Motorista avança sobre manifestação do MST e mata homem de 72 anos em Valinhos (SP)

Famílias do acampamento Marielle Vive distribuíam alimentos quando foram atingidas por caminhonete

Acampamento Marielle Vive abriga mais de mil famílias / Esquerda Online

do Brasil de Fato

Motorista avança sobre manifestação do MST e mata homem de 72 anos em Valinhos (SP)

Pedro Ribeiro Nogueira e Anelize Moreira

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Um motorista não identificado avançou com sua caminhonete preta em alta velocidade sobre uma manifestação de famílias do acampamento Marielle Vive, em Valinhos (SP), a uma hora da capital do estado de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (18).

Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que vivem no local, distribuíam alimentos e protestam pelo fornecimento de água no acampamento.

Um deles, Luiz Ferreira da Costa, de 72 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele estava terminando um processo de alfabetização para adultos. Testemunhas afirmam que o assassino estava armado e ameaçou os manifestantes quando eles tentaram perseguir o veículo após o atropelamento.

O assassinato ocorreu no quilômetro 7 da Estrada do Jequitibá. De acordo com o relato dos manifestantes, o condutor da caminhonete deixou clara sua intenção de atingir os sem-terra. O movimento ainda apura o número de feridos.

“O protesto ocorria em frente ao acampamento. É uma estrada movimentada, mas eles estavam ali em denúncia à situação de falta de fornecimento de água no acampamento, distribuindo alimentos da reforma agrária e panfletos para os carros que passavam”, afirma Kelli Mafort, da direção do movimento.

Ela explica que o MST está pressionado as autoridades de Valinhos para que a investigação do caso comece imediatamente. “Nós já temos a descrição da caminhonete, mas vai ser fácil a identificação da placa do carro e do assassino do Luiz. A estrada é toda cercada de câmeras de segurança”, explica

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Mil famílias vivem no Acampamento Marielle Vive, ocupado em 14 de abril de 2018 – um mês após a execução da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro – e localizado na Fazenda Eldorado Empreendimentos Ltda.

“A guarda municipal de Valinhos está no local e só pede o tempo todo para gente desobstruir a pista, mas não quer falar sobre punição. Isso é mais uma vez a polícia querendo culpar as vítimas e não ir atrás do que causou todo esse problema. “, ressalta dirigente do MST.

Em nota, o MST exige punição ao assassino, “que age sob o clima de terror contra os movimentos populares, incentivado por autoridades irresponsáveis que estão no governo brasileiro”.

Ao menos duas pessoas deram entrada no sistema de saúde municipal. Além de Luiz Ferreira da Costa, que não resistiu aos ferimentos, o jornalista Carlos Filipe Tavares, de 59 anos, sofreu escoriações e passou por exames na UPA.

Ao Brasil de Fato, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Valinhos informou que havia uma reunião marcada para esta quarta-feira (17) sobre o fornecimento de água, mas a agenda acabou sendo adiada para esta quinta (18). A Prefeitura acrescenta que esta semana começou o fornecimento de água via caminhões-pipa. Sobre o ato criminoso, afirmam “que é caso de polícia, e o responsável precisa ser investigado e punido”.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que já foi aberta diligência para investigação do caso qualificado como homicídio simples e lesão corporal, no 1º DP de Valinhos.  Será realizada perícia no local e exame IML.

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Edição: Daniel Giovanaz

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