Pesquisas derrubam mitos sexuais

Por Assis Ribeiro

A Procura

Mitos sobre o tamanho do documento 

60 anos de pesquisa uniram milhares de informações que derrubam diversos mitos sexuais.

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Os ombros e quadris de estátuas romanas, como essas que representam Vênus e Marte (175 d.C), excitaram as mulheres que participaram do estudo realizado na Austrália. Mas a atenção fixou-se mesmo em outro ponto que, na opinião delas, poderia ser maior


Repercutiu em todo o mundo na semana passada um amplo estudo desenvolvido por cientistas de diversos países coordenados por pesquisadores australianos. Ao contrário do que sempre se apregoou, a pesquisa concluiu que as mulheres preferem sim os homens que possuem pênis de maiores dimensões. Em outras palavras, tamanho é documento – e elas sentem melhor prazer, no que se refere ao produto interno, mais com pibão do que com pibinho. A tradição de que o comprimento do órgão nada tem a ver com a atração tem raízes numa cultura predominantemente masculina, como se o prazer somente pudesse ser pensado pelo homem e a mulher tivesse de viver eternamente na passividade. A nova pesquisa, que vem na continuidade de outras realizadas nos EUA e na Inglaterra, derruba assim um dos mitos da sexualidade.

“A mulher não é educada para olhar a genitália masculina, diferentemente dos homens, que olham as dimensões dos seios, coxas, etc. A mulher pensa no tamanho do pênis depois da conquista, já na relação sexual”, disse à ISTOÉ a psicóloga e sexóloga Sheila Reis, integrante da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade. O inovador estudo foi realizado com 105 mulheres. A elas foram exibidas, em tamanho natural, 53 imagens de homens, geradas por meio da mais alta tecnologia de computação gráfica, que combinaram as seguintes variáveis a possibilitar 343 combinações: altura, genitália, largura dos ombros e dos quadris. Importante: as mulheres não sabiam que o foco da pesquisa era a “atração pelas dimensões do pênis em repouso”. Pois bem, mesmo assim, elas manifestaram clara preferência pelas “imagens em que os homens altos apresentavam pênis maiores” – maiores relativamente entre eles e maiores em termos absolutos se comparados aos tamanhos considerados padrão: no Brasil, por exemplo, a dimensão média do pênis ereto é de 16,10 cm. Nos EUA e no Congo, respectivamente, é de 12,9 cm e de 17,93 cm. O estudo torna-se mais significativo metodologicamente em um ponto: as mulheres preferem homens altos, e entre os altos preferem os que possuem pênis de maior extensão. “Em toda a literatura científica disponível há trabalhos que asseguram que as mulheres têm preferência e se realizam mais com órgãos maiores, que não cheguem, é claro, a feri-las”, diz o professor do departamento de biologia da Universidade de Ottawa, Brian Mautz, coordenador da pesquisa relatada pela publicação “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Ele acrescenta: “A influência do tamanho do pênis aumenta ainda mais quanto mais alto é o homem.”

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No corpo das artes plásticas e no corpo da ciência, a genitália já foi bem deixada de lado. É fato, porém, que são justamente os cientistas que decretam agora o fim de David, obra do gênio de Michelangelo. Por que um pênis quase imperceptível em David? Há duas respostas universais. A primeira é porque o olhar do prazer da mulher não interessava. A segunda se deve ao fato de a estátua de David ser posterior às obras de Andrea del Verrocchio e Donatello (Donato di Niccoló di Betto Bardi). Assim, David é a exaltação do governo já republicano, e prova disso é que não empunha a espada como as esculturas do antigo regime. Quanto à ciência, uma vez fixada que a profundidade da cavidade vaginal é de cerca de oito centímetros, assentou-se também que um pênis, ainda que só tenha oito centímetros em ereção, consegue dar prazer à mulher. Tudo muito cômodo, não? Na década de 1970, os pesquisadores americanos William Masters e Virginia Johnson introduziram o conceito de que a área de maior sensibilidade sexual feminina é a entrada da vagina e, portanto, a questão do tamanho do pênis encolheu. Tudo ficou mais cômodo ainda, para os homens, é claro. “Sabemos atualmente que o tecido do canal vaginal é diferente do clitóris e pode, assim, estimular outras áreas do cérebro que levam ao prazer. Então, é claro que o tamanho do pênis faz diferença”, disse à ISTOÉ a ginecologista Carolina Ambrogini, da Universidade Federal de São Paulo. “Se para os homens são valiosos os atributos físicos da mulher, por que para a mulher não podem ser importantes os atributos do homem?” Ou seja: já estava mais do que na hora de emendar o velho conceito de que tamanho não é documento.

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Por Antonio Carlos Prado 

Fonte: Revista Istoé (com adaptações)http://www.istoe.com.br/reportagens/290292_O+FIM+DE+DAVID+TAMANHO+E+DOCUMENTO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

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