PCC e Black Blocs, a frágil história do Estadão

Sugerido por Leo V

Análise de Camila Nunes Dias, socióloga, professora da Universidade Federal do ABC e uma das maiores estudiosas sobre o PCC no Brasil. Ela acha que a entrevista é fake (nesses termos) e diz por que.

Do Spresso SP

PCC e Black Bloc: A frágil história do medo contada pelo Estadão

Uma das maiores especialistas do Brasil quando o assunto é o Primeiro Comando da Capital (PCC), a professora da Universidade Federal do ABC, Camila Nunes Dias, analisa, e questiona, o discurso dos possíveis black blocs apresentados pelo jornal paulista

Por Igor Carvalho

No último sábado (31), o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria que noticiava a cooperação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Black Bloc. O intuito dos grupos seria “provocar o caos” em São Paulo durante a Copa do Mundo.

Na matéria, produzida pelo repórter Lourival Sant’Anna, 16 pessoas que utilizam táticas Black Bloc durante os protestos teriam dado entrevista ao jornalista, onde falam do encontro com membros do PCC na Penitenciária de Tremembé e da relação com os “torres” da facção.

Camila Nunes Dias, socióloga, professora da Universidade Federal do ABC e uma das maiores estudiosas sobre o PCC no Brasil. Em 2013, lançou o livro “PCC – Hegemonia nas prisões e monopólio da violência.”

Segundo a socióloga, a matéria é “muito frágil, com argumentos difíceis de serem sustentados”.“É improvável essa associação. São posturas e comportamentos completamente divergentes, os membros do PCC devem achar o pessoal que pratica o Black Bloc uma ‘molecada’”, analisa Camila, que vê dificuldade no diálogo entre os grupos. “O PCC é uma organização, com lideranças estabelecidas, os meninos black blocs não são um movimento, eles mesmos dizem que não há lideranças.”

Em determinado trecho da matéria, um dos entrevistados afirma ao repórter que os “torres” do PCC respeitam o “idealismo” dos blacks blocs. “’Torre’ era um termo utilizado há muito tempo atrás, pelo PCC. Hoje em dia, usam ‘sintonia’ e ‘disciplina’. Isso mostra como está descontextualizado o discurso dos entrevistados, me pareceu muito fake, as entrevistas”, afirmou a professora da UFABC.

Outro fato apresentado na matéria é contestado por Camila, o possível encontro de membros do PCC com os manifestantes black blocs em uma penitenciária em Tremembé, no interior de São Paulo.

“Em Tremembé, ficam presos considerados de alta periculosidade, presos famosos. Não sei se levariam para lá dois Black Blocs”, rebate a socióloga.

Para Camila, os interesses do PCC em uma ação na Copa do Mundo são “minímos”. “O que eles ganhariam? Uma tentativa de fuga em massa? Pouco provável. Uma ação desse tamanho os prejudicaria dentro e fora da cadeia, seus negócios seriam prejudicados. Provavelmente seria levados para penitenciárias federais.”

Por fim, Camila analisou que os “entrevistados não demonstravam ter conhecimento sobre o PCC” e alertou: “Vivemos um momento de boatos políticos, que acabam por criar histórias sem fundamentos.”

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14 comentários

  1. Verificável…

    Taí uma coisa que vai ser fácil verificar: dia 12 está logo ali.

    Meu palpite? No momento que a bola rolar, todos se calarão em frente a uma tela qualquer pela cidade e, depois das partidas, discutirão, irão comemorar, afogar as lágrimas, etc.

  2. Que a reportagem tem todos os

    Que a reportagem tem todos os ingredientes para ser “fake” não resta dúvida.

    Eu e outros comentaristas já apontamos vários “furos” e incoerências no texto.

    O proprio jornalista autor da reportagem (Lourival Sant´Anna) já foi condenado em 2007 por inventrar notícias no Estadão.

    Ex-editor do jornal O Estado de São Paulo condenado por falsificador de reportagens

    Jornal do Brasil (JB)

    São Paulo. A Justiça de São Paulo declarou culpado o jornalista Lourival Sant’Anna, ex-editor chefe do jornal O Estado de S. Paulo, em processo referente a reportagens fabricadas – de sua autoria – e publicadas no Estadão em dezembro de 2005. A condenação baseou-se em falsificações plantadas por Lourival Sant’Anna à época das negociações em torno da venda da Varig em fins de 2005.

    As falsificações constam de dossiê apócrifo, também voltado aos bastidores de outras disputas empresarias. Lourival Sant’Anna, Antonio Pimenta Neves (ex-diretor de redação do Estadão e assassino confesso da também jornalista Sandra Gomide) e Alberto Komatsu são investigados em inquérito da 10ª Delegacia de Polícia Civil do Rio de Janeiro pela autoria e divulgação do dossiê. Na reportagem que lhe rendeu a condenação, Lourival Sant’Anna chega a reproduzir textos completos do dossiê, alguns com erros grosseiros de grafia e fato.

    Em 2000, Lourival era braço direito do então diretor de redação do Estadão Pimenta Neves. Foi guindado a tal posição pelo homicida, de quem era protegido e favorito. Exerceu suas funções de editor chefe durante toda a perseguição que Pimenta empreendeu contra Sandra Gomide. Após o assassinato, com a saída de Pimenta da cúpula do jornal paulista, Lourival Sant’Anna deixou o emprego. Voltou ao Estadão tempos depois, prestando-se a “reportagens especiais”, supostamente a mando da direção do jornal.

    Em manifestação pública contra a má-qualidade do jornalismo de Lourival Sant’Anna, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2004 já classificara de “irresponsável, imprecisa e falaciosa” reportagem de Sant’Anna sobre a atuação de Organizações Não-Governamentais no Brasil.

    A relação de Lourival Sant’Anna com reportagens e dossiês apócrifos já foi comparada à atuação do repórter Jayson Blair, que em maio de 2003 tornou-se notícia mundial ao ser demitido pelo New York Times. O jornal concluiu e divulgou ter ele cometido diversas fraudes ao cobrir eventos jornalísticos. Blair inventava notícias e entrevistados.

    Lourival Sant’Anna também é conhecido pela autoria do livro Viagem ao mundo dos taleban, no qual descreve o panorama do conflito étnico e geopolítico no Afeganistão – sem ter passado um dia sequer naquele país. Tempos depois, enviado ao Oriente Médio para cobrir os últimos dias do regime de Saddam Hussein, Sant’Anna passou todo o período de queda do ditador iraquiano instalado confortavelmente num hotel cinco estrelas em Amã, Jordânia, a mais de 500 quilômetros do epicentro do conflito.

    A condenação implica detenção de três meses e meio, além de multa em dinheiro para o culpado – O Estado de S. Paulo terá de publicar em suas páginas íntegra da sentença condenatória. O jornal pode recorrer da sentença. A decisão da Justiça paulista chega no momento em que grupos empresarias prejudicados pelas reportagens de Lourival Sant’Anna nas negociações da Varig se preparam para mover pesadas ações reparatórias nos Estados Unidos e Europa contra veículos de comunicação que publicaram matérias fabricadas pelo ex-editor-chefe do Estadão.

     

    • E todos os dias ele dá suas

      E todos os dias ele dá suas opiniões de especialista em assuntos internacionais na rádio do grupo. Sai cada preciosidade…

  3. Nem o Estadâo se entende nesse caso

    No dia seguinte à publicação, em seu comentário na Rádio Estadão, o “especialista  em segureança pública” Cel José Vicente, já falava sobre a opinião de uma pesquisdora que acompanha os black bloks, de que era muito improvável que as declarações fossem críveis.

     

    Bem alinhado o jornalismo do Estadao

  4. Querem saber de outra que

    Querem saber de outra que esta rolando?

    “PCC ira destruir várias “pontes” durante a copa”.

    Tem gente caindo..mas poxa ..futebol é futebol..né?

    Vamos dar um tempo..”piguentos”.., 

  5. Certamente,  a

    Certamente,  a “reportagem”,inspirou-se no episódio  por ocasião  da conspiração  às vésperas do golpe ,em 64,em que  Júlio Mesquita,pergunta ao seu interlocutor,Lincoln Gordon,se poderia   contar com a colaboração,política e  tática do governo americano.Ao que  respondeu  o embaixador:”Se os paulistas  aguentarem por    48 horas,os EUA reconhecerão o novo poder  instalado e terão nosso apoio”.

    Não parecem almas gêmeas?

  6. Se passa, passa.

    Foi apenas uma idéia, uma sugestão. Não chegou nem a ser um convide.

    Mas, vai que cola.

    O que não poderia é o Estadão deixar de tentar.

  7. dancei

    Pois é, até eu entrei de gaiato nesse barco e acho que dancei. Entendi que poderia haver algum sentido, afinal depois de todos os boatos surgidos após os ataques do PCC a Rota em 2012, não seria tão dificil de imaginar que o PCC pudesse fazer qualquer coisa nessa época de Copa do Mundo no Brasil para tentar mostrar que ainda estão vivinhos da silva. Dou a mão a palmatória com muita satisfação, essa opção é muito melhor.

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