Pesquisa do The Guardian mostra que Fake News nas eleições do Brasil ajudaram Bolsonaro

Muitas das notícias falsas compartilhadas no WhatsApp refletiam valores de extrema direita, atacavam opositores e sob a bandeira "anti-corrupção" e "contra o sistema", promovidos por Bolsonaro durante campanha eleitoral

Jornal GGN – Investigação feita pelo jornal britânico The Guardian revela que as Fake News compartilhadas pelo WhatsApp no Brasil durante as eleições 2018 favoreceram o candidato eleito Jair Bolsonaro. Enquanto que 42% das mensagens compartilhadas pela direita e apoiadores de Bolsonaro eram notícias mentirosas, apenas 3% das que foram compartilhadas pela oposição, a esquerda, eram falsas.

Análise indica que a grande maioria das mensagens viralizadas com informações falsas eram de direita

A grande maioria das Fake News compartilhadas no WhatsApp no ​​Brasil durante as eleições presidenciais favoreceu o vencedor da extrema direita, Jair Bolsonaro, sugere uma análise de dados do The Guardian.

A análise lança luz sobre a disseminação de informações erradas no aplicativo de propriedade do Facebook, com receios de que possa estar envenenando o debate político em uma das maiores democracias do mundo.

Em uma amostra de 11.957 mensagens virais compartilhadas em 296 bate-papos em grupo na plataforma de mensagens instantâneas no período da campanha, aproximadamente 42% dos itens da direita continham informações consideradas falsas pelos verificadores de fatos. Menos de 3% das mensagens de esquerda analisadas no estudo continham falsidades verificadas externamente.

Os números sugerem que a disseminação de notícias falsas era altamente assimétrica, respondendo por grande parte do conteúdo divulgado pelos apoiadores de Bolsonaro no WhatsApp. O aplicativo de mensagens instantâneas é muito popular no Brasil, com mais de 120 milhões de usuários, em uma população de cerca de 210 milhões de pessoas.

Muitas das notícias falsas compartilhadas no WhatsApp refletiam os valores de extrema direita promovidos pela equipe de Bolsonaro durante a campanha de dois meses. Quase todas as principais notícias falsas da direita se enquadravam em quatro categorias que a análise revela:

  • Até 48% dos itens de direita que continham falsidades verificadas externamente mencionavam uma trama fictícia para manipular fraudulentamente o sistema de votação eletrônica, ecoando teorias da conspiração promovidas pela equipe de Bolsonaro e levantando suspeitas sobre o processo democrático.
  • Outros 19% das mensagens promoveram informações enganosas sobre um ataque a facada contra Bolsonaro, no início de setembro de 2018. A facada, que forçou o líder de extrema direita a passar a maior parte das semanas restantes da campanha no hospital, foi um ponto de virada nas eleições.
  • Dezesseis por cento do conteúdo falso de direita tentou enquadrar o sistema político e a grande mídia como corruptos, refletindo elementos-chave da retórica anti-establishment de Bolsonaro. 
  • Outros 14% das falsidades virais miravam políticos e ativistas de esquerda, geralmente usando ataques homofóbicos e insultos anti-feministas.

O conteúdo compartilhado no WhatsApp é protegido com criptografia de ponta a ponta; portanto, o estudo coletou uma amostra de mensagens do WhatsApp Monitor, um banco de dados de conteúdo viral compartilhado em centenas de grupos focados no debate político. Devido a essas limitações de amostragem, a pesquisa não pode ser generalizada para explicar o comportamento de todos os usuários do WhatsApp no ​​Brasil.

O Facebook, que está sob crescente pressão para atuar mais para combater informações erradas, anunciou em janeiro uma atualização do WhatsApp que reduziu o número de vezes que os usuários podem encaminhar uma única mensagem para cinco. Estudos recentes sugeriram que as atualizações conseguiram retardar a disseminação de conteúdo falso, mas não conseguiram impedir que notícias falsas chegassem a grandes audiências. 

Segundo Caio Machado, especialista em propaganda computacional no Instituto de Internet de Oxford, as plataformas de mídia social estão lutando para lidar com as “estratégias de hackers da democracia”. Ele acrescentou: “As empresas de tecnologia têm um imenso poder em suas mãos e ninguém sabe se elas são realmente capazes de influenciar os resultados das eleições”.

Uma porta-voz do WhatsApp elencou alterações como rótulos que mostravam mensagens encaminhadas, o limite de encaminhamento de mensagens, a proibição de contas de spam  e as configurações aprimoradas de segurança e privacidade. “O WhatsApp fez mudanças significativas no produto e trabalhou com parceiros da sociedade civil para ajudar a lidar com as conseqüências prejudiciais da desinformação”, disse.

 

Leia também:  Quem está disposto a romper o pacto que sustenta Bolsonaro, comentário de Rafael Viera

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

2 comentários

  1. Hoje, a “Fôia” resolveu ajudar a “Óia” a desenterrar o caso Celso Daniel.
    De repente, o assunto mais lido do “uol”.
    Este país não tem solução. Parece que as pessoas gostam de serem enganadas.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome