Sobre uma eventual islamização do Egito ou uma mais provável explosão do Paquistão

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O Egito, enfim, já é Islâmico. Essa é a opção religiosa da imensa maioria do seu povo.

Quanto à islamização do Estado Egípcio, vejo como pouco provável dada a amplitude suprapartidária e suprareligiosa dos grupos oposicionistas mais mobilizados e mobilizadores em torno das manifestações em curso.

Há gente até ligando a Irmandande Muçulmana egípcia à Al Qaeda!

A Irmandade Muçulmana sediada no Egito tem tanto a ver com a Al-Qaeda quanto José Serra tem com a defesa da Petrobrás e do petróleo como patrimônios nacionais intocáveis.

A Al-Qaeda, se tem mãe, ela é uma e somente uma, e exatamente a diametralmente oposta à citada.

A Al Qaeda foi parida diretamente, e com a presença de uma única parteira, das entranhas da Secretaria de Defesa dos Estados Unidos da América.

E a única parteira a colaborar para o evento chama-se Arábia Saudita.

Deste casamento: Estados Unidos da América e Arábia Saudita -, nasceram quase todas senão absolutamente todas as manifestações de fundamentalismo radical no mundo Islãmico, como também guerras, conflitos religiosos, étnicos e tudo mais que assombra aquela vasta região do planeta e, por tabela, invade nossos piores pesadelos ocidentais.

Há cerca de dois séculos, dois clãs: o dos Saud e o dos Wah’aab se uniram em busca da unificação e domínio da Península Arábica.

A partir daí, depois de imensa sucessão de fatos, e não sem a – como sempre carcinogênica – interferência das potências ocidentais, afastando outras interferências como a Otomana por exemplo, isso vai redundar na unificação posterior dos reinos, salvo engano quanto aos nomes, de Hejas e Nejd na década de 30, consolidando a unificação do Reino da Arábia Saudita.

Lá dos Wah’aab, permanece como herança até hoje o que  é conhecido como Wahaabismo que é – da mesma forma que existem inúmeros similares nos mundos cristão e judaico – uma forma brutalmente radical de Islamismo.

E é esta a filosofia que permeia o pensamento da Família Real Saudita, uma Monarquia Feudal, brutal, e estribada militarmente e protegida – em troca de exclusividade petrolífera – pelos Estados Unidos da América.

Foi este casal (al-Mamlaka al-ʻArabiyya as-Suʻūdiyya & United States of America) que nutriu, educou, patrocinou e enviou um de seus mais prodigiosos filhos – Osama bin Laden -, para montar e comandar um exército de guardiães e proteger o acesso norte às fronteiras do Irã (em cujo extremo sul, por sua vez, se situa um dos principais canais de escoamento para o líquido viscoso que lubrifica e mantém a excitação deste casamento) do eventual estabelecimento de uma “cabeça-de-ponte” por parte de outro Impéirio, desta feita o Soviético, também “tarado” pelo tal líquido viscoso.

Um outro filho querido da  família, mais especificamente de um braço da família denominado The “Bush” Family, resolveu se tornar um menino muito desobediente e atacou a chácara de outro dos inúmeros filhos da família, a chácara Kuwait, estacionando perigosamente tropas bem à cabeceira da mãe Arábia, acordada de súbito do seu tranquilo sono sempre velado e garantido pelos Estados Unidos desde 1945.

Na Arábia Saudita estão as duas cidades consideradas sagradas pelo Islamismo (Mecca e Medinah), assim como por cá temos as nossas como Roma e Jerusalém.

Há, portanto, uma resistência muito grande quanto ao estacionamento de tropas às proximidades de lugares tão especiais para mais de 1 bilhão de praticantes de uma religião que prega eloquentemente a paz como é o Islamismo.

É por isso, que a Família Real Saudita se viu numa encruzilhada.

Recebeu a oferta de socorro de seu amado parente Osama bin Laden e, ao mesmo tempo, a insistente e persistente oferta de ajuda por parte de seu velho concubino, os Estados Unidos.

Achando as forças Talibã e assemelhadas insuficientes para rechaçar a ameaça iraquiana, os ibn Saud, acabam, muito a contragosto, aceitando a ajuda estadunidense desde que as tropas “infiéis” abandonassem o solo sagrado assim que o perigo eminente cessasse.

E assim foi feito. E, desde então, Osama bin Laden, indignado ao assistir a maciça presença “infiel” armada em solo sagrado, bem como não menos indignado com o desprezo, humilhação e desonra a que fora submetido, se torna um inimigo da própria família que o gerou, nutriu e educou.

Quanto ao outro filho, Saddam Hussein, ficou decidido que fosse deserdado e – após vigorosa campanha para angariar apoios – que fosse, por fim e definitivamente, castigado.

É assim que passamos a conhecer os abusos do ditador (que, diga-se de passagem, nada tinha a ver com religião, coisa que o mesmo queria ver o mais distante possível dos seus domínios) sem, contudo, entretanto, todavia, que nos fosse dado conhecer a história inteira.

Sabemos, por exemplo, que o exército iraquiano usou armas químicas e/ou biológicas contra a nação separatista do povo Curdo (que luta pelo estabelecimento de seu estado independente, em terras hoje sob o domínio não só do Iraque – como fica parecendo – mas também da Turquia, Síria e Irã).

Apenas nos foram descaradamente surruipiados os fatos de que: a) as brutais armas usadas contra os Curdos eram de fabricação e fornecimento direto dos Estados Unidos e do Reino Unido; b) Que tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido continuaram fornecendo do mesmo jeito as mesmas armas ao Iraque mesmo depois do amplo conhecimento, no detalhe, sobre seu uso no massacre curdo.

O resto da história nós conhecemos e temos as ações contra o Irã (que repetem absolutamente a mesma estratégia) para nos relembrar: I. Demonizamos o país e seus líderes usando os mesmos rótulos ou bandeiras de sempre: democracia, radicalismo, ameaça à paz, armas de destruição em massa etc etc; II. Como resultado dessa propaganda, passamos sanções contra o país (que todos sabém inócuas pois vitimizam avassaladoramente a população e fortalecem os governos) para buscarmos seu isolamento e o enfraquecimento de suas defesas; III. Quando o país estiver suficientemente isolado e enfraquecido, nós finalmente entramos. É o mesmo filme, remasterizado.

Mas acho que não vai funcionar com o Irã porque: a) O  Irã é uma nação consolidada, integrada, com forte espírito de nacionalidade e moderna; II. Por mais que “vendam” a idéia contrária, o Irã não é uma ditadura mas, apenas uma República Islâmica com instituições fortes e em pleno funcionamento, um regime diferente do nosso que nos cabe apenas respeitar, deixando o seu julgamento para quem de direito, os iranianos.

O Irã não representa nenhuma ameaça seja á paz regional seja à paz mundial.

Já o ataque diuturno ao Irã e seu enfraquecimento, sim, representam.

Um Irã forte, sem atacar ninguém como nos últimos 200 anos pelo menos, é essencial ao equilíbrio regional.

Para colocar um pouco de freio nas ambições desmedidas, irresponsáveis e genocídas do casal supracitado, que já destruiu – só na última década – as vidas e a paz de mais da metade do Oriente Médio inteiro.

E nem o Irã, nem a Síria, nem ninguém do chamado Eixo do Mal tem um milímetro de responsabilidade em tanta desgraça.

Aliás, genocídio, promoção do fratricídio, suporte a ditaduras, derrubada de democracias, carnificinas, preconceito, miserabilização de povos e nações, estupro moral serial de tradições, culturas e religiões, saque a recursos naturais, disseminação do ódio como base filosófica, são pressupostos, métodos e tecnologias quase que de propriedade exclusiva do “Eixo do Bem”.

Se você está entre os que vivem aterroizados pela ameaça do terror, seus (e meus também) temores entretanto por certo não são infundados.

Pois o pior está por vir, e a galope.

Se não chegou ainda, talvez seja a benevolente, parcimoniosa e generosa mão do Profeta intercedendo por nós.

É uma bomba do tamanho do mundo inteiro e que, mais uma vez, foi armada e lá plantada e será detonada pelo mesmo Eixo do Bem e, como sempre, com a participação protagonista do mesmo casal, Estados Unidos da América e Reino da Arábia Saudita, irretratáveis, irretocáveis e incansáveis  no cumprimento de seu destino instintivo de parir homens-bomba e explodir pátrias-mãe.

Há muito tempo, o Império Britânico deu sua contribuição coadjuvante ao exercitar seu incomparável talento para criar Estados “inimigos para sempre” (através de acordos, partilhas, tratados, convenções etc) ao insuflar e induzir a divisão da Índia em três contra todos os esforços do imortal Mohandas Karamchand “Mahatma” Gandhi.

Nasciam, além da Índia, dois “paquistões”, um dos quais se tornaria o atual Bangladesh – que está fora desta história e, aliás, lutando ferozmente por ter direito a uma história, qualquer que seja, desde que de vida sobrevivente.

Depois, temos a Arábia Saudita financiando com fundos e mundos a difusão de seu mais radical dos pensamentos Islâmicos por todo o território paquistanês, como premissa ao seu apoio – e o do seu concubino Estados Unidos – a alguns ditadores do Paquistão.

Como acarajé sem pimenta perde um pouco do apelo, em paralelo ao apoio à ditadura, e à disseminação do radicalismo, o casal também resolveu dar seu suporte ao Programa Nuclear do Paquistão – como forma de manter sob controle alguns vizinhos – unindo definitivamente o inútil ao desagradável.

Por fim, os Estados Unidos invadem o Afeganistão e persistem anos a fio numa guerra absolutamente surrealista e irrealista, que é por característica intrínseca ao seu teatro de operações uma guerra que não respeita a fronteira entre os dois “tões”, desestabiliza o pouco que resta do estado/governo paquistanês e coloca à total deriva um “belíssimo” arsenal nuclear bem no caminho entre a mesquita improvisada – sobre os escombros de alguma outra milenar – (que eles mesmos puseram abaixo com suas “armas de precisão cirúrgica” quando tentavam atingir algum palácio de Saddam a uns mil quilômetros de distância) – bem a meio caminho entre o resto de casa e o resto de mesquita onde os fanáticos que eles mesmos inventaram moram e vão rezar diariamente.

Conter essa ameaça real eminente é uma das missões colaterais do Programa Nuclear do Irã que, infelizmente, nem mesmo eu a milhares de quilômetros defendo mais que seja pacífico.

O Irã precisa e o mundo precisa que o Irã tenha armas nucleares o mais breve possível.

Esta pelo menos é a minha opinião e a opinião – que tal qual a minha evoluiu e mudou totalmente nos últimos 10 anos – a opinião de quase 60% dos entrevistados (no Mundo Árabe, em países na sua maioria inimigos do Irã) em pesquisa realizada no final de 2010 pela Brookings Institution, um think tank dos EUA, respeitado tanto por Democratas quanto por Republicanos.

Por isso, em nada me preocupa uma eventual islamização do Egito, ainda mais se sob a influência da “extremada” pacífica e pacifista Irmandade Muçulmana.

Por isso, também, em nada me preocupa os assuntos internos à República Islâmica do Irã.

Me preocupa sim, o Paquistão Fanático Desgovernado Atômico; o Colômbistão (e suas incontáveis forças miltares, paramilitares, metaparamilitares, parametamilitares e toda sorte de combinações similares possíveis, onde as FARC é dos males o menor) bem aqui ao nosso lado; a infinita prole explosiva do casal Tio Sam e Tia Ibn Saud; as cachoeiras de dinheiro descendo para desestabilizar a vizinha Venezuela e por conseguinte o continente inteiro; e nosso pre-sal, e a governabilidade para nossa Presidenta, e o combate à miséria e o fomento à educação e, enfim, nosso futuro.

O mais longe possível, desejo que estejamos, de quaisquer interferências das velhas podres potências sempre amigas de sempre.

Que cuidem dos seu povos, aos quais dedico meu mais profundo carinho e respeito.

Mas que parém de tocar com seu dedo de SadiM (Midas, ao contrário) a vida dos outros povos e nações.

E quando se fizer ouvir o estampido paquistanês das bombas que os dedos de SadiM já há muito detonaram, é bem provável que, de sob algum escombro em chamas do planeta, me apareça alguém que consiga acessar essa página somente para escrever que “um maluco fanático com uma manchinha na testa explodiu o mundo”

Axé.

Que a paz – e a liberdade – esteja sobre o povo do Egito.

E sobre todos os povos do mundo.

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umuntu ngumuntu ngabantu
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