Boulos chama ato contra ameaça de ditadura: ‘Não dá mais para ficar só reagindo nas redes sociais’

Movimentos sociais da Frente Povo Sem Medo saem às ruas na próxima segunda-feira em defesa da memória das vítimas da tortura e contra escalada autoritária de Bolsonaro

Bolsonaro ameaça destruir bases do convívio democrático no país | Foto: Memorial da Democracia

da Rede Brasil Atual

Boulos chama ato contra ameaça de ditadura: ‘Não dá mais para ficar só reagindo nas redes sociais’

São Paulo – Para o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, ao caluniar a memória do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, o presidente Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites éticos, tornando-se cúmplice dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver cometidos durante a ditadura. Contra essa “escalada autoritária”, que inclui também declarações de desprezo às vítimas de uma chacina de presos ocorrida no Pará, e ataques à liberdade de imprensa e a perseguição ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, que tem revelado bastidores de ilegalidades cometidas na Operação Lava Jato, os movimentos reunidos na Frente Povo Sem Medo saem às ruas na próxima segunda-feira (5), em São Paulo.

O ato Ditadura Nunca Mais!, cuja convocação já tem a presença confirmada de mais de 3 mil pessoas, e outras 13 mil interessadas, terá concentração no vão Livre do Masp, às 18h. Os manifestantes sairão em caminhada até às dependências do antigo DOI-Codi, na Rua Tutoia, zona sul paulistana, que foi o maior centro de tortura durante a ditadura.

“Não queremos de volta esse passado sombrio. Não vamos aceitar que um tipo como o Bolsonaro, alguém que não respeita a dor do outro, que faz troça e brincadeira com a morte, que ameaça destruir as bases mais fundamentais do convívio democrático no país, destrua a nossa democracia, que foi conquistada com muita luta. Por isso, o grito Ditadura Nunca Mais é mais atual e necessário do que nunca”, afirmou Boulos à jornalista Marilu Cabañas, em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta quinta-feira (1º).

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Boulos disse que “não dá mais para ficar só reagindo nas redes sociais”, criticando as descomposturas e a falta de ética das atitudes e declarações do presidente, “completamente inapto” para ocupar o cargo. Na última segunda-feira (29), Bolsonaro disse que poderia contar sobre o desaparecimento e morte de Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Segundo Bolsonaro, o assassinato de Fernando teria sido cometido por integrantes da própria organização de esquerda de que ele fazia parte. A afirmação contraria a versão oficial, que aponta a participação de militares na prisão, tortura e morte do ativista, em 1974. “Ele revelou o lado mais podre e sombrio do seu caráter. Não tem a menor condição de assistir a tudo que assistimos nos últimos dias e não reagir. Chega, tem limite para tudo.”

Educação e moradia

Boulos também anunciou a participação da Frente Povo Sem Medo nos protestos convocados por estudantes para o próximo dia 13 de agosto contra os cortes do governo Bolsonaro na área da educação. Nesta terça-feira (30), foram congelados mais R$ 348 milhões do orçamento do Ministério da Educação. No ano, as verbas previstas não liberadas chegam a R$ 6,1 bilhões.

O líder do MTST também prevê novas manifestações e ocupações no segundo semestre para denunciar o congelamento das políticas habitacionais em todas as esferas de governo, com o desmonte do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo Boulos, a falta de políticas públicas somada à recessão econômica e ao desemprego têm acarretado “profunda crise habitacional” em diversas cidades do país, que têm registrado aumento expressivo da população que vive na rua. Só na capital paulista o total de moradores de rua cresceu 66%, nos últimos dois anos, segundo dados da própria prefeitura.

Ouça a entrevista completa:

1 comentário

  1. Pô, num já tinha um ato nacional unificado das centrais e movimentos sociais para o dia 13?
    Poderia fazer nesse dia uma concentração na Tutóia contra a ditadura em direção ao ato unificado.
    Mas não, tem que ser diferentão e sair na frente,o que na minha modesta opinião acaba cansando a miltancia.
    Duvudo que a grande maioria que vai neste ato vai tambem no do dia 13,mas…quem sou eu para pitaquear/

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