Os direitos de transmissão nos EUA

Nassif, não é uma verdade concreta quando você escreve que nos EUA, os times grandes rcebem mais direitos de transmissão que os times pequenos. Nas 4 principais ligas norteamericanas (futebol americano, basquete, beisebol e hóquei no gelo), as negociações de direito de transmissão são diferentes em cada uma delas. Na mais polpular e mais lucrativas delas, a NFL (futebol americano), justamente é a liga onde a verba é igualmente dividida entre todos os clubes, pois a divisão igualitária proporciona maior equilíbrio à NFL e consequente atenção especial de torcedores de todos os 32 times da liga, já que ao final da temporada, no famoso Superbowl, praticamente todos os times tem possibilidades de ser campeão.

A diferentemente do abordado, a tendência mundial é de negociação conjunta dos direitos de televisão. Por incrível que pareça o atual modelo brasileiro de negociação (excluindo a parte obscura de favorecimento à Globo) é considera modelo pela UEFA para o mercado Europeu, como abordado pelo Erich Beting:

http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/arch2011-02-20_2011-02-26.html#2011_02-23_12_07_58-136381883-0
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A liga espanhola  é a única grande liga européia, onde cada clube negocia separadamente seus direitos de trasmissão. O resultados é campeonato menos disputado da europa, onde Barcelona e Real Madri recebem mais de 10 vezes o mais dinheiro de TV que os menores clubes, aumentando ainda mais o abismo financeiro entre os times espanhóis  

Do Blog do Erich Betting

O direito de arena ainda salva o futebol brasileiro 

Em meio a toda polêmica sobre a permanência ou não de Corinthians e Flamengo no Clube dos 13, a salvação para toda a briga é a regulamentação do Direito de Arena para o esporte brasileiro. Tentando simplificar o que representa esse direito, é ele quem de fato regulamenta a venda dos direitos de transmissão de qualquer evento esportivo no Brasil.

Por aqui, quem participa de uma competição esportiva detém os direitos sobre o evento. Ou seja, quando dois clubes jogam um contra o outro, ou então cinco atletas participam de uma corrida, todos têm de estar de acordo que aquele evento seja exibido pela televisão. Isso garante que, no caso do futebol, seja obrigatória a venda coletiva dos direitos de transmissão de um torneio. Afinal, se um clube se opuser ao acordo, todo jogo que ele participar não poderá ser mostrado pelas emissoras de TV. Por conta disso, uma negociação individual para a transmissão dos jogos não acontece no Brasil.

Ainda bem!

Nos últimos anos, o futebol europeu foi recomendado pela União Europeia a adotar a venda coletiva de direitos de transmissão. Em meio à discussão sobre monopólio, abuso de poder econômico, formação de cartel, etc., a UE decidiu que o melhor para os clubes do continente era justamente “adotar o modelo brasileiro”. Sim, é isso mesmo. Sem querer, o Brasil acabou virando exemplo para o futebol europeu fora das quatro linhas!

Por lá, até então, o direito de arena é do clube mandante da partida. Isso permite, por exemplo, que Real Madrid e Barcelona façam contratos na casa das centenas de milhões de euros para ceder os direitos de suas partidas em casa, enquanto os demais times conseguem acordos com menos de 10% desse valor. O resultado se vê claramente ao olhar a tabela de um Campeonato Espanhol, por exemplo, cuja disputa se resume aos dois clubes maiores.

Ao exigir, por lei, que a venda seja coletiva, o sistema brasileiro impede que um clube seja economicamente dominante sobre o outro. É esse o princípio, por exemplo, que dita a regra nas ligas americanas, ainda o melhor modelo a ser olhado e adaptado para a realidade nacional. Só por curiosidade, a NFL, liga de futebol americano, não produziu, em sua história, um tricampeão seguido. Sempre há rotatividade entre os campeões, o que significa que todo torcedor pode sonhar em ver seu time vencer e, assim, consumir mais o produto futebol americano.

Enquanto uma liga com esses princípios de igualdade e pensamento no negócio não aparece em brasileiras, resguardemos o direito de arena. Só ele é capaz de evitar o egoísmo mesquinho e a politicagem vazia dos dirigentes que podem colocar, no longo prazo, o futebol num patamar desesperador de desequilíbrio financeiro que resulta em desinteresse do torcedor economicamente alijado da disputa por títulos.

O brasileiro adora se gabar de que tem o campeonato de futebol “mais equilibrado do mundo”. Para isso continuar a acontecer, é preciso repensar o modelo que agora tenta se criar.

Ou, então, garantir que ainda exista o direito de arena igualitário para os clubes. É ele quem impede, no atual momento, uma debandada geral que só enfraqueceria o futebol como negócio. Como falei aqui outro dia, os dirigentes têm de parar de enxergar o time rival como concorrente fora de campo e tratar de pensar coletivamente para ganhar mais.

Deixa a decisão do campeonato para dentro de campo. É mais legal. E muito mais honesto com o torcedor.

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