Diferença salarial entre gêneros é maior entre os mais ricos

Segundo dados mais recentes da Pnad/IBGE, entre os 50% mais pobres, as mulheres apresentaram renda equivalente a 75% da média obtida pelos homens. Já na parcela dos 10% mais ricos do país, as mulheres receberam o equivalente a 60% dos salários dos homens.

Foto: Arnaldo Alves / Agência de Notícias do Paraná

Jornal GGN – As desigualdades entre rendimentos de mulheres e homens aumentaram nos últimos dois anos como mostram alguns relatórios. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), produzida pelo IBGE, em 2016 as mulheres ganhavam cerca de 72% do que os homens ganhavam. Em 2017, essa proporção caiu para 70%, apresentando o primeiro recuo em 23 anos.

Esses são os dados mais recentes da diferença salarial entre os dois gêneros. O estudo País Estagnado, também publicado em 2018, pela Oxfam Brasil com base no IBGE, aponta que em 2017 os homens tiveram um salário médio de R$ 2.578,15, enquanto mulheres tiveram rendimento médio mensal de R$ 1.798,72 – uma diferença de R$ 780 por mês.

Em relação ao ano anterior, em 2017 homens e mulheres tiveram incrementos médios gerais de renda. Contudo, a proporção do aumento nos rendimentos dos homens (5,2%) foi superior ao que foi concedido às mulheres (2,2%) – representando mais que o dobro.

Entre os 50% da população mais pobre houve perda geral no rendimento de homens e mulheres, entretanto, novamente a perda entre as mulheres pobres (-3,7%) foi superior a perda sofrida entre os homens pobres (-2).

Distribuição de renda por classes

Entre os 10% mais ricos do país, os homens tiveram quase 19% de aumento em seus rendimentos entre 2016 e 2017. Já as trabalhadoras obtiveram um aumento médio de 3,4% nesse mesmo grupo.

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A diferença salarial entre homens e mulheres também muda comparando os 50% mais pobres com os 10% mais ricos. Em 2017, entre os 50% mais pobre, as mulheres apresentaram renda equivalente a 75% da média obtida pelos homens. Enquanto que na parcela dos 10% mais ricos do país as mulheres receberam o equivalente a 60% dos salários dos homens.

A discrepância salarial entre gêneros, justamente no grupo de pessoas mais ricas no país, pode apontar para o forte componente cultural machista reproduzido pelas elites e seu efeito cascata sobre as classes abaixo da pirâmide.

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