O que Tito Lívio tem a ensinar às vítimas do jornalismo de guerra?, por Fábio de Oliveira Ribeiro


Uma das coisas que ficaram claras após a posse de Michel Temer foi que, em nosso país, a imprensa praticou jornalismo de guerra. Apesar da economia estar entrando em colapso (queda de vendas no comércio, desespero financeiro na bolsa de valores, interrupção de investimentos, alta do dólar, retração da arrecadação de impostos, etc…) os jornalistas afirmam que tudo está melhorando. Quando Dilma Rousseff era presidente e a situação econômica era melhor eles diziam que o colapso econômico era inevitável.

O desemprego sob Michel Temer é 3 vezes maior do que era quando ele era apenas um vice-decorativo. E mesmo assim, os telejornalistas não exigiram o Impedimento dele nem mesmo quando as redes sociais exibiram o cheque-propina nominal que foi depositado na conta-corrente do usurpador.

Nos EUA ocorreu algo parecido com Obama. A única diferença é que aqui apenas um partido estava e está representado na imprensa. Vem daí a necessidade da esquerda começar a usar o mesmo repertório estratégico que tem sido empregado pelos jornalistas. Afinal, se a guerra é uma continuação da política por outros meios a própria política pode ser considerada uma guerra sem derramamento de sangue como disse Mao Tsé-tung em dezembro de 1936 (Citações do Presidente Mao Tsé-tung, José Alvaro-Editor, Rio de Janeiro, 1967, p. 43).

E se o estudo da guerra novamente se tornou necessário para fins práticos, nada melhor do que voltar a atenção para os verdadeiros mestres da guerra no Ocidente: os romanos. Roma vivia em guerra com seus vizinhos e sua história é, em grande medida, um relato quase contínuo dos detalhes sobre os conflitos que começavam e terminavam durante a gestão dos consules. 

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No ano do consulado de Quinto Fábio e Lúcio Fúlvio, o ditador Aulo Cornélio Arvina recrutaram tropas para a guerra contra o Sâmnio. Sobre este conflito diz Tito Lívio:

“Quando o ditador viu que a batalha seria travada mais cedo do que esperava, temendo que sua posição desvantajosa prejudicasse o valor dos soldados, deixou as fogueiras acesas para iludir o inimigo e fez as legiões saírem em silêncio. Contudo, os dois acampamentos estavam tão próximos que foi impossível enganar o inimigo.” (Ab Urbe Condita Libri, Tito Lívio, Livro VIII, 2o. volume, Editora Paumape, São Paulo, 1989, página 196)

Após alguns contratempos os romanos venceram os samnitas. O fragmento me parece bastante útil neste momento conturbado que os norte-americanos vivem.

Na guerra, a ilusão é uma arma poderosa. Mas a auto-ilusão pode ser um inimigo terrível. É preciso estar sempre atento e, sobretudo, nunca acreditar que o inimigo está mergulhado na desatenção. Sucesso e fracasso são quase sempre fruto da prudência ou da falta dela.

O cuidado não se confunde com o excesso de rigor. Afinal, apesar de também ser útil o autoritarismo nem sempre é necessário como demonstra outro exemplo.

“Em nenhuma outra guerra havia sido necessário o rigor d o comando. Tratou-se, em assembléia, de procurar um meio de devolver à disciplina militar seu antigo prestígio. O que mais preocupava a todos era o fato de terem que combater contra os latinos, cuja língua, costumes, armas e sobretudo organização militar eram absolutamente semelhantes aos dos romanos. De soldado em soldado, de centurião em centurião, de tribuno em tribuno, eles se equivaliam. Como companheiros, muitas vezes haviam estado juntos nas mesmas guarnições e até nos mesmos manípulos. Assim, para evitar equívocos proibiram terminantemente que atacassem o inimigo fora das fileiras.” (Ab Urbe Condita Libri, Tito Lívio, Livro VIII, 2o. volume, Editora Paumape, São Paulo, 1989, página 147)

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Durante este conflito, Tito Mânlio condenou o próprio filho a morte quando ele o desobedeceu e atacou o inimigo sem autorização. O excesso de rigor do pai foi criticado por Tito Lívio, pois o filho de Mânlio havia vencido a escaramuça e não precisava ser executado e queimado junto com os despojos que tomou dos inimigos. Todavia, Tito Mânlio não foi punido. Além de exercer seu poder paterno e autoridade militar, ao espalhar terror entre seus soldados ele garantiu a obediência das tropas com sua decisão.

Do passado para o presente. Os democratas perderam a eleição nos EUA. Os líderes do partido aceitaram a vitória de Trump, mas os eleitores de Hillary estão realizando manifestações violentas contra o resultado eleitoral.

Três milhões de norte-americanos já assinaram um abaixo-assinado exigindo a posse da candidata derrotada. Repete-se nos EUA o fenômeno que ocorreu no Brasil. Em nosso país, uma minoria barulhenta liderada por Aécio Neves tentou impedir Dilma Rousseff de assumir seu segundo mandato.

No Brasil o golpe de estado foi apoiado pela imprensa. Nos EUA uma parcela da imprensa defende a legalidade. A democracia brasileira entrou em colapso. Apesar das aparências, o regime político norte-americano ainda demonstra vitalidade.

Aqui os defensores do golpe não foram importunados pela polícia. Lá a repressão policial já começou. Vários sindicatos de policiais apoiaram Trump e certamente farão o que é necessário para garantir nas ruas a vitória que conseguiram nas urnas.

No Brasil a suposta ditadura do PT, uma ilusão criada pela imprensa, legitimou aos olhos da população o golpe que foi sendo lentamente urdido por Michel Temer. Nos EUA um excesso de rigor policial contra os insatisfeitos é uma possibilidade que não pode ser descartada.

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Nos dois casos é possível compreender o presente através dos exemplos narrados por Tito Lívio. Em nosso país ninguém mais deve ter ilusões sobre a “liberdade de imprensa”. As empresas de comunicação abusaram do seu poder ao optar pelo jornalismo de guerra com o intuito de modificar o resultado da eleição. Portanto, quando retornar ao poder o PT deve usar todas as ferramentas estatais à sua disposição para destruir os empresários de comunicação que conspiraram para limitar, revogar ou sabotar a soberania popular. 

Nos EUA uma guerra aberta contra a posse de Donald Trump seria inimaginável tamanho o poder de fogo das polícias e das forças armadas. Todavia, o impensável as vezes acontece e os brasileiros não devem estranhar ou lamentar um conflito armado entre norte-americanos. Na verdade seria até bom estimular este conflito, porque o mundo ficará mais tranquilo quando os norte-americanos estiverem se matando.

7 comentários

  1. Jornalismo de guerra

    O termo “Jornalismo de Guerra” nada tem de “teoria da conspiração”, pelo contrário…Por que descreve bem a natureza das “Operações Psicológicas” (PSYOP), sistematizadas e  aplicadas pelo Pentágono e serviços de inteligência estadunidenses, que inclusive dispõe de unidades militares especializadas em PSYOP através da guerra midiática.

    Abaixo, a descrição encontrada na Wikipédia para PSYOP:

    ——————-

    “Operações psicológicas (PSYOP) são operações planejadas para transmitir informações selecionadas e indicadores para audiências para influenciar suas emoções, motivos e raciocínio objetivo e, em última análise, o comportamento dos governos, organizações, grupos e indivíduos.

    O objetivo das operações psicológicas dos Estados Unidos é induzir ou reforçar comportamentos favoráveis ​​aos objetivos dos EUA.

    Eles são uma parte importante da gama de atividades diplomáticas, informativas, militares e econômicas disponíveis para os EUA. Eles podem ser utilizados tanto em tempo de paz como em conflito. Existem três tipos principais: estratégico, operacional e tático.

    As PSYOP estratégicas incluem atividades informativas conduzidas pelas agências governamentais dos EUA fora da arena militar, embora muitos utilizem recursos do Departamento de Defesa (DOD).

     Operacionais PSYOP são realizadas em toda a gama de operações militares, incluindo em tempo de paz, em uma área operacional definida para promover a eficácia das campanhas e estratégias do comandante da força conjunta (JFC). PSYOP tático são realizados na área atribuída a um comandante tático em toda a gama de operações militares para apoiar a missão tática contra forças opostas.

    PSYOP pode encorajar o descontentamento popular com a liderança da oposição e combinando a persuasão com uma ameaça credível, degradar a capacidade de um adversário para conduzir ou sustentar operações militares.

    Eles também podem interromper, confundir e prolongar o processo de tomada de decisão do adversário, prejudicando o comando e o controle.”

    —————–

    A origem das táticas empregadas pela mídia corporativa é militar, tendo sido bem desenvolvida dentro das Forças Armadas e serviços de inteligência estadunidenses…E por coincidência, a “Globo et caterva” servem a quem mesmo?

    Sem esquecer que existem “esquadrões” especializados em PSYOP através de  posts e comentários em redes sociais e blogs em geral, incluindo tentar dificultar o debate online inteligente do campo adversário…

     

     

  2. “Idealizando os primórdios de

    “Idealizando os primórdios de Roma, Tito Lívio tende a opor de maneira binária a grandeza dos primórdios à decadência progressiva, que se deve à dissolução dos costumes e provoca a lenta agonia da República romana. Segundo os critérios de veracidade estabelecidos por Tucídides, Tito Lívio parece um mau historiador. Quase nunca recorre a documentos originais, demonstrando grande desenvoltura e muito ceticismo em relação às fontes originais. O essencial de sua documentação é constituído pelos escritores que o precederam, sem verificação da autenticidade das fontes destes. É claro que essa liberdade com a busca ascética da verdade tÊm como efeito numerosos erros, silêncios e deformações… No plano geográfico, as referências desse homem de biblioteca pouco viajado que é Tito Lívio não são mais confiáveis, e a esses erros soma-se seu pouco conhecimento em matéria militar e política… A força de sua escrita não está ligada à confiablidade de sua narrativa, mas à mise-en-scene literária que ele é capaz de executar…”

    Não me parece ser de Tito Lívio que a gente está precisando.

  3. “Idealizando os primórdios de

    “Idealizando os primórdios de Roma, Tito Lívio tende a opor de maneira binária a grandeza dos primórdios à decadência progressiva, que se deve à dissolução dos costumes e provoca a lenta agonia da República romana. Segundo os critérios de veracidade estabelecidos por Tucídides, Tito Lívio parece um mau historiador. Quase nunca recorre a documentos originais, demonstrando grande desenvoltura e muito ceticismo em relação às fontes originais. O essencial de sua documentação é constituído pelos escritores que o precederam, sem verificação da autenticidade das fontes destes. É claro que essa liberdade com a busca ascética da verdade tÊm como efeito numerosos erros, silêncios e deformações… No plano geográfico, as referências desse homem de biblioteca pouco viajado que é Tito Lívio não são mais confiáveis, e a esses erros soma-se seu pouco conhecimento em matéria militar e política… A força de sua escrita não está ligada à confiablidade de sua narrativa, mas à mise-en-scene literária que ele é capaz de executar…”

    Não me parece ser de Tito Lívio que a gente está precisando.

  4. Pois é, quebrei o pau com

    Pois é, quebrei o pau com muitos amigos

     

    porque me mandavam aquelas baboseiras no zap contra o PT, de repente sumiram todas, ninguem mais se interessa por aquelas porcarias, por que será????

  5. Lição de história

    Bom artigo para reflexões. Minha sábia mãe de origem européia sempre dizia que os Estados Unidos só deixariam o mundo em paz quando a guerra entrasse em suas fronteiras. Acho que a lição dos romanos (quando foi mesmo que o império ruiu?) parece ser essa.

  6. Era só o que faltava

    1- «Os democratas perderam a eleição nos EUA. Os eleitores de Hillary estão realizando manifestações violentas contra o resultado eleitoral»   —   Quem perdeu as eleições não foram os democratas, foi Wall Street, foi Hollywood. Não foi Bernie Sanders. Aqui, um otário desfilou contra Dilma vestido de  Batman. Lá, o ”verdadeiro” Capitão America (Chris Evans) desfilou chamando  Trump de ”tirano”.  :-))

    
2- «Repete-se nos EUA o fenômeno que ocorreu no Brasil. Em nosso país, uma minoria barulhenta liderada por Aécio Neves tentou impedir Dilma Rousseff de assumir seu segundo mandato»   —   Tanto aqui como lá foi fenomeno programado lá mesmo: tempestades de merda, articuladas com arruaça ”inteligente”. No Brasil, começou antes da Copa; quem financiou aquela minoria barulhenta do Aécio (MBL) foram os irmãos Charles e David Koch, também financiadores do movimento ”Estudantes pela Liberdade”, mediante a Atlas Economic Research Foundation e Atlas Leadership Academy, onde treinam vários líderes subversivos no Brasil. Aécio não liderava nen lidera nada nem ninguém.

    
3- «Nos EUA uma parcela da imprensa defende a legalidade. Apesar das aparências, o regime político norte-americano ainda demonstra vitalidade»  —    Nos EUA, a parcela da imprensa que defende a legalidade tem a mesma força de um boletim do Exército da Salvação. O que faz parecer vitalidade no regime estadunidense é a sua capacidade formidável de dominio da midia, de espiar todos, de repremir e praticar o terrorismo. Quem teria imaginado que alguém formado pela Faculdade de Direito de Harvard e professor de Direito Constitucional da Universidade de Chicago fosse menos liberal de Putin, ex-agente da KGB?
    «O estado-empresa já cancelou a liberdade de imprensa e a proteção legal a quem exponha abusos e mentiras praticados pelo estado e pelo governo. Daí resultaram o autoexílio de jornalistas investigativos como Glenn Greenwald, Jacob Appelbaum e Laura Poitras, além do processo contra Barret Brown. Todos os atos de resistência – inclusive o protesto não violento – já foram decididos, pelo estado-empresa, como atos terroristas. A imprensa foi castrada pelo uso repetido, pelo governo Obama, da Lei Antiespionagem [Espionage Act], para acusar e condenar os tradicionais ‘tocadores de alarme’ [whistle-blowers]. 
Funcionários do estado e do governo norte-americano, que tenham consciência, estão aterrorizados e não procuram jornalistas, sabendo que o controle ‘no atacado’ de tudo que se diga ou escreva pelos veículos de comunicação eletrônica é material rastreado e os torna facilmente identificáveis. E políticos eleitos ou o Judiciário já não impõem qualquer restrição à espionagem contra os cidadãos, ou eles mesmos nos espionam.» (Chris Hedges, Truthdig) 


    4- «Aqui os defensores do golpe não foram importunados pela polícia. Lá a repressão policial já começou»
    Aqui a policia provocou, bateu, reprimiu e prendeu somente manifestantes contra o golpe. Tinha até um agente infiltrado. O nome dele é Balta, Mendes Balta. Dizem que frequentou um curso on line da Blackwater, no âmbito do programa PAO-no-CU (Preta Agua Operations – Comando Unificado) das FFAA.

    
5- «E’ possível compreender o presente através dos exemplos narrados por Tito Lívio»    ——    Estudar o passado, além de abrir a mente, é o modo mais inteligente para avaliar e viver o presente: Fernand Braudel (O Mediterraneo na época de Filipe II), Joham Huizinga, Luciano Canfora, Alessandro Barbero,  Jacques Le Goff, Arnold Toynbee, Carlo Cipolla. Cipolla é histórico da Economia, vale citar brevemente um livro e um ensaio dele. No livro ”Velas e Canhões” ele explica como um «pequeno» Ocidente do século XIV (franco-germanico-latino, irremediavelmente destinado a sucumbir diante dos Tártaros e dos Turcos) conseguira impor seu domínio, graças à inovação na arte de massacrar, destruir, saquear e exportar a democracia ao montar um canhão num veleiro. Ninguém tinha visto coisa igual!! No ensaio, ”Allegro ma non troppo”, Cipolla ajuda-nos na compreenção das forças obscuras que impedem o alargamento do bem-estar e felicidade geral, expondo cientificamente as cinco leis fundamentais da estupidez humana: «Todas as espécies suportam doses quotidianas de atribulações, temores, frustações, penas e adversidades. A espécie humana é a única que deve sujeitar-se a doses extras de problemas, provocados gratuitamente por grupos de individuos da mesma espécie, potentes como a Mafia, o complexo militar-industrial e a Internacional Comunista, juntos. Não são organizados, não têm chefe, nem presidente, nem estatuto, mas operaram em perfeita sintonia como se fossem envolvidos por forças misteriosas»  Ab Urbe Condita, do Tito Livio, é  ”Saudades do matão” em versão latina. Nos ensina pouco ou nada.

    6- «Em nosso país ninguém mais deve ter ilusões sobre a “liberdade de imprensa”»   —   Sempre existirão os independentes, fazendo o Brasil avançar para a efetivação de mudanças reais. O GGN do Nassif, que nos dá esse espaço, não me deixa mentir. Sem esquecer da moçada esperta, tanto aqui como em qualquer lugar.  «“Vi o que Chelsea Manning fez” – disse Hammond. “Com seu hacking, ela tornou-se alguém que mudou o mundo. Correu riscos tremendos, para mostrar a feia verdade sobre a guerra. Perguntei a mim mesmo: se ela pode, por que eu não poderia? Não estaria errado eu, ali, confortavelmente sentado, trabalhando nas páginas de “Comida, não bombas”, quando eu tinha competência para fazer algo parecido? Eu também podia fazer diferença. A coragem dela empurrou-me a agir.”
    Jeremy Hammond invadiu os computadores da Stratfor, do Texas, que presta serviços ao Departamento de Segurança Interna dos EUA; ao Marine Corps; à Agência de Inteligência do Departamento de Defesa e a inúmeras empresas como Dow Chemical e a Raytheon. Entregou o material todo à página WikiLeaks e à revista Rolling Stones e a outras publicações. Os três milhões de e-mails, quando tornados públicos, expuseram as ações de infiltração, monitoramento e vigilância contra manifestantes e dissidentes, sobretudo do movimento Occupy, feitas a serviço de empresas privadas e do estado de segurança nacional. Foi quando todos ficamos sabendo, comprovadamente, e talvez seja a revelação mais importante, que as leis antiterrorismo estão sendo aplicadas rotineiramente pelo governo federal dos EUA para criminalizar dissidentes democráticos não violentos, e para associar, falsamente, dissidentes norte-americanos e organizações internacionais terroristas. Hammond não procurava ganho financeiro. E nada recebeu.» (Chris Hedges, Truthdig)

    7- «As empresas de comunicação abusaram do seu poder ao optar pelo jornalismo de guerra com o intuito de modificar o resultado da eleição»   —   Nelson Werneck Sodré, escreveu: ”quem controla a imprensa e os meios de comunicação de massa não precisa mais de golpes militares. E os militares, por isso, ficam em disponibilidade.” As empresas brasileiras e estadunidenses sempre abusaram desse poder. Existem livros e filmes de sucesso sobre esse tema. Em 1976 um grupo de professores lançou o Project Censored, projeto no-profit interno à Fundação da Sonoma State University (California). Todo ano publicam as 25 noticias mais censuradas    —    http://www.projectcensored.org

    John Hellmer, importante analista politico: «A geografia da eleição nos EUA essa semana é coisa jamais vista. E ali aconteceu a maior derrota jamais infligida, em toda a literatura moderna. – Foi a capacidade dos norte-americanos para compreender o valor verdade do que lhes dão para ler e lhe dizem pela TV, rádio, mídias sociais e internet. Esses votantes não foram detectados nas pesquisas pré-eleitorais, porque os números recebiam peso diferente do modo como o Colégio Eleitoral decide o resultado da eleição. Esses votantes também mantiveram secretos, os seus votos. Foram ignorados, descuidosamente, desdenhosamente, pela mídia-empresa mainstream, pelos especialistas acadêmicos, pelos think-tanks, por especialistas em comércio e marketing, e pelas máquinas de propaganda financiadas pelo governo, porque toda essa gente trabalha nas grandes cidades.
    Que tipo de erro é esse – como é possível que os centros dos votantes pró-Clinton coincidam com as áreas que mais provavelmente serão alvo, se começar a guerra contra a Rússia de que tanto falaram, tanto prepararam e tanto quiseram durante dois anos inteiros? Serão os votantes pró-Clinton belicistas tão desatinados e obcecados por guerra, que nem conseguem compreender que eles mesmo serão as baixas?
A resposta é paradoxal, mas simples. Clinton e os conselheiros dela foram patologicamente violentos e agressivos em matéria de guerras, mas só contra povos que não têm meios efetivos para retaliar. Mas no fundo – talvez nem tão fundo – jamais acreditaram que eles próprios estivessem em perigo. Em outras palavras, não acreditavam no que escreviam e ‘noticiavam’ para os demais. Mentiram sempre; queriam que os outros acreditassem nas mentiras deles sobre guerra com a Rússia; e não achavam que viesse a ser perigo grave para eles mesmos, para os seus meios de subsistência, para as famílias deles.
Os votantes pró-Trump eram igualmente autistas autorreferentes e letrados. Mas não acreditaram no que ouviam dizer ou lhes ofereciam para ler. O efeito do letramento é muito interessante.  A metade derrotada do eleitorado norte-americano não acreditou no valor verdade do que eles mesmos passaram tantos meses dizendo ou escrevendo.  A metade vitoriosa do eleitorado norte-americano compreende bem que o valor verdade do que diz/escreve a mídia-empresa é zero. Assim sendo, esses norte-americanos desligaram a TV e nunca mais leram jornais e revistas»  ;-))

    «Os brasileiros não devem estranhar ou lamentar um conflito armado entre norte-americanos. Na verdade seria até bom estimular este conflito, porque o mundo ficará mais tranquilo quando os norte-americanos estiverem se matando.»   —–   Era só o que faltava.

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