Sindicato dos Jornalistas de SP repudia ataque de Bolsonaro a jornalista

"Nos ataques à repórter Patrícia Campos Mello, Bolsonaro expressa de forma abjeta e repugnante a misoginia que caracteriza o ambiente que o cerca. E, com orgulho, registramos que nossa categoria profissional é hoje majoritariamente feminina."

Brasília(DF), 4/1/2018 - Presidente Jair Bolsonaro na passagem de comando da aeronáutica. Local: base aérea. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Jornal GGN – ‘Com trocadilho típico dos porões e ambientes do submundo’, Bolsonaro volta a atacar um jornalista, desta feita Patricia Campos Mello, da Folha. O ataque misógino foi alvo de críticas de várias entidades, que exigem do presidente um comportamento de acordo com o cargo. Agora é a vez do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo se pronunciar, e a crítica é forte.

Leia a nota a seguir.

Por Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Sindicato repudia ataque misógino de Bolsonaro a jornalista

O presidente da República, Jair Bolsonaro, agrediu verbalmente, hoje pela manhã, a repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. Não foi a primeira vez. Desta feita, Bolsonaro utilizou diferentes sentidos da palavra “furo” para atacar a jornalista, com trocadilho típico dos porões e de ambientes do submundo.

Começa a parecer inútil difundir notas de repúdio a cada vez que o ocupante de turno do Palácio do Planalto emite sandices. Já está patente que o atual governo é inimigo declarado da liberdade de imprensa e do jornalismo. No primeiro ano de seu mandato, segundo contagem feita pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Bolsonaro proferiu 116 ataques à imprensa. O levantamento não se refere a contestações ou declarações nas quais diverge de partes do noticiário; contabiliza apenas as agressões verbais e xingamentos dirigidos a jornalistas, órgãos noticiosos ou à imprensa em geral, nos quais Bolsonaro tem se mostrado pródigo.

Nos ataques à repórter Patrícia Campos Mello, Bolsonaro expressa de forma abjeta e repugnante a misoginia que caracteriza o ambiente que o cerca. E, com orgulho, registramos que nossa categoria profissional é hoje majoritariamente feminina. Por isso, suas declarações deste 18 de fevereiro de 2020 merecem o nosso repúdio ainda mais enfático.

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo considera que Bolsonaro vem passando da esfera da grosseria e da desqualificação, que o caracteriza desde o início do mandato, para práticas de ainda maior gravidade. Ao realizar hoje um ato que pode ser qualificado como injúria, torna-se passível de responsabilização criminal. O presidente da República não está acima das leis, e sua conduta indigna – sobretudo em se considerando o cargo que ocupa, que exige decoro – não pode permanecer impune.

São claros os motivos pelos quais Bolsonaro ataca a repórter Patrícia Campos Mello. Suas reportagens, publicadas em outubro de 2018, mostraram que a campanha do então candidato do PSL havia feito uso de mecanismos de fraude e manipulação para adulterar o curso das eleições presidenciais. A jornalista realizou um trabalho impecável, que trouxe a público elementos de contestação da legitimidade da eleição de Bolsonaro. Com seus pés de barro, o atual mandatário não suporta conviver com a atividade de imprensa. E, a cada dia, suas atitudes corroboram, por si só, a inadequação de sua presença na chefia do Poder Executivo do país.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo manifesta todo o seu apoio à repórter Patrícia Campos Mello e se coloca, novamente, à disposição, para todas as providências legais cabíveis. O Sindicato e a Fenaj iniciaram conversas, também, com outras entidades de defesa da democracia e da liberdade de imprensa no Brasil para debater ações conjuntas que possam ser tomadas com o objetivo de estancar esses ataques covardes e punir o seu autor.

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São Paulo, 18 de fevereiro de 2020

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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2 comentários

  1. Game of Thrones Pindorama Style:
    Jair Bolsonaro, lixo branco do Vale do Ribeira, atacou ferozmente uma jornalista da Folha que pertence ao núcleo seleto da elite da metrópole paulistana. Nessa disputa de vaidades ele será destroçado pela mocinha de família quatrocentona da capital. Se não cair ele sentirá a queda?

  2. Não é o governo que é inimigo da liberdade de imprensa e do jornalismo,os inimigos do jornalismo e dos jornalistas são eles mesmos que,de forma vergonhosa, acatam ordens de seus patrões, tornando-se assim verdadeiros sabujos.
    Onde estavam quando a democracia estava sendo vilipendiada com um golpe comandado pelos corruptos em nome de sua “moralidade”? Estavam lá, lambendo as botas do hoje preso,ex ocupante da presidência da Câmara. Também estavam lá lambuzando-se em adocicados elogios ao golpista e sua bela e jovem esposa.
    Deveria ser orgulho dessa categoria profissional poder dizer que grande parte desses profissionais é composto pelo sexo feminino. Ledo engano. Sem nenhum demérito as profissionais do jornalismo, seus patrões, tão ou mais machistas que o ocupante da cadeira da presidência da República, as utilizam como um trunfo que simplesmente reafirma o caráter sexista .
    Caberia aos profissionais da imprensa, se assim quiserem ser tratados, fazer uma séria autocrítica que,como bonecos de ventríloquo de seus patrões, cobram que o presidente Lula e seu partido façam,já que, esperar qualquer autocrítica de seus patrões, todos com farto histórico golpista, é herança histórica que ficará, quem sabe,para as futuras gerações.
    Hoje,a democracia está em xeque.Para que este xeque não seja um xeque-mate, é preciso que a imprensa seja livre e não atrelada a interesses políticos ou,é principalmente, econômicos.
    A bola está nos pés dos profissionais da imprensa. Cabe a eles fazerem o gol.
    Esperamos que tenham aprendido com a história e não chutam,mais uma vez,a bola contra o próprio gol.

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