Folha resgata caso dos jornais fantasmas, detectado pelo governo em 2012

Jornal GGN – Com dados sobre os gastos federais com publicidade em mãos, a Folha de S. Paulo resgatou na edição desta quinta-feira (18) um problema solucionado pelo governo em 2012, assim que a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal apontaram que estatais estavam repassando verba para a Laujar Empresa Jornalística LTDA, investigada por suspeita de manter jornais fantasmas. Segundo o jornal, entre 2004 e 2012 R$ 1,3 milhão foram destinados à empresa, que também recebeu verba para veicular publicidade do governo de São Paulo, durante a gestão de José Serra (PSDB).

Estatais destinaram R$ 1,3 milhão para jornais-fantasmas

Da Folha

As principais estatais federais direcionaram, de 2004 a 2012, R$ 1,3 milhão para veiculação de propaganda em jornais do interior de São Paulo que na prática não existem.

Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Correios e BNDES fizeram os pagamentos à Laujar Empresa Jornalística LTDA, que desde 2012 é investigada pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União) por suspeita de fraude.

Após uma vitória em ação judicial contra o governo, a Folha e o UOL (empresa do Grupo Folha) detalharam nesta terça-feira (16) a aplicação da verba de propaganda das estatais, com dados mantidos até então sob sigilo.

A Laujar recebia os valores por supostamente veicular publicidade nos jornais “Diário de Cubatão”, “Jornal do ABC Paulista”, “Jornal Paulistano”, “O Dia de Guarulhos” e “Tribuna de Osasco”.

Como a Folha revelou em 2012, porém, todos esses títulos eram desconhecidos no ABC Paulista, região onde supostamente eram editados.

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Naquele ano, o jornal mostrou que a Laujar havia recebido R$ 135,6 mil da Presidência a título de publicidade.

A Folha constatou que a empresa tinha sede em um imóvel fechado e vazio em São Bernardo do Campo (SP), que seus títulos não eram vendidos em bancas de jornal, não eram cadastrados em nenhum sindicato editorial, além de serem completamente desconhecidos de jornalistas e jornaleiros da região.

Exemplares enviados à Presidência na época continham sinais de serem forjados, como textos copiados da internet e anúncio de uma empresa privada (Unimed) que negou ter veiculado propaganda nesses órgãos.

Também em 2012 a Folha revelou que o governo de São Paulo gastou, entre 2008 e 2010, durante a gestão de José Serra (PSDB), pelo menos R$ 309,1 mil para pagar anúncios nos jornais da Laujar.

A Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) disse nesta quarta-feira (17) que desabilitou os títulos da Laujar em maio de 2012 por irregularidades, tendo pedido a instauração de processo administrativo na CGU e investigação na Polícia Federal.

“O processo está em andamento aguardando o parecer de perícia técnica da PF sobre os comprovantes de veiculação entregues pelas agências de publicidade.”

A Secom ressalta que tem implantado “uma série de medidas para aperfeiçoar as informações do seu cadastro de veículos e mitigar riscos, entre elas a solicitação de envio periódico de exemplares, em datas aleatórias” e “comprovantes de impressão gráfica”. Com isso só “1.060 títulos, entre os 2.780 jornais cadastrados, estão aptos a participar de ações do governo”.

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As estatais enviaram resposta similar, afirmando que os veículos estavam regulares na época do repasse e que aguardam a conclusão da apuração da Polícia Federal.

Uma pessoa que atendeu a ligação ontem na sede informada da Laujar disse que não poderia falar pela empresa e que dificilmente Wilson Nascimento, o dono, se pronunciaria. Em 2012, Wilson negou que seus jornais fossem fantasmas e afirmou que eles circulavam normalmente. Ele não apontou onde a reportagem poderia comprá-los.

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11 comentários

  1. É inacreditável essa matéria.

    É inacreditável essa matéria. Um caso clássico de não-notícia. Primeiro que quem gastou mais não foi para a manchete. Segundo que, se o problema foi resolvido em maio de 2012, onde está a importância da notícia agora?

    • Achaque

      O que motiva o jornal (e possivelmente o jornalista) é o achaque, nunca a notícia. É uma fatura a cobrar, destinada tanto ao Planalto quanto ao minúsculo político do irrisório PSDB. O jornaleco segue a surrada trilha da abominável revista marginal: ameaça e promete ameaçar ainda mais se os políticos tradicionais não pingarem uns trocos no cofre dos miseráveis. 

  2. Financiamento da mídia.

    Será que a Folha e os demais veículos de comunnicação que receberam verbas publicitárias executaram o serviço como determinado em contrato.

    Que tal o TCU e CGU se debruçarem sobre esse assunto, a correspondência entre os valores pagos e a execução do serviço. Ou uma CPI ára averiguar essas situações acerca do “financiamento estatal” da mídia brasileira. Algum Deputado ou Senador estaria disposto a colher assinatura para efetuar essa checagem. Uma bela motivação para dar transparência ao assunto.

    Já que o Globope saiu do ar, e está ingressando o Instituto GfK, é um propício momento para auditar essas medições e a real veiculação das “propagandas estatais” na mídia. Inclusive, propondo a regulamentação legal do pagamento de Bonus de Volume oriundo do “propaganda estatal”. Ou seja, “comissionamento” de agências de publicidade com dinhewiro público – pra mim, isso tem nome: jabaculê.

    Deve ter gente grande que recebeu e não executou. E deve republicanamente se explicar em público, em nome da transparência.

  3. Para a Folha não importa que

    Para a Folha não importa que a materia seja requentada dos idos de 2012; notícia ruim é como o amor: “É eterna enquanto dure”.

  4. E os gastos Estaduais?

    Não houve alguma ação semelhante referente aos gastos de publicidade dos Governos dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná?

  5. a não-notícia vale tanto

    a não-notícia vale tanto quanto aquelas matérias em que o cara

    que sofreu assassinato de reputação faz algo, qualquer coisa,

    e  a grande mídia lembra depois no título que o cara participou daquele desvio de anos atrás.

    desvio inventado, pois já era o primeiro asssssinato de reputação.

    a grade míidia então mente e depois desarquiva a mentira para lembrá-la outra vez.

    daí a óbvia conclusão: se o cara estiver

    no arquivo da grande mídia, tá ferrado.

    exemplo típco foi o mentrão:

    roteirizaram como quiseram conforme seus interesses e

     tudo continua lá como antes, sem as mudanças que houve no caso.

     

     

  6. É o “quinto turno” que o PIG,

    É o “quinto turno” que o PIG, via Fa-lha de São Paulo quer instaurar. Vale qualquer coisa, desde que seja para desacreditar a dupla Lula/Dilma. Até transformar en notícia um caso já superado. O desespero dos Frias e capangas é visível. Será que ao fim e ao cabo vão cometer suicídio coletivo em praça pública?

  7. piguento tb acerta

    concordo com a folha: tem ‘qui cortá’ o ‘mar’ pela raiz chega de governo e estatais bancarem a midia corporativa!

  8. + comentários

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