Uma entrevista histórica e a importância da TV pública, por Paulo Henrique Amorim

Do Conversa Afiada 

 
Paulo Henrique Amorim
 
Sem tevê estatal, nascem os Trump, Berlusconi e Moro
 
Pela primeira vez, Dilma disse ao Nassif, ANTES da segunda e inevitável derrota no Senado, que apoia o plebiscito.

Só por isso, seria uma entrevista histórica.

Parabéns, Nassif!

E seria histórica também por dois motivos.

Primeiro, porque o Governo Dilma só acertou por último.
Barbosa no lugar do Levy, Aragão no lugar do zé da Justiça, Olímpio Cruz na assessoria de imprensa, Wagner no lugar do general Assis Oliva e Ricardo Melo na EBC – valente e competente!

Segundo, porque a repercussão da entrevista – es-pe-ta-cu-lar, se-nho-res! – demonstrou que uma tevê estatal competitiva teria sido viável.

Teria – terIA – sido um contra-ponto à Globo .

Mas terIA sido necessário torná-la profissional e equipada.

Com muita grana.

O papel das redes públicas ou estatais de tevê é servir de mastro para o debate de questões públicas.

Colocar Direita e Esquerda (que jamais deixarão de existir, não é isso, Traíra?) lado a lado, diante do espectador, e moderar as divergências, enquanto as ideias se expõem, com civilidade e complexidade.

Quando não há rede estatal ou pública (como a BBC) forte, abre-se espaço para a radicalização nos extremos – geralmente pela Direita – , com pseudo-herois mediáticos.

Nos Estados Unidos, Trump.

Na Itália, Berlusconi, que destruiu o sistema estatal de televisão na Itália, com a ajuda dos “socialistas” do Craxi.

Aqui, a Globo inventou o Barbosa e o Moro.

E interditou o debate. 

Só a Direita tinha espaço para proclamar que o Brasil era uma m…

E deu no que deu: no Golpe!

O PT se acovardou duas vezes: quando não fez a Ley de Medios.

E porque não encheu a EBC – com Ricardo – de dinheiro.

Pagou caro.

A Globo derrotou o PT, provisoriamente.

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5 comentários

  1. Que terrivel tristeza escutar

    Que terrivel tristeza escutar a presidente de meu pais explicando com tanta a clareza os problemas da nação, mas quando ja não esta mais no poder.

    Nunca entendi porque não antes.

    So agora escutei algo que deveria ter sido dito muita vezes antes. Isto é, como se pode falar tanto em “credibilidadequando se quebra o maior contrato de todos que é o resultdo de uma eleição”.

    Como ja disse inumeras vezes em comentarios, neste blog, a presidente Dilma é uma das pessoas mais serias que ja atuou em toda historia politica brasileira, alem de altamente preparada.

    Falta-lhe apenas uma qualidade para atuar em sua atividade.

    Talvez ate em decorrencia de sua propria seriedade, não tem aquela facilidade no trato da palavra.

    Todo politico tem que ser um pouco ator, usar de armas semelhantes.

    Isso ela não faz.

    Mas quando com calma, sentada numa cadeira de um palacio vazio, conversando com um jornalista que não quer lhe passar uma rasteira, é brilhante.

    Mostra seu conhecimento, sua honestidade, sua inteligencia.

    Que pais miope que não aproveitou mais de uma liderança tão preparada e corajosa para avançar.

  2. “Nunca entendi porque não antes.”

    Será devido ter que entregar os anéis, para preservar os dedos?

    De mais a mais, de 2002 para cá os governos tiveram muito de esquerda, mas, observando de perto, eram liberais para caramba. Ou, o que fizeram mesmo pela segurança, saúde e educação? Digo substancialmente…

  3. Exato

    O Nobre Jornalista entrevistador foi crucial. Não poderia ser outro.

    Imagine se seria possivel essa calma da Dilma nas mesmas circunstâncias e diante de um William Boner. 

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