O Globo ignorou respostas da Infraero

(Nassif, desculpe o tamanho deste material. Mas considero que o tema “Infraero e os Aeroportos do Brasil” é a Geni do Lula. O material, abaixo, tem a resposta da empresa para matéria publicada no último domingo, em “O Globo”, e a correspondência mantida entre a Assessoria da Infraero com o autor da matéria. E uma grave acusação: o redator simplesmente ignorou todas as informações e dados do outro lado, isto é a Infraero).

Da Infraero

RESPOSTA DA INFRAERO AO JORNAL “O GLOBO “
02.08.10

Em relação à matéria “Um Aeroporto à espera de um Comando”, de Paulo Marqueiro, publicada na edição do dia 1/08/2010, a Infraero considera lamentável a divulgação de tantas inverdades. No dia 29/07/2010, a assessoria de imprensa enviou uma séria de respostas completas (em anexo) ao repórter para auxiliá-lo no texto. Infelizmente, ele não publicou os dados verdadeiros, nem mesmo ouviu algum representante da Empresa. Por quê? Caso isso tivesse acontecido, a matéria deixaria de ser tendenciosa, pois a Empresa teria, pelo menos, a oportunidade de defender-se de acusações pesadas e sem qualquer base.

Um exemplo claro é a declaração feita por um dos entrevistados que acusa a Infraero de ser administrada politicamente e com “afilhados políticos, amigos do rei”. A Empresa novamente reforça o fato – inclusive já divulgado pelo Jornal O GLOBO em 2009 – de que a Empresa não é gerida politicamente e sim por profissionais do quadro orgânico. Há mais de um ano, a Infraero passou por reformulação, o que pôs fim aos contratos especiais de empregados que não eram do quadro orgânico da Empresa. Além disso, a atual Diretoria Executiva, empossada em 2009, é composta por empregados de carreira, com formação técnica e experiência na administração de aeroportos, com mais de 20 anos de empresa. Seria interessante que o professor da Cooppe/UFRJ, fonte de tantos disparos errôneos, estivesse melhor informado, antes de dar entrevistas.

ComCom relação aos dados, convidamos o repórter para conferir de perto as obras que estão sendo realizadas antes de produzir um texto infundado. A Infraero solicita que o editor observe as respostas enviadas ao jornalista com base em dados oficiais e que não foram incluídas na matéria, tornando o texto parcial.

Infelizmente, o espaço cedido à Empresa pelo veículo é a coluna “Cartas aos Leitores” e lamentavelmente, não temos um espaço justo para tornar a matéria neutra – base do jornalismo em qualquer lugar do mundo.

Assim sendo, basta reforçar, mais uma vez, os números. O Aeroporto Antonio Carlos Jobim/Galeão está empenhado nos trabalhos de adequação de sua estrutura para atender ao crescimento da demanda. As reformas do Galeão, que fazem parte do cronograma de obras e envolvem tanto a completa revitalização do Terminal de Passageiros 1, quanto a conclusão do Terminal de Passageiros 2. Com a conclusão das obras, a capacidade operacional do aeroporto subirá de 18 milhões de passageiros/ano para 26 milhões de passageiros/ano, proporcionando mais conforto e velocidade para os usuários do Galeão.

Há de ressaltar, por fim, outra grave acusação na matéria: O repórter diz que “Outro problema que as obras da Infraero não vão resolver é a questão do acesso”. Mais uma vez, acusa-se a Infraero de obras de acesso viário, que, sem dúvida, não é de responsabilidade da gestão aeroportuária, e sim do Governo Estadual. Mas não houve, mais uma vez, preocupação em deixar o leitor informado. Lamentável.

Diretoria Executiva da Infraero

Léa Cavallero – Superintendente de Marketing e Comunicação Social – Infraero

O GLOBO ELEIÇÕES 01/08/2010

Um aeroporto à espera de comando
Paulo Marqueiro

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Especialista da Coppe/UFRJ diz que problema do Tom Jobim é de gestão e que política na Infraero atrapalha

O nome é nobre: Antônio Carlos Jobim. Mas a reputação do Aeroporto Internacional do Rio, o quarto mais movimentado do país, tem tropeçado em escadas rolantes quebradas, esteiras paradas, elevadores enguiçados e instalações malconservadas. A quatro anos da Copa do Mundo e a seis das Olimpíadas, a principal porta de entrada da capital fluminense coleciona alcunhas como “rodoviária de quinta” ou “aeroforno” e suscita um debate sobre o atual modelo de gestão do terminal. Embora a Infraero, estatal que administra 67 Aeroportos, anuncie investimentos de R$ 687 milhões no Galeão entre 2011 e 2014 — que ficarão para o próximo governo — a plástica pode não ser suficiente para que o Tom Jobim decole. Na opinião de Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), o grande problema do Aeroporto, inaugurado em 1977 e ampliado em 1998, é a gestão:

— O Galeão é a joia da Coroa. Mas não está sendo bem gerenciado. A gestão dos Aeroportos está sendo influenciada politicamente. A Infraero tem bons profissionais, mas eles ou não estão exercendo função de mando ou estão sem recursos para agir. Isso precisa ser revisto. Será que as pessoas estão lá por terem perfil adequado ou por serem afilhados políticos, amigos do rei, ou são mais apegados à cadeira do que ao objetivo da função? O transporte aéreo foi relegado a segundo plano, com a nomeação, em vários casos, de pessoas com bons relacionamentos políticos e pouco ou nenhum conhecimento de gestão — diz Elton Fernandes, que defende a abertura de capital da Infraero como forma de melhorar a gestão dos Aeroportos.

Presidente da Firjan defende concessão do Aeroporto
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, os problemas de gestão no Galeão/Tom Jobim tornam o Aeroporto uma vergonha nacional:

— A primeira impressão que o estrangeiro tem ao chegar é a de um país de vigésimo mundo.

Eduardo Eugenio é um dos que defendem a concessão do Galeão à iniciativa privada:

— O Estado não tem que explorar Aeroporto. Isso é uma coisa que o setor privado faz com competência em vários lugares do mundo, liberando o Estado para investir em outros setores.

Embora a concessão dos Aeroportos tenha sido cogitada pelo atual governo, devido ao calendário eleitoral, essa discussão deverá ficar para 2011. Na tarde de quinta-feira, os problemas do Galeão podiam ser testemunhados sem esforço, ou quase. Das seis esteiras que ligam os terminais 1 e 2, duas estavam inoperantes. Nos dois terminais, havia escadas rolantes e elevadores parados. Segundo a Infraero, as obras de revitalização, que incluem a conclusão do Terminal 2, a reforma do Terminal 1 e a recuperação de pistas e pátios, estão em andamento e devem ficar prontas até setembro de 2012. A construção de um edifício-garagem ainda está sendo licitada, já que o estacionamento subterrâneo não atende às normas de segurança para as Olimpíadas.

— O Galeão tem uma estrutura física que permite atender à demanda prevista para 2014 e 2016. Mas as obras terão de estar concluídas — diz Ronaldo Jenkins, diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).

Pelos dados da Infraero, de 2003 a 2009 o número de passageiros no Galeão subiu 156%, de 4,6 milhões para 11,8 milhões. Mesmo assim, o Aeroporto é considerado ocioso. Segundo o Boletim de Indicadores de Transporte Aéreo (BITA), este ano o número deve chegar a 13,4 milhões, ainda abaixo da capacidade (18 milhões). Em 2014, se forem feitas as obras previstas, serão 20,6 milhões, para uma capacidade de 26 milhões. As falhas na gestão do Aeroporto ficam claras nas tarefas mais simples. Como nas longas filas para pagamento da taxa mínima de R$ 6 nos estacionamentos. Na tarde de domingo passado, motoristas enfrentaram 40 minutos de espera para sair do estacionamento, praticamente uma viagem Rio-São Paulo. Na raiz do problema, o fato de existirem só quatro caixas abertos para atender a três andares. Apenas um funcionário orientava centenas de motoristas. Outro problema que as obras da Infraero não vão resolver é a questão do acesso. Sem linhas de metrô ou trem ligando os terminais ao Centro, o Tom Jobim deixa o passageiro à mercê de serviços de ônibus e táxis de qualidade duvidosa.

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— A acessibilidade é um dos pontos fracos do Aeroporto. É preciso um ramal de metrô, um transporte público. E, para ter viabilidade, esse transporte teria de se estender à Ilha do Governador e à Cidade Universitária. O Aeroporto de Atenas foi construído para as Olimpíadas com trem e metrô — diz Elton Fernandes, autor de um estudo sobre as demandas dos Aeroportos feito em parceria com o Snea.

Para as olimpíadas de 2016, a prefeitura do Rio prevê a construção de um Bus Rapid Transit (BRT) entre a Barra da Tijuca e o Tom Jobim. O projeto está em fase de licitação.

RESPOSTA AO JORNAL O GLOBO
enviada em 29.07.10

Prezado Paulo,

Em relação aos seus questionamentos, a Infraero esclarece:

1) Que obras e serviços estão sendo feitos hoje?

Atualmente o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antônio Carlos Jobim está executando as obras de reforma e revitalização do Terminal 1 e finalização do Terminal 2, além de diversas obras nos sistemas de Pista, Pátios e balizamento.

Entre os serviços em execução nos dois terminais estão:

– Aquisição de cinco esteiras de bagagem no desembarque internacional do Terminal 1: previsto para agosto de 2010.

– Substituição de todos os 60 elevadores (dos dois terminais de passageiros e demais instalações do aeroporto): a troca dos oito primeiros elevadores iniciou em agosto de 2009 entrando em operação em janeiro de 2010. A conclusão final de todos os 60 elevadores está prevista para agosto de 2011.

– Substituição do forro por forro Baffle (e luminárias): iniciada em setembro/09 e previsão de término para novembro de 2010.

– Reforma do antigo Terminal de Carga para Terminal de Exportação: início da obra em janeiro/10 e previsão de término para dezembro de 2010.

– Conclusão do Terminal 2: término previsto para 2011.

Além disso, há outros serviços sendo executados no aeroporto, como a reforma dos sistemas de luzes de aproximação, com previsão de término para outubro de 2010; a recuperação de pistas e pátios do sistema 15/33, prevista para agosto deste ano e a adequação do sistema de Pistas e Pátios para operação do A380, cujo término está previsto para março de 2012.

2) Quanto já foi investido (e em que período)?

A Infraero já investiu cerca de R$ 112,5 milhões nas obras de reforma do Terminal 1 e finalização do Terminal 2 entre 2008 e 2010. Desse montante, 12,5 milhões são referentes aos setores A, B e C do Terminal de Passageiros 1; e R$ 100 milhões nas obras de conclusão do Terminal 2 já foram investidos aproximadamente R$ 100 milhões.

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Abaixo, segue a relação das obras:

– 44 sanitários reformados: concluído em outubro de 2009.

– Reforma do embarque restrito do setor C: concluída em janeiro de 2010.

– Reforma do embarque restrito setor A: concluída em junho de 2010.

– Reforma do embarque internacional restrito do setor B: concluída em julho/10.

– Reforma e modernização do Sistema Informativo de Vôo (nos dois terminais de passageiros): concluída em maio/09.

– Recuperação das fachadas do Terminal de Passageiros 1: concluída em abril/2010.

– Revitalização do balizamento do sistema de pistas: concluída em junho/2010.

– Recuperação estrutural de pavimentos e juntas metálicas do sistema de pistas 10/29: concluída em junho/2008.

– Polimento do piso de granito: concluído em junho/09.

– Forro mineral (teto rebaixado): concluído em junho/09.

– Troca do piso plurigoma (emborrachado preto): concluído em junho/09.

– Troca do piso vinílico (“paviflex”): concluído em junho/09.

– Substituição das paredes de fórmica: concluído em agosto/09.

– Revestimento das colunas (pintadas de branco) por granito: concluído em setembro/09.

– Testeiras internas e externas: concluída em janeiro/2010.

3) O que ainda será feito? Quanto ainda terá de ser investido (até quando?) para deixar o aeroporto preparado?

Para deixar o aeroporto em condições de atender a demanda projetada até 2014, incluindo a que surgirá em função da Copa do Mundo, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro receberá R$ 687,3 milhões em investimentos, entre 2011 e 2014, para concluir a reforma do Terminal 1, com previsão de término em setembro de 2012; e a finalização do Terminal 2, prevista para abril de 2011, conforme a tabela abaixo:

Aeroporto do Rio de Janeiro/Galeão
Projeto/Obra
Valor (R$ milhões)
Data de conclusão
Status
Reforma do Terminal de Passageiros 1
301,1
set/12
Obras em andamento
Finalização do Terminal de Passageiros 2
386,2
abr/11
Obras em andamento
Total Galeão
687,3
   

4) Em relação às obras mais robustas e que foram anunciadas pelo presidente da Infraero, como a ampliação do estacionamento do terminal 2, a construção de um edifício garagem no terminal 1, a conclusão daquele um terço do terminal 2 que não havia sido concluído e a reforma total do terminal 1, em que pé estão estes projetos? Quando estas obras devem ser iniciadas?

Conforme respostas anteriores, as obras nos Terminais 1 e 2 já foram iniciadas. Quanto à construção de um edifício-garagem, a Infraero está finalizando os estudos para lançar um edital de concessão de área, para que a empresa vencedora construa o prédio e opere os serviços de estacionamento.

Com relação à ampliação do estacionamento do Terminal 2, essas obras devem ser iniciadas em 2011, uma vez que a Infraero está realizando os projetos desse empreendimento.

5) Quais os obstáculos para a implementação das obras acima?

Não há obstáculos. As obras no Galeão estão sendo realizadas dentro do cronograma estabelecido e foram planejadas tendo em vista a demanda projetada até 2014, bem como a que surgirá em função da Copa e das Olimpíadas de 2016. Assim, os investimentos das Infraero no Aeroporto Internacional do Galeão serão suficientes para atender, com todo conforto e segurança, a demanda de passageiros que surgirá nesse período.

Atenciosamente,

Léa Cavallero
Superintendente de Marketing e Comunicação Social – Infraero 

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