O Tempo contra Betim

Do inacreditável O Tempo Betim: assassinatos “sobem” de 21 para 18

Isso mesmo. Volto ao tema porque considero muito importante denunciar esse panfleto travestido de jornal.

O jornal O Tempo Betim, do ex-deputado e empresário Vittório Medioli, faz oposição ferrenha a Maria do Carmo Lara (PT), prefeita de Betim, a quem o jornal só menciona como MDC. Ele apóia grupos opositores da prefeita e utiliza o jornal O Tempo Betim (às vezes o principal jornal do grupo, O Tempo) para isso.

Nesta semana, o semanário extrapolou. Deu em manchete que a violência em Betim aumentou baseado na estatística de assassinatos. No agregado de janeiro e fevereiro, os crimes cresceram 25%, passando de 31, em 2010, para 39 em 2011. Então a manchete estaria correta? A própria matéria desmente. Segundo o jornal, o crime “cresceu”, passando de 21, em fevereiro de 2010, para 18 em fevereiro de 2011. Ou seja, em janeiro de 2011 o número de assassinatos foi maior, mas em fevereiro caiu. O correto, portanto, seria dizer que a tendência é de queda. A manchete do aumento dos assassinatos deveria ter sido dada (se é que não foi) em janeiro.

Interessante notar que o gráfico apresentado pelo próprio jornal mostra redução da violência ao longo dos três anos do mandato de Maria do Carmo Lara: de 218, em 2009, para 201 em 2010.

Fiquem com essa “aula” de jornalismo.

Manchete: “Violência é 25% maior em 2010”

Título interno: “Delegacia contabiliza 18 homicídios em fevereiro”

Delegacia contabiliza 18 homicídios em fevereiroApesar da queda se comparado ao do mês de janeiro, em que foram registradas 21 mortes, número ainda é preocupante: no mesmo período de 2009 foram 12 óbitosDAYSE [email protected]

Dados divulgados pela Delegacia de Homicídios na quarta-feira (2) dão conta que, em fevereiro, Betim registrou 18 assassinatos. Apesar de terem caído, se comparados aos do mês de janeiro, os números ainda são alarmantes: é que, durante o mesmo período de 2009, foram registrados 12 e, em 2010, 21. Com esse balanço, o número de homicídios dolosos até o fim da tarde de quinta (3) era de 39, ou seja, 25% maior que em 2010, quando foram registrados, no mesmo período, 31.

A última vítima foi K.E.D.M, 16. Ela foi encontrada morta em um beco próximo à rua Senhora do Bonfim, no bairro Jardim Teresópolis, no fim da noite de segunda (28), com as mãos amarradas para trás com um pedaço de fio e a boca tampada por um adesivo plástico.

Como se pode conferir na arte ao lado, a maioria dos crimes em fevereiro vitimou pessoas entre 19 e 30 anos, repetindo a situação de janeiro.

O instrumento mais utilizado pelos criminosos, que também voltou a se repetir, foi arma de fogo: 83,3% dos casos. Os outros foram com arma branca (objetos cortantes) e demais objetos ainda não divulgados pela perícia. Já a região em que mais se matou foi a Central, representando 27,8% dos crimes. Em seguida, veio o Citrolândia, com 22,2%.

Em entrevista, o delegado Kleyverson Rezende, da Delegacia de Homicídios, informou que a regional está trabalhando para apurar os crimes. “Temos um prazo legal de 30 dias para apurar. O que posso garantir é que, dos 39 homicídios neste ano, seis já foram indiciados”, ressaltou.

Trocas de tiros

Ainda em fevereiro outros dois jovens morreram. Em ambos os casos as vítimas foram atingidas durante trocas de tiros com a PM, enquanto tentam fugir de assaltos.

Assunto é discutido na mídia

O descontrole da violência e o número de assassinatos no município foram motivo de um debate nesta semana, durante o programa do jornalista Eduardo Costa, na Rádio Itatiaia. Quem levantou a discussão em torno do tema foi o presidente da ONG Cidadã e da Associação Comunitária de Mães, Amigos e Moradores do Alterosas (Acmama), Luiz Germano, que realizou uma manifestação na avenida Governador Valadares, região Central.

Com o apoio de voluntários, ele expôs ao longo da via 448 cruzes vermelhas, simbolizando o número de homicídios registrados em Betim desde que MDC assumiu o governo, há dois anos.

Desta vez, ele criticou a falta de apoio das autoridades de Betim durante seu protesto e voltou a cobrar as clínicas de tratamento prometidas pelo governador Antênio Anastasia, em campanha política. “Nossa cidade está entre as cinco mais violentas do Estado. É lamentável toda essa sitiação, pois somos, em contrapartida, a segunda mais rica. Já está na hora de acabar com a hipocrisia e colocar em prática medidas preventivas”, criticou.

Quem também participou do debate sobre a violência foi o presidente da Fundação Educativa Nossa Senhora do Rosário, Neuci Gomes, que, na ocasião, ressaltou a falta de investimento na educação. (DR)

http://www.otempo.com.br/otempobetim/noticias/?IdNoticia=7749

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