Leitoras, leitores e assinantes protestam contra a parcialidade do programa sabatina Folha/UOL

Concordamos com o cientista político Samuel Braun que no Facebook escreveu: 'o tratamento dado ao Boulos chegou a ser ofensivo'.

do Psicanalistas pela Democracia

Leitoras, leitores e assinantes protestam contra a parcialidade do programa sabatina Folha/UOL

À Folha de São Paulo e Universo Online,

Nós, assinantes, leitoras e leitores da Folha de São Paulo e UOL, abaixo assinados, vimos a público manifestar nosso protesto contra o que nos pareceu extremamente parcial, durante o programa intitulado Sabatina Folha/UOL realizado no dia 26/11/2020. O programa tinha por objetivo entrevistar separadamente Bruno Covas e Guilherme Boulos, candidatos à prefeitura de São Paulo, que disputam o segundo turno das eleições no próximo domingo (29/11/2020) .

Entretanto, o que assistimos foi uma assimetria preocupante no tratamento dispensado aos candidatos, o que coloca em xeque os princípios da imparcialidade e da própria democracia defendidas por esse veículo.

Vimos um tratamento distinto conferido a cada um dos candidatos. Diferentemente da entrevista anterior realizada com o candidato Bruno Covas no mesmo programa, durante a entrevista com o candidato Guilherme Boulos, as entrevistadoras Thais Oyama e Luciana Coelho se posicionaram praticamente como adversárias do candidato em boa parte das intervenções endereçadas a ele.

Em determinados momentos,  a suposta entrevista nos pareceu mais um pretexto para que as jornalistas apresentassem ao público seus próprios pontos de vista (ou da empresa), do que oportunizar ao candidato esclarecer pontos de seu programa.

Guilherme Boulos foi interrompido em suas respostas por 7 vezes, enquanto Bruno Covas foi interrompido 3 vezes, uma delas brevíssima.

Questões importantíssimas sobre o perfil do candidato a vice de Bruno Covas, Ricardo Nunes, apoiador da Escola sem Partido e sob  investigação da promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo, foram tocadas suavemente pelas entrevistadoras.

O mesmo ocorreu com o gravíssimo problema da pandemia na cidade e no país. A afirmação de Bruno Covas durante o programa de que “a quantidade de óbitos e de casos permanecem os mesmos em São Paulo”, não gerou qualquer reação das entrevistadoras

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Questionamentos sobre programa de governo não foram feitos ao candidato Bruno Covas. Tampouco, perguntas extremamente longas que roubassem o tempo de resposta do candidato. O mesmo tratamento não foi dado  a Guilherme Boulos na sua sabatina.

Perguntas quase hilárias foram dirigidas à Guilherme Boulos, como: a cidadania de “donos de mansão” ou a “metragem das mansões”. Essas perguntas foram não apenas tendenciosas como panfletárias, a fim de atrair explicitamente as camadas ricas da população contra a candidatura de Boulos/Erundina.

Concordamos com o cientista político Samuel Braun que no Facebook escreveu: ‘o tratamento dado ao Boulos chegou a ser ofensivo’.

Ao fim do programa, a jornalista Thaís Oyama utilizou 38 dos 44 segundos restantes para formular sua pergunta final e ainda instruir Guilherme Boulos a fazer suas considerações finais. Ao candidato Guilherme Boulos restaram risíveis 6 segundos,  ao fim dos quais o microfone foi sumariamente cortado.  Seria cômico se não fosse trágico.

Já a última pergunta ao candidato Bruno Covas foi sobre “o pior momento para ele, no enfrentamento de sua doença”. Não sobre o estágio atual – o que embora seja uma pergunta inconveniente,  pode até ser considerada de interesse público. Da maneira como formulada, essa questão pode ter impacto emocional sobre eleitores(as), e é irrelevante para qualquer decisão sobre voto.

Um exemplo crasso de um jornalismo questionável foi exibido na sabatina Folha/UOL desta quinta feira 26/11/2020.

A atitude do portal de publicar um pedido de desculpas e oferecer espaço para a resposta do candidato nem de longe resolve os problemas construídos no curso dos 45 minutos da sabatina. Mas, como apontam para o reconhecimento de um erro grave, entendemos que seja necessário uma resposta reparadora urgente e proporcional ao erro cometido. É urgente que essa instituição responda com responsabilidade para não repetir o que ocorreu nos últimos instantes da eleição presidencial de 1989, quando uma edição de debate influenciou profundamente o destino do pleito.

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Como leitoras, leitores e assinantes da Folha de São Paulo e do UOL pensamos que atitudes assim  merecem profunda revisão da empresa quanto à condução das  entrevistas citadas e outras a serem realizadas que, em nossa opinião, deveriam primar por procurar esclarecer imparcialmente as propostas de cada um dos dois candidatos a prefeito da  cidade de São Paulo. Só assim as pessoas que acompanham a Folha de São Paulo e o UOL estariam protegidas da vasta produção de fake news, inverdades e afirmações sem comprovação, que abundam nas redes sociais; só desse modo o jornalismo pode ser a contrapartida de informações sem credibilidade que não exigem assinaturas e nem confiança para serem acessadas.

Respeitosamente

  1. Ananda Endo – leitora da Folha de SP e do UOL
  2. Inaiá Silva – leitora e assinante da Folha de SP e leitora do UOL
  3. Miriam Debieux Rosa , professora universitária da Usp e assinante da Folha de São Paulo
  4. Célia Souza – professora aposentada – leitora da Folha de São Paulo e assinante da UOL
  5. Rita Kerder Pedagoga, assinante Folha de S.Paulo e Uol
  6. Gilson Domingues – Professor do Centro Universitario Belas Artes, leitor do UOL .

7 -Alexandre Aahron Ben Avhran – leitor da Folha e assinante Uol

8- Cleusa Pavan, psicanalista, assinante da FSP

9- Maria Luiza Maia, assinante do UOL

  1. Maria Silvia Borghese, psicanalista, leitora do UOL e da Folha de São Paulo
  2. Marco Farias, professor da educação básica, leitor da Folha de São Paulo
  3. Vera Rodrigues , psicanalista, assinante da Folha de S.Paulo.
  4. Cris Fernández Andrada, psicóloga, professora da PUC-SP e leitora da Folha
  5. Luciana Miranda Penna, leitora da Folha de S. Paulo e do UOL
  6. Thales Chamarelli Felipe, estudante, leitor da Folha de S. Paulo e do UOL
  7. Ruy Valente – Procurador de Justiça aposentado – assinante Uol
  8. Cristiane Izumi Nakagawa, psicanalista e psicóloga social, leitora da UOL
  9. Débora Albiero, psicanalista, leitora do UOL.
  10. Danielle Teixeira Gimenes, psicóloga, leitora da UOL e assinante da Folha de S. Paulo
  11. Sthefânia Carvalho, psicóloga, leitora uol
  12. Vagner Souza, educador, leitor uol
  13. Bruna da Costa Uva, psicóloga e psicanalista, leitora da UOL
  14. Paulo Endo psicanalista, professor livre docente da USP e assinante do Uol
  15. Ana Lucia Garbin, psicóloga clínica, trabalhadora da cultura, leitora da Folha de São Paulo e do Uol
  16. Gabriela R. F. Basso, psicanalista, assinante Folha de São Paulo
  17. João Felipe Domiciano, psicanalista, douturando do IP-USP e assinante do Uol
  18. Ilana Katz, psicanalista, assinante da FSP
  19. Mariana Rosa, jornalista
  20. Mara B. Zeyn, psicóloga, leitora da FSP
  21. Márcia de Mello Franco, psicanalista, assinante da Folha de São Paulo e UOL.
  22. Nilson Sibemberg, psicanalista, assinante da FSP
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32 Rogerio Sotilli, historiador

33 Érika Pisaneschi, fonoaudióloga, assinante da Folha de São Paulo.

  1. Cecilia Santana, psicanalista, assinante da Folha de São Paulo
  2. Helena Katz, professora universitária, assinante da Folha de S. Paulo
  3. Pedro Mascarenhas. Psicanalista. Leitor e assinante da folha
  4. Sandra Orelhana – mercadóloga e assinante da Folha de São Paulo
  5. Maria Laurinda Ribeiro de Souza, psicanalista, assinante da FSP.
  6. Maria de Fátima Vicente, psicanalista, leitora do Uol e Folha.
  7. Felipe Borghese, jornalista, assinante do Uol e Folha.
  8. Maria Helena Fernandes. Psicanalista. Assinante da Folha de S. Paulo
  9. Lilian meyer Frazao, gestalt terapeuta, assinante UOL
  10. Maria Tereza V. Montserrat. Psicanalista. Leitora da Folha de SP.
  11. Renata Lauretti Guarido, psicanaliista, assinante Folha
  12. Janete Frochtengarten, psicanalista, leitora da Folha de São Paulo

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7 comentários

  1. Melhor fariam os signatários deste protesto, e aqueles afinadas com ele, se além da manifestação, fizessem o cancelamento ($$) da compra/assinatura do jornal e do portal, de propriedade da bilionária família Frias.

    Com tantas fontes de informação hoje disponíveis via Internet, carece de sentido alimentar ($$) a mídia venal citada por Jessé Souza e aquela que o inesquecível PHA chamava de “PIG”, Partido da Imprensa Golpista.

  2. Não tem que protestar nada. Desde 1982,pelo menos,em todas as campanhas eleitorais,o grupo dono do jornal do rato faz a mesma coisa. Quem lê,ouve ou vê, o faz por puro masoquismo.
    Nossa mídia é golpista desde sempre e a melhor forma de acabar com isso é ignorando-os e construindo uma informação alternativa de forma democrática e participativa.

  3. Um Ato importante. Apesar de minha descrença com essa direita cheirosa e seus empregados que creem serem elite também, é necessário manifestações de descontentamento quando há desonestidade explicitada. E saber que uma das entrevistadoras publicou livro tentando ensinar como entrevistar. Risível.

  4. Alceu Castilho (De olho nos ruralistas)

    44. 43. 42. 41. 40. 39. 38. 37. 36. 35. 34. 33. 32. 31. 30. 29. 28. 27. 26. 25. 24. 23. 22. 21. 20. 19. 18. 17. 16. 15. 14. 13. 12. 11. 10. 9. 8. 7.

    A jornalista Thais Oyama, autora de livro sobre a arte da entrevista, formula uma pergunta interminável para o candidato Guilherme Boulos, a desafiar os restos de credibilidade do jornalismo comercial brasileiro. O tempo está correndo, o cronômetro vai parar. Boulos e a outra entrevistadora e o país assistem, perplexos, à peroração de Thais. Não contente com a violência formal, ela joga no ar uma informação falsa — negativa para o candidato — e ainda sugere (sonsa, caro leitor, ela é sonsa) que, além de responder, ele teça suas considerações finais.

    6. 5. 4. 3. 2. 1.
    Boulos tem seis segundos para tudo isso.

    70. 69. 68. 67. 66. 65. 64. 63. 62. 61. 60. 59. 58. 57. 56. 55. 54. 53. 52. 51. 50. 49. 48. 47. 46, 45. A mesma Thais Oyama, pouco antes, dirige-se de forma simpática (e sabuja) ao candidato Bruno Covas: “O senhor está em tratamento de câncer, tem tratado desde o início sua doença com muita transparência. Então gostaria que o senhor contasse para a gente qual foi o momento mais difícil que o senhor enfrentou nesse período e já emendasse com as considerações finais”.

    44. 43. 42. 41. 40. 39. 38. 37. 36. 35. 34. 33. 32. 31. 30. 29. 28. 27. 26. 25. 24. 23. 22. 21. 20. 19. 18. 17. 16. 15. 14. 13. 12. 11. 10. 9. 8. 7. 6. 5. 4. 3. 2. 1.

    Bruno tem esse latifúndio televisivo para dizer o que quer, a poucos dias da eleição. Vejam como há tempo, aqui, para que ele se dirija ao distinto público, na condição de vítima e herói, após a intervenção da entrevistadora marota. Bruno tem tempo para respirar. Desenvolver. Argumentar. Emocionar. Este trecho de texto é mais longo — dá até para fazer algumas digressões — para ilustrar o tanto de coisas que dá para dizer no período. A ele foi concedida uma chance, uma dádiva, um mimo, enquanto o jornalismo brasileiro estrebucha. Thaís oferece ao tucano a oportunidade que não deu para o adversário. O país assiste a mais um estelionato eleitoral.
    ************************************************************
    Publico acima 60 asteriscos para reforçar a dimensão desse escândalo. A corrida eleitoral na cidade mais populosa e rica do país ganha essa mácula abjeta. Ainda que ilustrativa do que acontece por aí em nossas gloriosas redações.

    E corporativismo maldito nenhum deveria nos impedir de gritar ao mundo o que essa incompetente — na melhor das hipóteses, uma incompetente — fez, nesta quinta-feira, uma quinta-feira chuvosa em São Paulo.
    Vamos nos calar? O tempo da eleição está acabando. Faltam só dois dias. Menos de 48 horas. Nosso espaço é menor. Mas ele existe. O UOL e essa elite brasileira escrota precisam entender que eles podem até levar. Ganhar, jamais.

    A história mais bonita será escrita por aqueles que resistem.

  5. Se você quer se vender por alguma coisa.
    Pense MINI, pense Folha.
    Inove no tempo,
    Pro prefeito, dê tudo.
    Como é que é?
    Eu nunca fiz!
    Fiz outra vez!
    Não entendi!

    • Nem o povo parece com vontade de tirar o filé deles e ficar roebdo ossos. Então? F……-se para o povo da Tucanolândia

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