Os meios no meio dos outros meios, por Alfeu

Os meios no meio dos outros meios, por Alfeu

Há poucos meses, foram publicadas duas matérias relacionadas com as mídias e que nos leva refletir a necessidade da sua democratização, um processo difícil, não depende apenas de uma decisão politica e sim de uma luta que interessa a todos.

Dentro desse aspecto vamos à primeira matéria que foi  publicada aqui no GGN (1), onde Nassif dividiu  em três categorias as mídias sob o aspecto cronológico:  velha, nova e novíssima mídia, e penso que a classificação foi estritamente nesse parâmetro do tempo sem qualquer outro sentido.

Inicialmente, duas pinceladas nas mídias que formam as fatias do pão. A “velha mídia”, a empresarial, corporativa e que até há pouco tempo hegemônica que sempre refletiu o pensamento da minoria que ela mesma faz parte, começa a ser desnudada pela “nova mídia”; e emparedada, reage com o seu lado de “imprensa marrom”, vai tomando forma, criando cheiro e indo se localizar no esgoto. Suas verbas provinham de anuciantes, vendas diretas, classificados, assinaturas e etc.

A “novíssima mídia” sem entrar no mérito da qualidade do conteúdo, excelente, em muitos casos, na capacidade investigativa, tem um colchão financeiro que garante o seu funcionamento mas que carrega, em muitos casos,u m limite que concretamente se faz na figura do seu patrono, um multimilionário.

Dando uma pincelada um pouco mais forte no recheio, a “nova midia”; penso que é nela onde se encontra um universo de uma ampla diversidade e que não cabe uma caracterização mais geral, mas podemos tentar enxergar os diversos segmentos que ela compõe. É nela que surgem novos atores, através de canais próprios ou em comentários nos espaços de outros, com suas próprias experiências, opiniões surpreendentes, informação da forma mais ampla possível, recheados de links e fontes bibliográficas e que isso resulta num movimento de grande dinamismo que se processa quase que de forma autonoma garantindo a sua permanente evolução. Isso acarreta em problemas para quem deseja sempre colocar todas as realidades desse mundo numa caixinha de “tic tac”, e mesmo pequenos na sua estrutura, esse segmento da “nova midia” provoca grandes incomodos às estruturas do Estado e das Corporações, que no Brasil são quase uma unidade devido a já conhecida extrema concentração de renda, e que reagem tentando sufocar finaceiramente os representantes dessa “nova mídia” subtraindo o patrocinio e/ou também atraves de processos judiciais.  

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A democratização da mídia também passa pelo acesso as verbas públicas que atualmente segue a mesma lógica de toda a economia, que se direciona aos grandes conglomerados; dinheiro publico a serviço da minoria.

Outra coisa que precisa ser levado em conta é que não apenas a mídia que é oligopolizada(2), outros setores também o são; isso significa que não será apenas a democratização de um setor da economia, no caso a mídia, se tornará tranquilamente uma ilha nesse mar de oligopolios que é o Brasil.

Saindo de nossas fronteiras vemos que esse processo de fusão de corporações, estão acontecendo de maneira bastante acelerada mundo afora, basta ver o setor de produtos-de-envenenamento-do-ser-humano-através-da-alimentação-e-que-também-contamina-o-meio-ambiente que em 3 anos houve uma assustadora concentração de empresas.

 

 

Quanto a mídia estrangeira o processo de concentração tem se manifestado da mesma forma, como no exemplo a seguir a norteamericana.

 

 

No vídeo abaixo, o jornalista e escritor Gordon Dimmack  mostra como as midias corporativas americana e britanica se comportaram de forma uníssona quando noticiaram a apresentação do garoto que aparece no vídeo do “ataque de armas químicas” em Douma. O noticiário insiste no ataque quimico sem que se encrontre qualquer substancia; um grande número de vítimas que não se sabe onde estão e quem são, médicos voluntários que se supõe ter dado algum depoimento mas que não possuem identificação; propaganda dos “humanitários  Capacetes Brancos” que na verdade são terroristas da Al-Qaeda e etc, etc….

 

https://www.youtube.com/watch?v=d1hhNePlBIA align:center

 

A segunda matéria é do RBA(3), na cobertura feita pelo reporter Vitor Nuzzi de um debate promovido pela OAB-SP cuja a pauta era sobre a divulgação da informação e  pertinencia do seu controle. Mas seria bom discutir o papel das corporações midiáticas que ao corromper os fatos influencia a vida politica do país.

Mas o mais interessante o último parágrafo, transcrito a seguir dá o sintoma de uma certa situação:

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” Vice-presidente da Comissão Especial da Liberdade de Imprensa da OAB-SP e advogada do jornal Folha de S.Paulo, Taís Gasparian afirmou que apesar da “liberdade muito ampla” no país, ainda há riscos cotidianos a jornalistas e advogados, com tentativas de censura judicial. Um dos casos citados foi do Diário da Região, de São José do Rio Preto, interior paulista, que teve decretada a quebra do sigilo telefônico de toda a redação, que se recusava a divulgar a fonte de uma informação. Sem o direito ao sigilo da fonte, lembrou  Taís, não teria havido o caso Watergate nos Estados Unidos, que nos anos 1970 derrubou o presidente Richard Nixon.”

Mais uma atuação da Dona Taís a “Vice-presidente da Comissão Especial da Liberdade de Imprensa da OAB-SP” contra a “Falha de S. Paulo”:

 

“A Folha não teve a menor vergonha de apelar para a censura. A advogada do jornal, Taís Gasparian, alegou que a intenção não era censurar o site, mas impedir o uso indevido da marca Folha de S. Paulo. Para o Portal Imprensa, a advogada deu a entender que ainda foi boazinha, pois podia ter pedido multa diária de R$ 100 mil.

Taís Gasparian é a mesma advogada que defendeu o direito da Folha de S. Paulo de publicar fotos do Raí pelado no vestiário do São Paulo ou o direito do colunista José Simao de afirmar que Juliana Paes tinha a bunda grande e não era casta. Na época em que o Macaco Simão foi vítima de censura judicial por conta destas “afirmações polêmicas”, Dona Taís disse na própria Folha que a decisão do juiz tratava

 

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“o humor como ilícito e, no fim das
contas, é a mesma coisa que censura”.

 

Entendeu? Olha só, Lino, Dona Taís já deixou pronta a linha de defesa que vocês podem usar. É só copiar as mesmas alegações que a Folha usou em casos semelhantes — quando era vítima, e não autora, de censura. A mesma Folha que transforma qualquer reclamação de Lula sobre a imprensa em ameaça à liberdade de expressão, mas se cala quando reclamações semelhantes, ou até piores, partem de José Serra.”(4)

 

Sem querer individualizar o problema, mas a Dona Taís simboliza todas as formas de concentração: no mercado de opinião, da economia, na política e etc. Nosso sistema politico-economico não é formado por parcerias entre entidades e instituições estatais com setores do empresariado e do mercado financeiro, na verdade a melhor representação é a da Hydra, um único corpo; cada cabeça uma setor do poder, e uma Dona Taís serve e trabalha em mais de uma cabeça ao mesmo tempo.

Por isso acho que uma lei que democratize os meios de comunicação, devido a sua importancia, vai precisar da luta(5) de todos os interessados, aliás alguns já começaram, pois a Hydra reage prontamente como agora a cabeça “Agencia Lupa” fez. 

 

Fontes:

(1) Os fakenews como estratégia de censura aos blogs oposicionistas, por Luis Nassif – Jornal GGN

(2) Oligopólios de mídia controlados por poucas famílias. A Repórteres sem Fronteiras e o Intervozes lançam o Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil

(3) Diretor da CBN critica Europa por regulação da mídia: ‘Europeus também erram’, por Vitor Nuzzi, da RBA

(4) CENSURA EU, FOLHA!!! – Falha de S.Paulo

(5) Degenerescência e perda de controle dos media ocidentais, por Andre Vltchek, no Resistir.info

 

 

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