O boom do nordeste, segundo a Folha

Carta Maior; Domingo, 06/03/2011)

FOLHA: UM FENÔMENO DO REBOLADO

 Neste domingo de Momo, o jornal da família Frias brindou os leitores com uma detalhada reportagem de duas páginas sobre a revolução econômica em marcha no Nordeste brasileiro, mais especificamente em Pernambuco. Um ciclo de redenção econômica e social, atesta a matéria, acontece nesse momento na região mais pobre do país puxado por uma “injeção de R$ 46 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até 2014… (o conjunto está fazendo de ) “…Pernambuco, a nova locomotiva do Nordeste (e)… tem mudado não só a vida dos 8,7 milhões de pernambucanos, mas sobretudo permitido a volta dos retirantes que um dia caíram no mundo atrás de uma vida melhor (…)”, continua a reportagem, que aponta: “No interior, duas obras gigantes (a transposição do rio São Francisco e a construção da Ferrovia Transnordestina) ajudam a desenhar uma nova paisagem na vida do morador do agreste e do sertão…” Perfeito. Exceto por um detalhe: o diário da família Frias e o ilustre repórter Agnaldo Brito conseguiram documentar uma revolução sem perguntar a sua causa e informar a sua origem. Ao longo de densas duas páginas  não se menciona uma única vez o  governo Lula, tampouco  o PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento –que o candidato do jornal à sucessão de Lula dizia ser uma ficção. Vê-se, agora, que era na verdade  um impulso transformador  inédito naquele pedaço do país . Por essas, e tantas outras, Otavinho e Agnaldo levam o estandarte de ouro deste entrudo. No quesito contorcionismo não tem para ninguém, eles rebolam mais que a Mangueira inteirinha.

http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm

Sobre o PAC na Folha

Eliane Cantanhede, em 7 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff conseguiu finalmente criar ontem um factoide, ops!, uma notícia positiva para saciar a imprensa e a sociedade neste início de ano e de governo com chuvas, desmoronamentos, confusões e rebeldias de aliados.
Foi-se o Fome Zero de morte morrida, consolidou-se o Bolsa Família e nasce o “PAC da Miséria”, com os chatos de galocha lembrando aquele detalhe constrangedor de que nem tudo o que reluz na propaganda governista é ouro nas obras do PAC PAC, o primogênito.

Editorial de 12 de dezembro de 210

Disposto a disfarçar um balanço de fim de mandato pouco satisfatório das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o governo Lula resolveu encobrir atrasos e inflar os números divulgados ao público.

Gusto Patu, 6 de novembro de 2009

Certamente a explicação não será a superação dos defeitos de antes. De lá para cá, a carga tributária cresceu, o gasto com previdência e pessoal cresceu ainda mais e a dívida do governo está em alta neste ano; as reformas pararam, o PAC não cumpriu suas metas e o país ocupa o 56º lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.
Mais simples é permitir uma leitura mais otimista dos feitos do período, o que não vale só para a retórica política local. O Banco Mundial, por exemplo, que em 2007 classificou de “medíocre” e “desapontador” o desempenho brasileiro contra a pobreza, neste ano publicou estudo em que cita o país, ao lado de China e Índia, como paradigma global nessa luta.
Lula tira partido desses humores volúveis e tanto prevê um futuro brilhante quanto formula o passado mais conveniente para explicá-lo, de Estado forte, Luz para Todos, Bolsa Família. E terá razão enquanto não for necessário recordar os antigos motivos de fracasso.

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