagem.

Mas nenhum estilo influenciou mais do que o do australiano Rupert Murdoch.

Ele surgiu no rastro da globalização. Valeu-se do mercado de capitais, promoveu uma série de aquisições nos diversos continentes, adquiriu uma rede social, a 21st Century Fox e, através da News Corporation, jornais em diversos países.

Mas, principalmente, pavimentou sua escalada com um estilo jornalístico que remetia às origens dos “barões da mídia”.

Ressuscitou o mais abjeto estilo da história, continuador de William Randolph Hearst e outros “barões da mídia”; que transformaram o jornalismo em uma máquina de assassinar reputações, em um instrumento rude, truculento de participação no jogo político, sem nenhuma sofisticação a não ser a exibição permanente da força bruta, o jorrar intermitente do esgoto.

Coube a Roberto Civita, presidente da Editora Abril, captar o novo movimento e importá-lo para o Brasil.

A partir de 2005, tornou-se o padrão dos grupos de mídia brasileiro, inaugurado pela revista Veja, imitado pela Folha e disseminado por diversos comentaristas da Globo.

Da noite para o dia, o cenário jornalístico brasileiro ficou coalhado de imitações de personagens funambulescos, tentando emular o estilo grosseiro da Fox.

O início do estilo Murdoch

O modelo Murdoch consiste nas seguintes características:

1. Buscar na extrema direita – no caso o Tea Party – o linguajar chulo e agressivo e o compêndio de preconceitos. Usa o preconceito como recurso jornalístico para conquistar a classe média.

2. Criar um inimigo externo, não mais a União Soviética, mas um novo fantasma. No caso, o Islã; por aqui, a Bolívia ou Venezuela.

Assim como a ultradireita brasileira, o Tea Party criou toda uma mitologia em torno da ameaça histórica do islamismo sobre a civilização cristã ocidental.

Não há mais o receio das bombas da Guerra Fria, mas de outros fantasmas imemoriais, as ideias que penetram subliminarmente no cérebro dos incautos levando-os para o reino das trevas.

Como diz Arnaldo Jabor, o comunismo explodiu e disseminou milhares de vírus pelo mundo todo, contaminando a cabeça de todos os democratas.

Essa versão dramatizada da “Guerra dos Mundos”, do “Monstro da Lagoa Negra”, da propaganda subliminar – consagrada no auge da Guerra Fria – acabou se constituindo no roteiro geral do grupo Fox e de seus emuladores brasileiros.

3. Valer-se do conceito de liberdade de imprensa para se blindar e promover uma ampla ofensiva de assassinatos de reputação contra adversários: jornalistas de outros veículos, políticos, empresários e intelectuais. E, por trás do macarthismo, montar jogadas comerciais de interesse do grupo.

4. Promover a ridicularização do cidadão comum – e dos críticos e adversários -, como maneira de ressaltar a superioridade intelectual do seu leitor.

O fenômeno Fox

O ponto central da disseminação desse modelo foi a Fox News.

Lançada em 1996, a  emissora conquistou uma audiência diária de 2 milhões de telespectadores, mais do que a soma da CNN e da MSNBC. Contratou diversos pré-candidatos republicanos à presidência, promoveu o Tea Party, contribuiu financeiramente com o Partido Republicano e grupos de ultra-direita  e foi relevante para a vitória republicana em 2010.

Disseminou teorias conspiratórias, falseou informações, espalhou boatos – como a de que Barack Obama era terrorista, ou que teria estudado em uma escola islâmica.

Em 2008, tentou ligar Obama com Bill Ayers – terrorista americano da década de 70, e a Louis Farraknan (líder da Nação islâmica nos EUA). Memorando interno do grupo recomendava aos repórteres enfatizar que no livro “Sonhos de meu pai”, Obama divulgava ideias simpáticas ao marxismo.

Um e-mail que chegou a outros veículos de mídia explicitava melhor o espírito Murdoch. Ordenava aos repórteres que “evitem dizer que o planeta aqueceu (ou resfriou) em qualquer frase sem apontar em seguida que tais teorias são baseadas em dados que críticos questionam”.

Seis meses após a invasão do Iraque, 67% do seus telespectadores acreditavam que Sadam Hussein tinha se associado à al-Qaeda, e 60% juravam que a maior parte dos cientistas garantia que não havia aquecimento global.

Políticos e jornalistas que ousassem criticar a Fox News tornavam-se alvos de seus ataques.

Apenas um jornalista ousou se erguer contra aquela máquina de assassinar reputações, Jon Stewart que, em seu “Daily Show”, ironizava a paranoia da rede.

O restante dos jornalistas amarelou – da mesma maneira que no Brasil – mesmo sabendo que aquele estilo contaminava a todos indistintamente. E o principal fator foi o medo de ser emboscado por uma equipe de filmagem, atacado nos shows de televisão, ou ser acusado de esquerdista.

Mesmo após a vitória de Obama, a Fox continuou espalhando seu terror. Durante o debate sobre o aumento do teto da dívida pública, foi a Fox quem estimulou, através de seus comentaristas em rádio e televisão, o extremismo de muitos republicanos no Congresso (leia aqui reportagem de Michael Massing para The New York Review).

O tabloide News of The World

O escândalo maior foi com o tabloide News of The World, até então o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido.

Em 2005 foi alvo de uma série de denúncias, de contratar detetives particulares e policiais para grampear celebridades e membros da realeza.

Algum tempo depois, The Guardian denunciou o jornal por ter grampeado os atores Jude Law e Gwyneth Paltrow.

O auge do escândalo foi a descoberta de que chegou a grampear o celular da menina Milly Dowler, de 13 anos, sequestrada e morta. Na tragédia do atentado ao metrô de Londres, em 2005, o jornal interceptou mensagens dos celulares dos parentes.

Os abusos reiterados levaram à prisão do editor do jornal, Clive Goodman, e o detetive particular Glen Mulcaire. E ele nem chegou à ousadia da revista Veja, que se associou a uma organização criminosa – Carlinhos Cachoeira –, praticou grampos ilegais, manipulou notícias envolvendo no próprio STF (Supremo Tribunal Federal), sem ser incomodada pelo Ministério Público Federal e outros órgãos de controle.

Entre Pulitzer e Hearst

Na origem do moderno jornalismo empresarial, há duas figuras centrais, Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst.

Pulitzer foi autor de máximas:

* “Para se tornar influente, um jornal tem que ter convicções, tem que algumas vezes corajosamente ir contra a opinião do público do qual ele depende”.

“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”.

E a mais conhecida delas:

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”,

No lado oposto, Hearst e sua “imprensa marrom”, derrubando de vez os limites entre os fatos e a ficção. Os repórteres saiam das redações com a incumbência de trazer fatos que se adaptassem à pauta pré-definida. Se não encontrassem, que inventassem.

Nos anos 40, o império Hearst juntava 25 jornais diários, 24 revistas semanais, 12 estações de radio, 2 serviços de noticias mundiais, um serviço de notícias para filme.

Em 1948 colocou o pé na televisão, adquirindo a WBAL-TV em Baltimore, uma das primeiras emissoras dos EUA. Foi peça central no macarthismo que, nos anos 50, envergonhou o mundo civilizado.

Entre Pulitzer e Hearst-Murdoch, a mídia brasileira fez a sua escolha, jogou os escrúpulos às favas e caiu de cabeça no velho estilo que renascia do lixo da história. Abriu mão de qualquer veleidade de legitimar sua atuação, de justificar a liberdade de que dispõe, ou as concessões que recebeu.

Conservadores até a medula, Ruy Mesquita e seu irmão Júlio tinham rasgos de grandeza e a preocupação permanente em legitimar a atividade jornalística. No dia em que Fernão Mesquita, herdeiro dos Mesquita, colocou Roberto Civita no mesmo nível que seu pai, Ruy Mesquita, estava claro que a perda de rumo havia sido total.

E foram esses abusos, disseminados por vários países, em um momento em que as redes sociais davam voz a todos os setores, que transformaram a regulação da mídia em bandeira universal de direitos humanos.

Ontem, no Rio de Janeiro, a Comissão Estadual da Verdade discutiu uma série de recomendações para a ampliação da liberdade de expressão.

No mesmo dia, em Marrakech, o Fórum Social Mundial alçou o direito à informação ao mesmo patamar dos demais direitos fundamentais: à vida, à liberdade, à saúde e à educação.

 

27 Comentários

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edisilva

- 2014-12-01 18:46:06

O wikileaks nos mostrou um

O wikileaks nos mostrou um pouco sobre o relacionamento de "jornalistas" brasileiros com os EUA.

edisilva

- 2014-12-01 18:28:32

Ação e reação. O problema é

Ação e reação.

O problema é que muitos estão treinado para condenar somente a reação.

Os EUA arrebentam o país do cara e quando o cara reage, o agressor grita para o mundo: "Olha, estão me agredindo. Agora eu tenho o direito de destruir a vida dele".

E os adestrados pela imprensa repercutem o perigo e a maldade representada pelo agredido.

Severino Januário

- 2014-12-01 14:22:58

Murdoch é o rei com a cabeça

Murdoch é o rei com a cabeça à mostra, mas há os que estão reinando às ocultas. Submeto ao exame dos estudiosos e comentaristas deste sítio a informação de que a defesa da Economia Austríaca existe no Brasil. Se ela ao menos se restringisse, através de seu blog, ao debate de suas ideias em “defesa irrestrita do Lassez-Faire”,  tudo bem, seria apenas mais um ponto para o debate econômico. Mas seu ataque frontal à Democracia, em defesa da instauração da ditadura das elites, não combina com o estágio em que se encontra o país, com seu amplo debate em torno de reformas políticas e do aprimoramento da democracia, e não de sua destruição. Ou será este blog austríaco é "apenas" mais uma desculpa descarada para fincarem outra cabeça de ponte no ataque ao governo de Dilma Roussef?

Aquí está o link de um artigo seu, escrito com método e arrogancia contida característicos de jornalistas germânicos bem informados, que sabem como defender bem até o massacre de populações africanas, como já o fixeram. Seu nome é “Como os piores são eleitos”, com uma ilustração de Lula (um analfabeto que jamais deveria ter chegado ao poder) passando a faixa para Dilma. Já temos o suficiente de golpistas aqui.  Não precisávamos importar golpistas da Áustria:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=768&comments=true

 

Eis como o Instituto Ludwig Von Mises se apresenta:

Em suas ações o IMB busca:

I - promover os ensinamentos da escola econômica conhecida como Escola Austríaca;

II - restaurar o crucial papel da teoria, tanto nas ciências econômicas quanto nas ciências sociais, em contraposição ao empirismo;

III - defender a economia de mercado, a propriedade privada, e a paz nas relações interpessoais, e opor-se às intervenções estatais nos mercados e na sociedade.

O IMB acredita que nossa visão de uma sociedade livre deve ser alcançada pelo respeito à propriedade privada, às trocas voluntárias entre indivíduos, e à ordem natural dos mercados, sem interferência governamental. Portanto, esperamos que nossas ações influenciem a opinião pública e os meios acadêmicos de tal forma que tais princípios sejam mais aceitos e substituam ações e instituições governamentais que somente:

a) protegem os poderosos e os grupos de interesse,

b) criam hostilidade, corrupção, e desesperança,

c) limitam a prosperidade, e

d) reprimem a livre expressão e as oportunidades dos indivíduos.


Quem foi Ludwig von Mises (1881-1973):

"A economia lida com os problemas fundamentais da sociedade; é do interesse de todos e pertence a todo mundo. Ela é o estudo principal e natural de cada cidadão."

Dorlei

- 2014-12-01 12:58:48

FOX

(No último programa do Bil Maher, Over Time, (HBO-EUA)) semana passada, o apresentador recomendou que nos tradicionais encontros de família no Natal fossem proibidos de antemão qualquer assunto político. Mesmo tratando o assunto com suas costumeiras piadas e brincadeiras, enfatizou que é assunto sério.

E finalizou dizendo que o culpado disto é as empresas de mídia do Sr. Murdoch, que com suas reportagens tendenciosas e desonestas demonizando pessoas e partidos,  estão criando desavenças e ódios irreconciliáveis entre os americanos.

Vejo que está acontecendo o mesmo aqui no nosso Brasil de uns tempos para cá, o que ficou evidente neste ano. Penso que é o resultado do estilo jornalístico (será objetivo?) do blocão Folha/Estadão/ Veja/Globo e afiliadas como foi tão bem demonstrado pelo Nassif.

Dorlei

- 2014-12-01 12:43:59

Legado de Cinzas

No livro Legado de Cinzas que é a história de todos os golpes e assassinatos efetuados pela  Cia no mundo todo nos últimos 60 anos atendendo os interesses dos EUA  e  de suas multinacionais,  tem a transcrição de cópias de relatórios e comunicados enviados para a sede pelos agentes espalhados pelo mundo.

Parte relevante que mostram estes relatórios, é de que em todos os países a organização criminosa conta com a colaboração de jornalistas e mesmo empresas de mídia "completas", jornais  revistas, Tvs.

Pois bem, pode parecer brincadeira, mas quem ler o livro e tiver estomago para ler a Veja, principalmente quando o assunto da revista é Venezuela, Bolívia, Israel, Irã, vai encontrar muitas semelhanças entre as reportagens da revista e os relatórios da CIA. É o mesmo padrão.

Marcos K

- 2014-12-01 08:11:58

Como o tempo passa. Eu jurava

Como o tempo passa. Eu jurava que o episódio tinha ocorrido no Governo FHC e a protagonista era a Veja. Em todo caso, seja Governo Collor ou FHC, Veja ou Globo, o exemplo não fica inválido, pois se valeu dos mesmos métodos denunciados neste post..

Carlos Lenin Dias

- 2014-12-01 01:36:53

...n sabia q,o

...n sabia q,o ator-diretor,Milton Gonçalves,era um 'prestigiados' da Globo...

Plinio J. V. Lins

- 2014-11-30 21:54:48

Memória

Foi ministro do Collor. E já naquele tempo o "humorista" Chico Caruso cometeu uma charge repugnante envolvendo o filho de Alceni, um menino, da mesma forma que 20 anos depois, no mesmo O Globo, retrararia Luiz Gushiken nu, junto com os demais réus da ação 470, como se fossem prisioneiros das SS. 

Pedro Penido dos Anjos

- 2014-11-30 19:02:13

No caso do Brasil, apesar da

No caso do Brasil, apesar da óbvia influências de formatos de mídia estranjeiros - e não só norte americanos, a narrativa poderia ser baseada nos seus próprios exemplos históricos, das gazetas do início do século passado ao exemplo maior de Chateaubriand e seus Diários Associados, passando didáticamente pela Tribuna de Carlos Lacerda até o climax do blocão globofolhaabrilestadão. Nos anos 90 já estava tudo lá. A turma já tocava de ouvido. Tanto que teve força para evidar a invasão de Murdochs e quejandos.

Isso tudo, com a ressalva de que o jornalismo jamais foi ou será um exercicio inteiramente asseptico.

luisnassif

- 2014-11-30 18:56:04

Alvo do Globo por tentar

Alvo do Globo por tentar aproximar Collor de Brizola.

Luis Carlos Ferreira

- 2014-11-30 18:48:34

Em tempo, Alceni Guerra foi

Em tempo, Alceni Guerra foi ministro de Collor e não de FHC e quem promoveu o massacre de sua reputação foi a Globo de Roberto Marinho e não a Veja.

altamiro souza

- 2014-11-30 16:45:56

o fato de um marinho global

o fato de um marinho global rteceber um premio das

mãos maculadas de murdoch é simbolicamente explicativo

de como funciona a grande mídia brasileira.

Miguel F

- 2014-11-30 16:31:37

Ou seja não é coincidência

Ou seja não é coincidência que a Fox no Brasil lançou o programinha "Politicamente Correto" com Danilo Gentili, o programa para ficar ruim, tem que melhorar muito.

Gilson S Raslan

- 2014-11-30 16:27:42

Este tal of é doido, imbecil,

Este tal of é doido, imbecil, ou está delirando. Vai se tratar, idiota.

of

- 2014-11-30 16:04:00

Que ninguém tenha  ilusões

Que ninguém tenha  ilusões sobre o islam
Porque a  verdade é que o islam está formatado, estruturado para fazer os piores males e crimes e o mais rapidamente que puder.

Para quem acompanha as mentiras e maldades islâmicas  já sabe que a qualquer momento pode haver mais um grande crime, atentado, islâmico.

Faz parte da natureza do islam viver de e para o crime. o islam não existiria nem é capaz de existir sem isso.

E quanto mais bárbaro e criminoso o islam se revela, mais os muçulmanos tentam maquilhar e  alindar sua enganadora e diabólica doutrina islâmica.

De vez em quando falam na suposta ciência islâmica, mas há um argumento muito forte para desmascarar e derrotar as ganâncias dos muslimes em relação a isso.

Para haver ciência tem que a fonte espiritual ser de ciência. Mas para quem estudar ao pormenor o islam, descobre que maomé gibril e o maometano allah, não sabiam ler escrever contar numerar organizar esclarecer explicar etc…

Não fizeram nada disso com o corão ou a sunna.

Mas sabiam mentir ameaçar matar, etc… Isso está nos textos oficiais islâmicos. No episódio de TAIF maomé até disse que o seu allah queria esmagar com 2 montes uma povoação.

Isto significa que aquele allah era mesmo um bruta-montes da pior espécie.

 

luisnassif

- 2014-11-30 15:42:04

Fui o único jornalista a

Fui o único jornalista a defende-lo na época. Narro o episódio em meu "O jornalismo dos anos 90".

Colin Brayton

- 2014-11-30 14:49:48

História da rede

Fox News se nasceu em 1996 e não em 1966, como escrito.

http://en.wikipedia.org/wiki/Fox_News_Channel

Marcos K

- 2014-11-30 12:39:07

Para mim o pior não é o fato

Para mim o pior não é o fato de Murdochs, Civitas, Marinhos, Mesquitas et caterva não fazem jornalismo. Piores são as práticas nazistas, ou seja, só existe a verdade deles, que se vale dos preconceitos dos incautos para convencer estes mesmo incautos. No Brasil ao menos toda a sua versão da realidade é construída utilizando os preconceitos latentes dos ingênuos contra os petistas, políticos, pobres, etc. Nazismo puro. Quem conhece as técnicas de Goebbels sabe que escrevo a verdade.

De todos os episódios escabrosos que a Veja protagonizou lembro de um em especial, o do Alceni Guerra, que quando ministro de FHC, teve sua reputação implacavelmente destruída por essa revista nojenta. Depois que ficou comprovado que ele era inocente essa mesma revista não teve a dignidade de pedir desculpas. Imperdoável. Contra o PT isso tem sido uma prática constante.

Didico

- 2014-11-30 12:34:34

Jornalista alemão denuncia

Jornalista alemão denuncia controle da CIA sobre a mídia

publicado em 25 de novembro de 2014 às 15:49

jornalista

Udo Ulfkotte, que trabalhou no Frankfurter Allgemeine Zeitung, fala à Russia Today

sugerido pela Conceição Oliveira

Tradução parcial da entrevista reproduzida em vídeo abaixo

Sou jornalista há 25 anos, e fui criado para mentir, trair, e não dizer a verdade ao público. Mas vendo agora, e nos últimos meses, o quanto … como alemão a mídia dos EUA tentar trazer a guerra para os europeus, para trazer a guerra à Rússia. Este é um ponto de não retorno, e eu vou me levantar e dizer … que o que eu fiz no passado, não é correto, manipular as pessoas, para fazer propaganda contra a Rússia e o que os meus colegas fizeram no passado, porque eles são subornados para trair o povo, não só na Alemanha, mas de toda a Europa.

livro

A razão para este livro é que estou muito preocupado com uma nova guerra na Europa, e eu não quero de novo a situação, porque a guerra nunca vem de si mesmo, há sempre pessoas atrás que levam à guerra, e não é só políticos, jornalistas também.

Eu só escrevi no livro sobre como traimos no passado nossos leitores apenas para empurrar para a guerra, e porque eu não quero isso, eu estou cansado dessa propaganda. Nós vivemos em uma república de bananas, não é um país democrático, onde teríamos a liberdade de imprensa, direitos humanos.

[...]

Se você olhar para a mídia alemã, especialmente os meus colegas que, dia após dia, escrevem contra os russos, que estão em organizações transatlânticas, que são apoiados pelos Estados Unidos para fazer isso, pessoas como eu. Eu me tornei um cidadão honorário do Estado de Oklahoma. Por que exatamente? Só porque eu escrevia pró-Estados Unidos. Eu escrevia pro-Estados Unidos e fui apoiado pela Agência Central de Inteligência, a CIA. Por quê? Porque eu tinha que ser pró-americano.

Estou cansado disso. Eu não quero! E assim que eu acabei de escrever o livro — não para ganhar dinheiro, não, ele vai me custar um monte de problemas — só para dar às pessoas, neste país, a Alemanha, na Europa e em todo o mundo, apenas para dar-lhes um vislumbre do que se passa por trás das portas fechadas.

[...]

Sim, existem muitos exemplos disso: se você voltar na história, em 1988, se você for ao seu arquivo, você encontrará em março de 1988 que os curdos do Iraque foram atacados com gás tóxico, o que se tornou conhecido em todo o mundo. Mas em julho de 1988, eles [o jornal alemão] me mandaram para uma cidade chamada Zubadat, que fica na fronteira entre Iraque e Irã.

Foi na guerra entre iranianos e iraquianos, e eu fui enviado para lá para fotografar como os iranianos tinham sido atacados com gases venenosos, gás venenoso alemão. Sarin, gás mostarda, fabricado pela Alemanha. Eles foram mortos e eu estava lá para tirar fotos de como essas pessoas foram atacadas com gás venenoso da Alemanha. Quando voltei para a Alemanha, só saiu uma pequena foto no jornal, o Frankfurter Allgemeine, e saiu apenas uma pequena seção sem descrever como era impressionante, brutal, desumano e terrível, matar … matar, décadas após a Segunda Guerra Mundial, o povo com gás venenoso alemão.

Foi uma situação em que eu me senti abusado por estar lá apenas para fazer um documentário sobre o que tinha acontecido, mas não estar autorizado a revelar ao mundo o que tínhamos feito atrás das portas fechadas. Até hoje, não é bem conhecido do público alemão que havia gás alemão, houve centenas de milhares de pessoas atingidas nesta cidade de Zubadat.

Agora, você me perguntou o que eu fiz para as agências de inteligência. Então, por favor, entenda que a maioria dos jornalistas que você vê em outros países afirmam ser jornalistas, e eles poderiam ser jornalistas, jornalistas europeus ou americanos … mas muitos deles, como eu no passado, são supostamente chamado de “informantes não-oficiais”.

É assim que os americanos chamam. Eu era um “informante não-oficial”. A cobertura extra-oficial, o que isso significa?

Isso significa que você trabalha para uma agência de inteligência, você os ajuda se eles querem que você para ajude, mas nunca, nunca [...] quando você for pego, se descobrem que você não é só um jornalista, mas também um espião, eles nunca dirão “era um dos nossos.”

Isso é o que significa uma cobertura extra-oficial. Então, eu ajudei-os várias vezes, e agora eu me sinto envergonhado por isso também. Da mesma forma que eu sinto vergonha de ter trabalhado para jornais como o Frankfurter Allgemeine, porque eu fui subornado por bilionários, subornado pelos norte-americanos para não refletir com precisão a verdade .

[...]

Eu só imaginava, quando eu estava no meu carro para vir a esta entrevista, tentei perguntar o que teria acontecido se eu tivesse escrito um artigo pró-russo no Frankfurter Allgemeine. Bem, eu não sei o que teria acontecido. Mas todos nós fomos ensinados a escrever artigos pró-europeus, pró-americanos, mas por favor não pró-russos. Portanto, estou muito triste por isso …. Mas não é assim que eu entendo a democracia, a liberdade de imprensa, e eu realmente sinto muito por isso.

[...]

Sim, eu entendi a pergunta. A Alemanha ainda é uma espécie de colônia dos EUA, você verá em muitos aspectos; como [o fato de que] a maioria dos alemães não querem ter armas nucleares em nosso país, mas ainda temos armas nucleares americanas.

Então, sim, nós ainda somos uma espécie de colônia americana e, por ser uma colônia, é muito fácil de se aproximar de jovens jornalistas através de (e isso é muito importante) organizações transatlânticas.

Todos os jornalistas de jornais alemães altamente respeitados e recomendados, revistas, estações de rádio, canais de TV, são todos membros ou convidados destas grandes organizações transatlânticas. E nestas organizações transatlânticas, você é abordado por ser pró-americano. Não há ninguém que vem a você e diz: “Nós somos a CIA. Gostaria de trabalhar para nós? “. Não! Esta não é a maneira que acontece.

O que essas organizações transatlânticas fazem é convidá-lo para ver os Estados Unidos, pagam por isso, pagam todas as suas despesas, tudo. Assim, você é subornado, você se torna mais e mais corrupto, porque eles fazem de você um bom contato. Então, você não vai saber que esses bons contatos, digamos, não-oficiais, são de pessoas que trabalham para a CIA ou outras agências dos EUA.

Então, você faz amigos, você acha que você é amigo e você vai cooperar com eles. E se perguntam: “Você poderia me fazer um favor?”. Em seguida, seu cérebro passa por uma lavagem cerebral. A pergunta: é apenas o caso com jornalistas alemães? Não! Eu acho que este é particularmente o caso com jornalistas britânicos, porque eles têm uma relação muito mais próxima. Também é particularmente o caso com jornalistas israelenses. É claro que com jornalistas franceses, mas não tanto como com os jornalistas alemães ou britânicos.

Este é o caso para os australianos, os jornalistas da Nova Zelândia, de Taiwan e de muitos países. Os países do mundo árabe, como a Jordânia, por exemplo, como Omã. Há muitos países onde você encontra pessoas que se dizem jornalistas respeitáveis, mas se você olhar para trás, você vai descobrir que eles são fantoches manipulados pela CIA.

[...]

Desculpe-me por interrompê-lo, dou-lhe um exemplo. Às vezes, as agências de inteligência vêm para o seu escritório e sugerem que você escreva um artigo. Dou-lhe um exemplo, não de um jornalista estranho, mas de mim mesmo. Eu só esqueci o ano. Só me lembro que o serviço de inteligência alemão no exterior, o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (isto é apenas uma organização irmã da Agência Central de Inteligência) veio ao meu escritório Frankfurter Allgemeine em Frankfurt. Eles queriam que eu escrevesse um artigo sobre a Líbia e o coronel Kadafi. Eu não tinha absolutamente nenhuma informação secreta sobre Kadafi e Líbia. Mas eles me deram toda a informação em segredo, só queriam que eu assinasse o meu nome.

Eu fiz isso. Mas foi um artigo que foi publicado no Frankfurter Allgemeine, que originalmente veio do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, a agência de inteligência no exterior. Então, você realmente acha que isso é jornalismo? As agências de inteligência escreverem artigos?

[...]

Oh sim. Este artigo é parcialmente reproduzida no meu livro, este artigo foi “Como a Líbia e o coronel Kadafi secretamente tentam construir uma usina de gás tóxico em Rabta”. Acho que foi Rabta, sim. E eu tenho toda essa informação… foi uma história que foi impressa em todo o mundo, alguns dias depois. Mas eu não tinha nenhuma informação sobre o assunto e  foi a agência de inteligência que me sugeriu escrever o artigo. Então isso não é como o jornalismo deve funcionar, as agências de inteligência decidirem o que é publicado ou não.

[...]

Eu tive uma, duas, três … seis vezes a minha casa foi revistada, porque eu tenho sido acusado pelo procurador-geral alemão pela divulgação de segredos de Estado. Seis vezes invadiram a minha casa! Bem, eles esperavam que eu nunca iria me recuperar. Mas eu acho que é pior, porque a verdade virá à tona um dia. A verdade não vai morrer. E eu não me importo com o que acontecer. Eu tive três ataques cardíacos, não tenho filhos. Então, se eles querem me processar ou me jogar na cadeia… é pior para a verdade.

PS do Viomundo: Quem serão as fontes não oficiais da CIA no Brasil?

Fonte:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/jornalista-alemao-denuncia-controle-da-cia-sobre-midia.html

 

robertog

- 2014-11-30 09:39:08

Olha Nassif, no mundo

Olha Nassif, no mundo anglo-saxão tem uma mídia mainstream da qual a Fox se demarca dizendo que a concorrência é "liberal" na esfera política e moral e "esnobe" culturalmente. E tb a audiência da Fox é de nicho, apesar do nicho ser muito grande (muito mais homens do que mulheres, menos diplomados do que a média dos países, mais brancos). Aqui, penso eu, é outra coisa: a imprensa à qual vc está se referindo é a mainstream do nosso país. Certamente ela vai buscar alguma inspiração formal na Fox, mas a lógica política é a de sempre, desde o início do século XX. Outra coisa é que a Fox, mal ou bem, é uma SA que precisa mostrar boa governança corporativa. Se não der lucro, de verdade, os Murdoch são destituídos. E isso, sabemos, está a anos-luz da nossa imprensa que segue um modelo absolutamente patriarcal, nas diversas acepções do termo.

Fernando Antonio Moreira Marques

- 2014-11-30 07:29:20

Atestado de inidoneidade moral

Receber um "prêmio" das mãos de Murdoch é realmente ganhar um prêmio ou é passar de público o atestado de inidoneidade moral????

Muitos religiosos católicos, mesmo conservadores, se recusaram a receber menções honrosas da Ditadura pois, não seria uma homenagem, mas uma infâmia...

alcarpinteiro

- 2014-11-30 03:40:14

Bom texto, mas não há como

Bom texto, mas não há como colocar Pulitzer no jornalismo brasileiro. Aqui só há Hearsts e Murdochs. Basta lembrar da carta Brandi, ou o apoio dos Mesquitas ao golpe de 64. O jornalismo brasileiro sempre foi uma arma política. Sempre fez parte da guerra, combatendo de um dos lados. Em matéria de jornalismo canalha, nada devemos aos americanos da fox. Nossa canalhice é endógena. E não se vê chance de mudar. Se a internet sepultar o que vemos hoje, logo os patifes se reinventarão.

Ricardo Santos

- 2014-11-30 03:04:03

  À época o Ciro saindo da

[video:http://www.youtube.com/watch?v=2G9NZmlSkfg]

 

À época o Ciro saindo da toca dos tucanos e, a presença de um sério jornalista da folha enobrecendo

o programa.

Ao assistir o programa notará porque a mídia de hoje só tem jornalista picareta..

 

Wendel

- 2014-11-30 02:14:02

Mídia prostituta !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Já que foi citado muito apropriadamente algumas pérolas, acrescento mais uma:

"A função de um jornalista (de NY) é destruir a Verdade, de mentir radicalmente, de perverter, de aviltar, de subir até os pés de Manmon e de se vender a si próprio, vender seu país e sua raça, em troca do pão cotidiano, ou o que é o mesmo: seu ordenado.

Vós  sabeis isto que eu o sei: que loucura , pois, de fazer um "toast" à imprensa independente. Nós somos os instrumentos  e os vassalos de homens ricos que comandam por trás do cenário. Nós somos as marionetes: eles puxam os fios e nós dançamos. Nosso tempo, nossos talentos, nossas possibilidades e nossas vidas são de propriedade desses homens. Nós somos prostituídos intelectuais" Jornalista Ex-redator do NYT (John Swinton).

(Citação do pe. Dednis Fahey, em sua obra "The Mystical Body of Chist in the Modernn World" pág. 14).

 

altamiro souza

- 2014-11-30 01:59:11

é incompreensíve que murdoch

é incompreensíve que murdoch seja punido e a veja que

fez bem pior seja eximida de  qualquer responsabilidade

ou culpa pelo que fez de cirminoso ao se aliar a criminosos notórios.

e até hoje pratique esse jornalismo de esgoto que dá 

ânsia de vômito em qualquer pessoa que tenha um

mínimo de inteligencia e estomago.

Gledson

- 2014-11-30 01:53:00

Nassif, a disseminação desse

Nassif, a disseminação desse tipo de jornalismo pelo canal principal ser a FOX não vem pelo fato do grupo de comunicação (incluindo o estúdio de cinema e os vários canais de TV) ter uma grande penetração no público americano com seus conteúdos narrativos que atraem grande audiÊncia, semelhante a Globo que, sagazmente, colocou seu Jornal Nacional entre duas novelas?

Jair Fonseca

- 2014-11-30 01:08:08

E aí vai mais uma máxima

E aí vai mais uma máxima sobre o jornalismo que serve ao item 2 do modelo Murdoch supracitado. É de H.L. Menken (1920): "Bem, e como atiçar os seus [do público] sentimentos? No fundo, é bastante simples. Primeiro, amedronte-o — e depois tranquilize-o. Faça-o assustar-se com um bicho-tutu e corra para salvá-lo, usando um cassetete de jornal para matar o monstro. Ou seja, primeiro, engane-o — e depois engane-o de novo. Essa, em substância, é toda a teoria e prática da arte do jornalismo nos Estados Unidos. Se nossas gazetas levam a sério algum negócio, é o negócio de tirar da focinheira e exibir novos e terríveis horrores, atrocidades, calamidades iminentes, tiranias, vilanias, barbaridades, perigos mortais, armadilhas, violências, catástrofes — e, então, magnificamente superá-los e resolvê-los. Essa primeira parte é muito fácil. Não se sabe de nenhum caso em que a massa tenha deixado de acreditar num novo papão. Assim que o horrendo bicho tira os véus, ela começa a se agitar e gemer: seu reservatório de medos primários está sempre pronto a transbordar."

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